Jornal dos Desportos

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Silncio da FAB preocupa Luvati

Melo Clemente - 24 de Outubro, 2019

rbitro Antnio Luvati aguarda com expectativa a concluso do inqurito

Fotografia: Jornal dos Desportos

Duzentos e nove dias (209) são passados desde que o árbitro angolano, António Luvati, sofreu uma agressão física por parte do ex-director para o basquetebol do Grupo Desportivo Interclube, Joaquim Xavier, e a direcção da Federação Angolana de Basquetebol (FAB), liderada por Hélder Martins da Cruz “Maneda”, continua remetida ao silêncio, situação que tem deixado frustrado o jovem juiz, de 31 anos de idade.
O triste episódio remonta do dia 2 de Março de 2019, quando às formações do Grupo Desportivo Marinha de Guerra e Grupo Desportivo Interclube se defrontaram no Pavilhão Victorino Cunha,  em partida a contar para  a quarta jornada da quarta volta da 41ª edição do Campeonato Nacional de basquetebol em seniores masculinos, vulgo Unitel Basket, referente a época desportiva 2018/2019, com o triunfo a sorrir para a turma da polícia, por escassos dois pontos de diferença.
Apesar do triunfo da formação adstrita à Polícia Nacional, o então director para o basquetebol daquela agremiação desportiva, Joaquim Xavier, decidiu agredir fisicamente o juiz António Luvati, no interior das instalações desportivas do Clube Central das Forças Armadas Angolanas (1º de Agosto), por este ter, alegadamente, prejudicado a sua colectividade, segundo fez saber o relatório, quer do trio de arbitragem, constituído por Osvaldo Neto, António Luvati e Paulo Luvati, quer do comissário ao jogo, José Quizola.
Cinco dias depois do sucedido, isto é, a 7 de Março, a direcção do órgão reitor da modalidade no país, abriu um inquérito para apurar a veracidade dos factos, tendo o ofendido sido ouvido apenas no dia 18 de Junho do ano em curso.
Numa altura em que a  nova época desportiva 2019/2020 foi aberta a 18 do mês em curso, com a disputa da Supertaça Wlademiro Romero, cujo vencedor foi o Petro de Luanda, que bateu na final o arqui-rival, 1º de Agosto, por 84-88, o árbitro de categoria nacional de primeira classe, teme que o processo caia no esquecimento, a julgar pelo tempo demasiado longo (oito meses).
\"O que me preocupa é o facto de a agressão ter acontecido no dia 2 de Março, e até ao momento, nem o Conselho de Disciplina da federação, nem a direcção se pronunciaram relativamente ao facto ocorrido. Sei apenas que foi aberto um inquérito no dia 7 de Março, dei o meu depoimento a 18 de Junho último, e até ao momento desconheço o desfecho deste inquérito\", lamentou.
De acordo ainda com António Luvati, a morosidade que se verifica demonstra claramente, que os homens do apito não são protegidos.
\"Esta lentidão que se verifica demonstra claramente, que a classe está completamente desprotegida. Portanto, é a nossa integração física que está em jogo e não é por míseros dez mil kwanzas que recebemos por partida, que vamos permitir com que os árbitros sofram todo tido de agressão, desde a verbal até a física\", desabafou António Luvati.
Entretanto, em declarações ao Jornal dos Desportos, o quinto vogal de direcção da federação, Nelson do Nascimento Neves Cange, a quem foi incumbida a missão de conduzir o inquérito, reconheceu que o tempo é excessivamente longo, tendo assegurado que, nos próximos dias, as conclusões serão conhecidas.
\"Realmente lamentamos o tempo, que foi demasiado longo. Nós já concluímos o processo de acareação e, nos próximos dias, teremos as conclusões deste inquérito\", assegurou Nelson do Nascimento Neves Cange.
Luvati fez saber, por outro lado, que apresentou igualmente uma queixa crime contra o ex-director para o basquetebol do Grupo Desportivo Interclube, Joaquim Xavier. Apesar do processo ter desaparecido, Luvati teve de fazer nova queixa que segue os seus trâmites.

LUVATI LAMENTA
POSTURA DA ANJBA

António Luvati lamentou, por outro lado, a postura que a Associação Nacional dos Juízes de Basquetebol de Angola (ANJBA) tomou em relação a agressão sofrida pela seu filiado.
\"Lamentavelmente, a ANJBA tem acompanhado este processo como um mero espectador. Os árbitros não sentem o conforto da Associação Nacional de Juízes de Basquetebol de Angola. Só quando os árbitros tomam posições radicais entre aspas, é que a ANJBA aparece. Temos como exemplo o não arranque da \"Nacional\", em que ela conseguiu dar o ar da sua graça\", finalizou.