Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Sonho de um pas nas mos de um menino

Nelson Cantos - 20 de Junho, 2019

Fotografia: DR

A temporada 2018/19 da Associação Nacional de Basquetebol (NBA) terminou, com a conquista inédita dos Toronto Raptors, agora é o momento das equipas começarem a preparar os planteis para a próxima época, reforçando os grupos na edição 2019 do draft.
O poste Bruno Fernando é a grande esperança de Angola ter um representante na NBA. O jogador está inscrito (elegível) para edição 2019 do Draft (processo de recrutamento de jogadores para a NBA), com boas probabilidades de ser escolhido por uma das equipas. O draft arranca hoje, quinta-feira, dia 20, e o país, 11 vezes campeão africano, terá que aguardar, “sonhando” com a presença de um jogador na maior liga do mundo.
No entanto, antes de abordar esta possibilidade, é importante explicar como funciona o processo, quais as possibilidades do jogador ser escolhido e o que dizem os analistas.
O draft é um processo, onde jogadores de vários países, quer estejam a jogar na Espanha, Grécia, Portugal, Itália entre outros países, apresentam-se disponíveis (elegíveis), para o recrutamento da principal liga de basquetebol norte-americana (NBA), com particular destaque para os atletas que disputam o campeonato universitário nos Estados Unidos. Estes, em particular, têm que obrigatoriamente jogar, no mínimo, um ano no campeonato universitário (chamados Freshman), ao passo que, para o resto do mundo, os candidatos devem jogar numa liga profissional.
Depois da inscrição, os jogadores aguardam pela sorte de estarem entre os draftados (escolhidos), para época que se segue na NBA. Apenas sessenta (60) são escolhidos, sendo 30 na primeira ronda e igual número na segunda. Os eleitos na primeira ronda têm direito a contrato, ao contrário dos restantes que, normalmente, passam por outros testes, para provar que merecem um lugar numa determinada equipa ou são “lançados” na G-League (espécie de segunda divisão com equipas satélites), para melhor preparação.
No entanto, há casos de jogadores escolhidos na segunda ronda e ainda assim lhes ser oferecido um contrato de imediato, ainda que seja o teto mínimo. Tudo depende das necessidades da agremiação.
Mas antes do draft há a lotaria (rifas), para identificar qual das 30 equipas terá direito a primeira escolha, entre os vários candidatos.
Uma vez realizado este sorteio da lotaria do draft, no passado dia 14 de Maio, cada uma das 30 equipas que compõem a NBA, está ciente da posição em que vai poder escolher nesta edição.
A partir daí, as equipas podem começar a trabalhar na estratégia mais conveniente, de acordo com os seus objectivos, que pode ser de curto, médio ou longo prazo.
Este trabalho é bastante variado, inclui várias etapas, desde programar treinos com jogadores que, possivelmente, estarão dentro de sua faixa de escolha (como aconteceu com Sílvio que foi convidado a treinar pelo Utah Jazz/Chicago Bulls), até sondar o mercado, para avaliar o valor que suas escolhas poderiam ter, em face de uma possível transferência.
Outra fase do processo é o Draft Combine, onde a NBA indica os 66 com melhores cotação para uma serie de testes, desde velocidade, salto, lançamentos e outros elementos, onde o angolano Bruno Fernandes fez parte.
Bruno Fernando está entre os candidatos a uma vaga na NBA via draft. Comparativamente ao seu compatriota, que também esteve elegível, mas retirou a sua candidatura (Sílvio), as hipóteses de Bruno tornar-se no primeiro angolano a “entrar” na liga norte-americana, são maiores do que qualquer outro, fruto da prestação na temporada 2018/19, onde foi o jogador de maior destaque na universidade de Maryland, tendo sido um dos concorrentes ao prémio Abdul Jabbar (para o melhor poste).                          Jornalista da Angop