Jornal dos Desportos

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Basquetebol

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H?lder Jeremias - 26 de Agosto, 2017

As bicampes africanas perderam

Fotografia: Jornal dos Desportos | Edies Novembro

A Selecção Nacional viu gorada a pretensão do resgate do ouro continental mercê da derrota ontem à noite, no pavilhão do Palácio dos Desportos, em Bamako, capital do Mali, por 47-61, diante da sua similar de Moçambique, em partida pontuável para os quartos-de-final da 25ª edição do Campeonato Africano de Basquetebol sénior feminino (Afrobasket), cuja final está marcada para amanhã.

Sob orientação do técnico Jaime Covilhã, o combinado nacional denotou acentuadas vulnerabilidades do ponto de vista táctico, diante de uma equipa que não esteve bem no período inicial, mas que soube fazer uma leitura atempada para virar a situação ao seu favor ainda ao longo do quarto que antecedeu o intervalo e foi consolidando a sua astúcia quer no ataque, quer a defender para tornar "estéril" a estratégia de Jaime Covilhã, muito refém do desempenho da base Italee Lucas e da ineficácia do jogo exterior.

A equipa do Índico parecia desprovida de argumentos para se redimir da consagração do segundo título angolano na épica final do Africano de Maputo em 2013, em pleno pavilhão de Maxaquene, quando as pupilas de Jaime Covilhã abriram uma vantagem de 10 pontos no primeiro quarto (16-10), porém, o momento de graça foi efémero porque o técnico Nasir Salé optou por uma defesa com maior incidência sobre Italee Lucas, Rosa Gala, Clarisse Mpaka, motivo pelo qual, no segundo período, o marcador rebitou a vantagem de três pontos (23-20) a favor de Moçambique, em resultado de um triplo protagonizado por Leia Dongue a 17 segundo para o intervalo.

A postura de Angola pouco se alterou no reatamento da partida, já que os mesmos erros defensivos e impotência em termos de finalização eram diametralmente opostos ao melhor discernimento das meninas do Índico, muito influenciadas por Anabela Cossa e Leia Dongue, nos vários diagramas tácticos que permitiram que o técnico Nasir Salé se redimisse diante da formação que partilha o mesmo idioma na maior prova continental, com os dois últimos quartos subsequentes a se saldarem em 45-32 e 61-47 ao favor de Moçambique.

Com este resultado, Moçambique volta a competir hoje, desta feita em busca do apuramento para a final e consequente apuramento para o campeonato Mundial de 2018, com palco no Reino da Espanha, ao passo que Angola vê-se obrigada a lutar pelas classificativas do quinto ao oitavo lugares, depois de na edição passada ter ficado na quarta posição.

Ainda ontem, a Nigéria carimbou o passe para as meias-finais ao bater a Costa do Marfim por expressivos 98-43, os resultados das partidas entre, Mali-Egipto e Camareõs- Senegal não eram conhecidos até a hora do fecho da presente edição.

A Guiné e o Congo Democrático disputam hoje, a partir das 12h45, o nono lugar, ao passo que a Tunísia e a República Centro Africana jogam às 10h30 para as classificativas  do décimo primeiro e décimo segundo lugares.


 FEMININO
Técnico defende
mais investimentos


O técnico do Núcleo de basquetebol do Inter da Huíla, Aurélio Moisês “Lellas”, defendeu maior aposta no desenvolvimento da prática de basquetebol, na região Sul, para impulsionar mais dinâmica ao sector feminino. Admitiu haver pouca atenção nas províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango. A província de Benguela é a que está actualmente em melhor circunstância, no desenvolvimento da prática do basquetebol.

“Tanto é que pode falar-se de basquetebol feminino, na cidade de Benguela, coisa que não existe mais, em outras províncias. Namibe, ultimamente, apareceu com uma equipa de formação, e uma Escola de basquetebol, mas a intenção não teve sucesso. No Cunene, há vontade dos dinamizadores para trabalhar, pois conheço as pessoas, mas não basta a vontade das pessoas. É preciso muito mais. E, esse mais, é que não existe”, disse. 

Com a implementação do projecto de massificação de basquetebol feminino, que evolui satisfatoriamente no Núcleo do Inter da Huíla, a província pode conhecer outra dinâmica, a curto, médio e longo prazos, e quiçá surgir outras direcções a apostar noutras províncias da Região Sul, de acordo com Aurélio Moisés.

A título de exemplo, o treinador de nível I, citou a implementação do projecto do Interclube na província de Benguela. Para Lellas, "constitui uma iniciativa de louvar".
GAUDÊNCIO HAMELAY | - LUBANGO