Jornal dos Desportos

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Treze anos EUA perdem um prlio vergados pelo peso da humilhao

Antnio Ferreira - 14 de Setembro, 2019

Estrelas americanos deixaram de brilhar na China

Fotografia: Dr

Quem diria! Treze anos depois do último desaire, a selecção sénior masculina de basquetebol dos Estados Unidos da América, vulgo “Dream Team”, perdem dois prélios na mesma competição e deixam escapar a possibilidade de defesa do ceptro mundial.
Vergados pelo peso da humilhação, agravada com a derrota frente à Sérvia, 94-89, para as classificativas do quinto ao oitavo lugares, na hora das contas, fica por saber se as escolhas de Gregg Popovich foram as mais acertadas ou do porquê que as estrelas olvidarem a selecção, em detrimento de compromissos pessoais.
O afastamento da defesa do ceptro servirá (será?) de lição para futuros eventos e remete a quem de direito à uma profunda reflexão. Numa grande lição de espírito de patriotismo e de missão, em 1992, Michael Jordan, Magic Johnson e Larry Bird, Scottie Pippen, entre outros, aceitaram representar o seu país nos Jogos Olímpicos de Barcelona.
E aqui voltamos a velha história das idas ou não à selecção. Na altura, os EUA conseguiram reunir o melhor lote de jogadores no activo. Os Jogos de Barcelona, foram o ponto alto dessa selecção, sobressaindo da sua prestação a conquista da medalha olímpica e o registo da selecção de Porto Rico ter sido a única a consentir derrota por menos de 40 pontos (38).
Volvidos 21 anos, as ditas grandes estrelas da principal liga, a NBA, declinaram o “convite” para integrar a selecção. Recuando a cassete, o histórico remete-nos a 2006, ano do último desaire dos EUA. Caíram com estrondoso, diante da França nos quartos-de-final, o que não surpreendeu os analistas, depois da pálida exibição ante a Turquia.
Pese o afastamento precoce, mais por mérito dos franceses e que para muito boa gente, incluindo o autor destas linhas, não constitui uma surpresa total, a verdade é que os Estados Unidos da América serão sempre, face a qualidade dos seus jogadores, os principais favoritos à conquista do Mundial.
Gregg Popovich não tinha cão e foi à caça com gato e saiu caçado, humilhado logo a seguir ante o peso da derrota diante da Sérvia. Também não deixa de ser verdade, que a selecção dos EUA normalmente é feita com base nos jogadores das melhores equipas da NBA. A presente não integrou jogadores da estirpe de Kevin Durante, James Harden, Stephen Curry, LeBron James, apenas para citar estes.
Dos jogadores que integraram a equipa de All-Stars da NBA em 2019, só três mostraram disponibilidade para estar no Mundial FIBA da China, mormente Kemba Walker, dos Boston Celtics, Kyle Lowry dos Toronto Raptors e Khris Middleton dos Milwaukee Bucks.
E basta um pequeno exercício, para perceber melhor a recusa em representar a selecção, bem como a aparente ou inevitável quebra de qualidade da selecção dos EUA, que prende-se em grande medida com o período de free agency da NBA, particularmente na última temporada, em que cerca de cerca de 25% dos jogadores da liga, segundo dados do Jornal “The Guardien”, mudaram de equipa nos últimos meses, criando alguma ansiedade nos jogadores, com visibilidade para Anthony Davis, que jogou a carreira toda nos New Orleans Pelicans, e transferiu-se para os Lakers, James Harden dos Houston Rockets, o MVP de 2018, quer ganhar mais ritmo e entrosamento, o reforço de “peso” adquirido aos Oklahoma City Thunder, nomeadamente de Russel Westbrook, com outros casos por meio mas sem mediatismo na média local.
A fuga ou debandada dos melhores jogadores da NBA - o termo mais adequado deixo ao critério dos nossos estimados leitores - tem várias leituras. Nos bastidores circulam dois aspectos, como a pressão dos clubes, mas a principal causa tem a ver com o risco de uma lesão grave, perigando uma época regular ou afastar dos compromissos internacionais.
A questão da fuga à selecção passa também pelos representantes dos mesmos, que agastados com o excesso de tempo destes na selecção, accionando também o risco de lesões, quando podiam estar com as respectivas equipas a preparar a pré-época, preterindo em bom rigor, representar a selecção num Mundial FIBA ou Jogos Olímpicos, quando os milhões dos clubes falam mais alto e numa época particularmente desgastante e intensa, com efeitos nefastos no trabalho dos free agency.
Cristalina como a água ficam para a história as duas derrotas no Mundial FIBA da China, que teve nas meias-finais selecções representativas dos três continentes: América, Europa e Ásia. Marcante e a história regista o facto é que 13 anos depois, os EUA voltam a perder e a falhar a defesa do título, naquele que já é apelidado pela crítica como o mais equilibrado de todos os tempos da história da competição, sem a melhor do mundo. Caiu, lá isso é verdade, mas ninguém lhe tira o mérito. Com a grandeza das suas estrelas são imbatíveis, goste-se ou não dos yanques.