Jornal dos Desportos

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Seleco faz nono amigvel

Melo Clemente - 09 de Agosto, 2013

Pupilos de Paulo Macedo somam e seguem no estgio pr-competitivo que realizam na localidade de Pinto arredores de Madrid

Fotografia: Kindala Manuel

A Selecção Nacional sénior masculina de basquetebol realiza hoje, em Pinto, Madrid, mais duas sessões de treino, tendo em vista o desafio de amanhã (19h00), frente à Universidade da Carolina do Norte, enquadrado na preparação para a disputa da fase final da 27ª edição do Campeonato Africano das Nações, prova a decorrer de 20 a 31 do mês em curso.

Quarta-feira última, os pupilos de Paulo Macedo conseguiram alcançar a oitava vitória consecutiva no estágio que realizam em Espanha, a segunda frente ao seleccionado da Venezuela, a quem venceu por 63-47. Ontem, a Selecção Nacional efectuou apenas um treino ligeiro, que serviu para recuperar os atletas mais utilizados durante o desafio frente à Venezuela, combinado que projecta o sul-americano, prova selectiva ao Campeonato do Mundo de Espanha, em 2014.

Com os índices motivacionais elevados, os decacampeões africanos que projectam a conquista do 11º título africano, efectuam hoje mais duas sessões de treino, essencialmente para correcções defensivas, de forma a neutralizar a Universidade da Carolina do Norte, no seu nono amistoso. O cinco nacional apresenta algumas melhorias defensivamente, facto que tem deixado satisfeito o seleccionador nacional que vai conduzir pela primeira vez a equipa na maior montra do basquetebol africano.

A série de jogos de controlo da Selecção Nacional termina na próxima segunda-feira, quando defrontar a Universidade do Portland. A selecção da Costa do Marfim, país que acolhe o Afrobasket de 2013, encontra-se igualmente em Espanha, a preparar o africano e solicitou um jogo amistoso com o cinco nacional, mas a equipa técnica liderada por Paulo Macedo rejeitou a proposta, dado que está praticamente no fim do seu estágio pré-competitivo.


Afrobasket

Angola em busca do 11º título (IV)


Dakar’97 – Neste campeonato, realizado na capital senegalesa, os angolanos, já habituados a ganhar, só sonhavam com o “penta”, como era natural. Mas o “tiro saiu pela culatra”. Um Senegal inspirado não deu hipóteses a quem quer que fosse, esmagando a concorrência personificada pela Nigéria (na final) e por Angola (nas meias-finais), que não conseguiu melhor do que o terceiro lugar. Para o malogrado Wlademiro Romero, que havia brilhado no campeonato anterior, o sonho tornou-se um pesadelo. O “penta” fugiu. Pelo menos, nesta altura.

Luanda’99 – Angola chama a si a organização da XX edição do Afrobasket, para ter mais possibilidades de conquistar o título. Afinal, não é segredo que quem realiza, em regra, espera ganhar, mais a mais quando é uma equipa do topo, como era o caso de Angola. E este foi o caso dos angolanos, já sob o comando técnico do luso-guineense Mário Palma, que regressava mais uma vez ao leme dos então “tetra-campeões” africanos. A Nigéria, com um lote de grandes jogadores, era o principal rival de Angola.

Mas, como se previa, os nigerianos foram incapazes de travar o balanço dos donos da casa, bem impulsionados até à exaustão por um público entusiasta. Felizmente, as previsões concretizaram-se e o penta aconteceu para alegria dos milhares de angolanos que viveram de forma eufórica a XX edição do Campeonato Africanos das Nações, prova disputada em duas cidades, Luanda e Cabinda.

Argel’2001 – A conquista do “hexacampeonato”, que acabou por se concretizar na capital argelina, foi a mais dura que o combinado angolano logrou, ao longo da sua trajectória vitoriosa, até porque foi a segunda em que os angolanos conseguiram triunfar, averbando uma derrota na fase inicial da competição, que aconteceu diante dos anfitriões.

Mas, esta derrota pode ter sido impulsionadora, já que Angola defrontou na final a Argélia, com quem tinha contas a acertar, ganhando assim o jogo um carácter de desforra, o que galvanizou mais os jogadores na busca do sexto título. Contudo, não foi um triunfo brilhante, porque a selecção estava numa fase de renovação e o casamento entre a experiência dos mais-velhos e a juventude dos mais-novos, aplicada por Mário Palma, não permitiu que se atingisse a excelência, embora tenha chegado para as encomendas.


HISTÓRIA
Percurso dos Afrobasket


X Edição

País sede: Marrocos
Data: 22 a 30 de Março de 1980
Campeão: Senegal
Participantes: Senegal, Costa do Marfim, Marrocos, Argélia, Congo Brazzaville, Zaíre, Angola, Mauritânia e Guiné Conacri.

Neste campeonato aconteceu a estreia da selecção de Angola, que realizara a primeira edição do seu campeonato nacional em 1979. Então treinada por um jovem de 29 anos, Mário Palma, a formação angolana chegou a Rabat sem grandes veleidades. Afinal, tinha à frente de si uma data de “gigantes” que há muito conheciam os segredos do campeonato africano de basquetebol. Assumindo a sua condição de maior potência da época, o Senegal venceu novamente o campeonato em que o Egipto uma vez mais esteve ausente. Completaram o pódio a Costa do Marfim e a formação da casa. Angola ficou na sétima posição, o que para os angolanos era um resultado aceitável, face à sua inexperiência no plano internacional.

XI Edição

País sede:
Somália
Data: 15 a 23 de Dezembro de 1981
Campeão: Costa do Marfim
Participantes: Costa do Marfim, Egipto, Somália, Argélia, Senegal, Congo Brazzaville, Tunísia, Mauritânia, Angola e Moçambique.

Este campeonato marcou a estreia de um segundo país lusófono, Moçambique. Foi um dos mais complicados da história do basquetebol africano devido às muitas ocorrências negativas, algo como o excessivo número (quatro) de faltas de comparência na fase classificatória. O Senegal acabou surpreendido, ainda na primeira fase, pelo “caloiro” Moçambique e teve uma queda inimaginável, ocupando a quinta posição. Duas vezes vice-campeã africana, a Costa do Marfim acabou finalmente por concretizar o sonho do título, secundado no pódio pelo Egipto (segundo) e pela Somália (terceiro), que ocupou essa posição após muitos arranjos administrativos e à “chuva” de ausências que se seguiram à primeira etapa da prova. Não foi uma boa jornada para o basquetebol africano e de Angola, cuja selecção acabou na nona posição, superando apenas Moçambique por… falta de comparência.

XII Edição
País sede:
Egipto
Data: 19 a 28 de Dezembro de 1983
Campeão: Egipto
Participantes: Egipto, Angola, Senegal, Costa do Marfim, Moçambique, Argélia, RCA, Somália, Libéria e Guiné Conacri.

Organizado na cidade-talismã do basquetebol egípcio, Alexandria, esta competição confirmou a decadência do Senegal, que pela segunda vez caía na primeira fase aos pés de Angola, a penúltima classificada do campeonato anterior. Também significou o regresso do Egipto ao principal lugar do pódio continental, após uma ausência de três edições e oito anos. No palanque da glória acabou acompanhado por uma surpreendente Angola e pelo antigo campeoníssimo Senegal. O certame, que viu a Libéria estrear-se, deu mostras claras de um novo realinhamento das potências do basquetebol africano, com Moçambique a ocupar também um lugar de destaque (5º), atrás da então campeã em título, Costa do Marfim, que ocupou o quarto posto. Inesperada também foi a classificação da RCA, tida como das principais referências da “bola ao cesto” em África.


Preparação

Meninas de ouro
trabalham no Anexo


Depois de ter trabalhado ontem a componente física, na Ilha de Luanda, a Selecção Nacional sénior feminina de basquetebol volta a realizar hoje, no Pavilhão Anexo número dois da Cidadela Desportiva, em princípio, mais duas sessões de treino.

O seleccionador nacional aguarda a todo instante a confirmação da direcção do Futebol Clube Vila Clotilde, a quem solicitou para hoje um jogo de controlo, com a equipa masculinas de cadetes, enquadrado na sua preparação visando a participação na fase final do Campeonato Africano das Nações, a decorrer de 20 a 29 de Setembro próximo.

Devido a questões académicas, a direcção do Vila não confirmou até ao final do dia de ontem o pedido da equipa técnica nacional, liderada por Aníbal Moreira. As campeãs africanas em título medem forças amanhã com a equipa de cadetes masculinos do Petro de Luanda, partida agendada para as 9h00, no Pavilhão Anexo da Cidadela Desportiva, local onde foi montado o quartel-general da Selecção Nacional.

Angola figura no Grupo B, ao lado das selecções da Nigéria, Mali, Cabo Verde, Camarões e Quénia. No Grupo B estão as selecções de Moçambique, Costa do Marfim, Egipto, Zimbabwe, Senegal e Argélia.
Melo Clemente