Jornal dos Desportos

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Reportagens

1 de Agosto deve pensar em ttulos

Augusto Fernandes - 02 de Outubro, 2014

Loureno Chilombo diz que quem representar o 1 de Agosto nos prximos tempos vai fazer por merecer

Fotografia: Augusto Fernandes

O plantel principal de futebol do 1º de Agosto, nove vezes campeão nacional, pode vir a depender mais de jogadores formados no clube, a partir dos próximos dois/três anos. A garantia foi dada ao Jornal dos Desportos, pelo técnico dos escalões de formação, Lourenço Caquinta Chilombo “Man Loras” antigo capitão dos rubro-negro.

De acordo com o antigo central da equipa militar, que diz acreditar no êxito do trabalho que está a ser realizado pela direcção presidida por Carlos Hendrick, dentro de pouco tempo, todo  jogador expatriado ou nacional para jogar no 1º de Agosto “vai ter de merecer”.
O Clube 1º de Agosto, pela sua dimensão, tem de pensar sempre na conquista do título do Girabola, por isso, Lourenço Chilombo reprova todos aqueles que alegam serem os militares, imediatistas. 

“Creio que o senhor jornalista tem acompanhado o investimento que a nossa direcção tem feito neste sentido, desde a aquisição de treinadores e jogadores. Algumas pessoas que não compreendem a preocupação da nossa direcção em conquistar títulos, dizem que somos imediatistas. Mas na verdade, um clube como o nosso só tem de pensar em títulos.

Não nos conformámos em ficar em segundo lugar, porque é o primeiro dos últimos, mas temos de aceitar os resultados”, disse.
A falta de sorte nas apostas feitas pela direcção do clube, conforme o técnico Lourenço Chilombo, tem sido das causas do fracasso do 1º de Agosto no Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, competição que não vence há nove anos, pois a última vez que os militares ergueram o troféu foi em 2006, sob comando técnico do holandês Ian Brouwer.

O antigo capitão militar, que em 1979, recebeu das mãos do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a taça de campeão do primeiro Girabola, lamentou igualmente que muitos jogadores contratados pela direcção rubro-negra, não chegaram a fazer  sequer meia época.

“Posso dizer sem receios, que termos tido falta de sorte nas apostas que fizemos e às vezes, até somos ludibriados por alguns jogadores ou treinadores que contratamos. Repare que nos últimos anos, o 1º de Agosto deve ser a equipa que mais gastou em contratações de jogadores, uma média de dez no mínimo, por época. A maior parte deles nem chegaram a fazer meia época e foram para o estaleiro e outros até,  nem chegaram a fazer um jogo sequer e já estão a contas com lesões e outras mazelas. Todos estes problemas têm contribuído para que os títulos não apareçam”, sustentou.


CONTRATAÇÃO
Treinador militar quer mudanças


O técnico dos escalões de formação do 1º de Agosto, Lourenço Caquinta Chilombo “Man Loras” acredita que a direcção do clube vai mudar as regras de contratação de jogadores e treinadores para a equipa sénior.
Lourenço Chilombo tem fé que isso venha a acontecer, brevemente, pois como referiu, a direcção de Carlos Hendrick tem identificada  razões do fracasso do futebol sénior dos militares nas últimas nove épocas.

“Este tipo de situações que mencionei como um dos principais motivos para a não conquista de títulos, acontecem um pouco por todo o Mundo. No entanto, temos uma direcção dinâmica e inteligente, que de certeza vai mudar  as regras de contratação. Além disso, a nossa direcção está a apostar muito sério em infra-estruturas, está a criar condições para potenciar futuros jogadores para o clube e não só. Se tudo depender da nossa direcção, em pouco tempo, isto é, em dois ou três anos, vamos depender mais da prata da casa. O ‘estrangeiro’ que quiser jogar no 1º de Agosto vai ter de merecer”.Questionado se com base nisso, pode haver restrições para um atleta representar o 1º de Agosto, Lourenço Chilombo disse que “não”, mas que uma atenção especial vai ser dada àqueles formados no clube.  

“Não é bem isso. O que eu quero dizer é que quando se joga também por amor à camisola,  a responsabilidade é outra. Veja por exemplo, nos últimos anos, contratamos muitos ‘estrangeiros(entenda-se jogadores não formados no clube), mas no final da época quem aguenta o clube? Na sua maioria são os Mingo Bile, Massungunas,  Manuchos, Tony e outros. Com excepção de um ou outro de fora, os rapazes formados em nossa casa, são na verdade os guardiões da nossa honra. Por isso, dentro em breve quem quiser jogar no 1º de Agosto vai ter de ‘incendiar’ a camisola com calor (risos). Estamos a formar bons jogadores”, sublinhou.                
AF


AVALIAÇÃO
"Jogávamos
por amor à camisola"


O antigo defesa central Lourenço Chilombo, co-fundador  do 1º de Agosto, faz parte dos anos de glórias da equipa rubro-negra. O ex-jogador pertence ao grupo que conquistou os três primeiros títulos do clube, foi  na qualidade de capitão  que recebeu das mãos do Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, o troféu de campeão do Girabola de 1979.
Lourenço Chilombo é contemporâneo de  Mateus César, Geovety, Chimalanga, Ndunguidi, Carlos Alves, Napoleão Brandão, Garcia, Luvambo, Chiby, Vicy, Salviano, Jesus, Vata e muitos outros, lembra-se  com nostalgia do “tempo de glória”, diz que existe muita diferença entre o 1º de Agosto de ontem e o de hoje.

“A diferença é muito grande. No meu tempo, nós jogávamos por amor à camisola. Mas mesmo assim, quando estivéssemos em campo, o adversário notava que não estávamos para brincadeiras. Tínhamos um grande sentido de responsabilidade. Além disso, técnica e fisicamente nós éramos muito mais evoluídos. E isso, não acontecia só com o 1º de Agosto. Mesmo no Petro de Luanda, Nacional de Benguela, Desportivo da Chela, Mambroa do Huambo e outras equipas. Normalmente, os jogadores tinham uma estrutura que impunha respeito. Mesmo os mais baixos, como o Vicy ou o Maria eram física e tecnicamente bem dotados”, disse.

O ex-defesa que naquela altura era  quase intransponível, raçudo e temido por muitos avançados da sua época, realça igualmente que em termos de salários, o que os jogadores actuais ganham em um ano, “nós só em dez ou 15 anos talvez ganhássemos. Hoje com a ajuda da TV, os atletas vêem jogos em directo que  envolvem grandes estrelas do futebol mundial,  por isso, têm mais oportunidades de aprender o ABC do futebol.

Têm mais bolas à disposição para os treinos, etc, mas mesmo assim, poucos conseguem passar da média. É verdade, que nem todos nascem com talento para serem bons jogadores, mas a mediocridade é impressionante, os jogadores de hoje têm muitas dificuldades em aprender coisas básicas, como amortecer uma bola, cruzar, chutar à baliza e assim por diante,  coisas que no meu tempo, fazíamos com muita facilidade”.
AF


Antigo central dos Palancas
defende a renovação da Selecção


A formação de uma nova Selecção Nacional, para substituir aquela que competiu no Mundial de 2006, na Alemanha, devia ser a prioridade da Federação Angolana de Futebol (FAF) e da equipa técnica nacional, e não a participação no Campeonato Africano das Nações, CAN, do próximo ano, em Marrocos. Quem o diz é o antigo internacional Lourenço Chilombo.

O ex-central dos Palancas Negras, que representou o 1º de Agosto, realçou que ir ao CAN 2015, representaria apenas gastar dinheiro e dar show. 

"Em minha modesta opinião, Angola não devia preocupar-se em ir ao CAN. A principal preocupação deve ser a formação de uma nova Selecção Nacional, que substitua aquela que foi ao Mundial na Alemanha, capaz de ombrear com qualquer equipa de África. Esta deve ser a nossa principal preocupação.

 O CAN não deve ser prioridade. Se não se tem traquejo para conduzir determinado carro porque comprar tal carro?  Chega de ir ao CAN só  para gastar dinheiro e dar show", disse. Segundo o técnico dos escalões de formação do 1º de Agosto, as pessoas que dirigem o futebol nacional são inteligentes, por isso não está em condições de ensinar ninguém.

Para ele, o Ministério da Juventude e Desportos  podia determinar os objectivos a atingir, pois  ainda não temos uma selecção capaz de competir e fazer uma boa figura numa fase final da Taça das Nações.

"Creio que  as pessoas que dirigem o nosso futebol são  inteligentes . Não estou à altura de  ensinar-lhes o que devem fazer, Mas como homem do futebol, posso dar uma opinião. O Ministério da Juventude e Desportos é quem  deve determinar quando é que a Selecção Nacional está à altura de competir para chegar a um CAN. Enquanto não tivermos uma selecção capaz  de competir, não interessa investir ou gastar muito dinheiro para se chegar a um CAN. Podemos participar nas eliminatórias para a selecção ganhar traquejo. Portanto, quando decidirmos ir a um CAN é para estarmos entre os cinco primeiros lugares no mínimo. Se for só para passear, que cada um pague do seu bolso", sublinhou.

De acordo com o antigo capitão do 1º de Agosto e ex-central da Selecção Nacional, as pessoas que gerem o futebol angolano não se importam com a prestação dos Palancas Negras nas várias competições em que participa.
"O que eu quero dizer é que as pessoas não se importam com a prestação da Selecção Nacional. O mais importante para eles é estarem lá (no CAN)", realçou.


CONSTATAÇÃO
Queremos estar em tudo que seja CAN


O futebol angolano não tirou proveito da inédita participação da Selecção Nacional no Mundial de 2006, na Alemanha, pois regrediu muito nos últimos anos. A constatação é do técnico dos escalões de formação do 1º de Agosto, Lourenço Chilombo, antigo defesa central da equipa militar e dos Palancas Negras.

Segundo ele, depois do sucesso de 2005/2006, com Oliveira Gonçalves no comando técnico dos Palancas Negras, criou-se o sentimento de que devíamos estar presentes em todas as competições, CAN e Mundial, mesmo sem uma selecção competitiva. Como isso não tem sido possível, a decepção apoderou-se dos adeptos da equipa nacional. 

"Vários factores podem ter contribuído para isso. Acho que nunca nos preocupamos muito em formar uma selecção para competir, mas apenas em participar nos CAN  e noutros eventos  futebolísticos em África. Mas desde a nossa ida ao Mundial, na Alemanha, que foi uma grande e boa surpresa, passamos a acreditar que podíamos fazer mais. Por isso, queremos estar em tudo que seja CAN ou Mundial e quando os resultados não aparecem a conequência é a grande decepção que norteia quase todos os adeptos dos Palancas Negras", disse.

Lourenço Chilombo fala em paciência para se inverter o quadro actual. Ou seja, para o antigo capitão do 1º de Agosto, os gestores do futebol nacional  não precisam de ter pressa.

"Não precisamos deter pressa. Ainda há muitos CAN´s e Mundiais. Temos de ter paciência, pois selecções como o próprio Burkina Faso, Cabo Verde e até mesmo a Nigéria ou Camarões também levaram certo tempo para atingirem os actuais níveis. Vamos com calma. O mais importante é trabalhar para quando pensarmos  num CAN, ou seja, para competir e não para participar", referiu.                    
AF