Jornal dos Desportos

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Reportagens

1º de Maio e Académica querem ficar fora da liguilha

Francisco Carvalho - 24 de Outubro, 2009

1º de Maio de Benguela luta pela liguilha

Fotografia: Jornal dos Desportos

Liguilha marca atenção - O número de equipas proposto a partir da próxima temporada pode representar o aumento de mais jogos nas pernas dos atletas, passando para 30 contra os actuais 26 as jornadas em disputa, que pouco ajudam para se adquirir ritmos desportivos aos contendores da maior prova futebolística nacional.
Para alguns, foi uma decisão bem pensada e digno de se louvar, porquanto, vai beneficiar acima de tudo as equipas que, em situações normais, não forem capazes de amealhar pontos que lhes possibilitaria manter no Girabola; e por outro, daria a mais uma possibilidade às equipas que na Segundona não foram capazes de atingir à primeira posição que dá acesso ao Girabola.
Outrossim, consiste no facto de as equipas apuradas para as competições internacionais, designadamente, a Taça da Liga dos Campeões e a Taça da Confederação Africana de Futebol, poderem apresentar-se com um outro ritmo desportivo, isto do ponto de vista físico e atlético.
Acabar com o mito de que os afastamentos prematuros das formações angolanas em provas sob a égide da CAF devem-se ao diminuto número de jogos com que se apresentam diante dos seus adversários, para além do começo tardio, é no fundo a táctica que a direcção da FAF, liderada por Justino Fernandes ensaia desde o começo do seu terceiro mandato na condução dos destinos do futebol nacional.
Entretanto, nem todos aceitaram de bom grado a decisão da Liguilha, tudo por recearem que a posição tomada pela FAF visava apenas proteger equipas que no Girabola estavam, irremediavelmente, em via de despromoção e que para os manter ao convívio dos grandes, tinham de lhes submeter à disputa de um torneio em que, à partida, entrariam em vantagem desportiva em relação às suas adversárias que na Segundona atingiram a segunda posição.
Vai daí os gritos de protestos de alguns, acusando a FAF de intentar com a verdade desportiva. Já que com o surgimento da Liguilha, a prova tirou aquele interesse para as equipas que tanto no Girabola como na Segundona passaram a encarar a prova de recurso como alternativa em caso de insucesso na fase regular em que competem (competiam).
Assim, acontece nas hostes da Académica do Lobito e do 1º de Maio de Benguela que já se preparam (?) para competir no torneio de repescagem e daí decidirem pela sua manutenção no Girabola, confirmada que está a sua fraca participação durante a competição. Os seus respectivos técnicos principais confirmam isso mesmo. Não obstante, as contrariedades que surgem a nível das direcções daquelas agremiações desportivas.

INSENÇÃO DA PROVA

As direcções dos clubes benguelenses que militam no Girabola’2009, defendem a manutenção das suas equipas e, concomitantemente, abster-se do torneio de Liguilha, anunciada pela Federação Angolana de Futebol em concertação com as Associações Provinciais da modalidade (APF) que aprovaram tal decisão.
Nessa situação, estão as direcções do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela e da Académica Petróleos Clube do Lobito que, por razões de organização e preparação da Taça Africana das Nações Orange-Angola’2010, se viram forçados a efectuar todos os seus jogos da I volta nas cidades de Luanda e do Huambo, respectivamente, facto que resultou na fraca produtividade das mesmas. As duas agremiações estão no fundo da tabela da classificação geral à entrada da última jornada do Girabola, que se disputa amanhã.
Assim sendo, analisada a questão do fundo, os clubes de Benguela, os mais lesados da situação gerada, defendem que lhes sejam isentados da participação do Torneio de Liguilha, como forma de se reparar o dano causado às suas equipas de futebol que tiveram de deixar os seus respectivos habitat e deslocaram-se para as províncias vizinhas, enfrentando dificuldades de tamanha ordem.
Em função disso, a Comissão de Gestão do 1º de Maio de Benguela decidiu liderar a campanha que visa propor à Federação Angolana de Futebol (FAF) um novo molde de disputa da Liguilha de acesso ao Girabola de 2010, evitando com esse passo que as equipas prejudicadas com a reabilitação dos campos para Taça Africana das Nações Orange-Angola’2010, desçam de divisão.

Clubes e associações
apoiam a iniciativa

Apesar de a iniciativa partir do seu clube, Rui Eduardo de Araújo assegurou ao Jornal dos Desportos que a proposta conta com o apoio da Académica Petróleos Clube do Lobito e do Clube Desportivo da Huíla, igualmente prejudicados, ao serem obrigados a realizar suas partidas do Girabola’2009 fora dos seus estádios, diminuindo o rendimento desportivo na mesma proporção com que influenciou negativamente na tesouraria dos três grémios em questão.
“Não haverá uma única pessoa de bem nesse país que defenda a descida destas três formações vivamente prejudicadas para o alcance de um bem maior. Ora vejamos, teremos cinco campos entre novo e reabilitados; e para no próximo ano nem uma equipa a representar Benguela. Isso é um absurdo” afirmou o dirigente do 1º Maio.
Do carismático dirigente desportivo do 1º de Maio de Benguela, o Jornal dos Desportos apurou que, para além dos clubes acima citados, se juntam a essa iniciativa as Associações Provinciais de Futebol de Benguela, Luanda, Huíla e Huambo. As associações apoiam a proposta que visa ilibar as formações da Académica, do 1º de Maio e Desportivo da Huila de participarem da Liguilha.

CONVICÇÃO DE RUI ARAÚJO

O coordenador da Comissão de Gestão do 1º de Maio de Benguela, Rui Araújo, manifesta-se confiante que seguindo a proposta (já elaborada) à FAF, nenhuma equipa vai descer de divisão, independentemente das posições que ocuparem no Girabola.
O dirigente do 1º de Maio de Benguela acrescentou que para além de ascender ao Girabola-2010, as três (3) equipas vencedoras das Séries A, B e C da Segundona, os segundos de cada série devem disputar entre si uma vaga de acesso ao “Gira” do próximo ano, concedendo justiça ao torneio de repescagem,  
“As equipas que descem do Girabola têm mais rodagem competitiva e de forma justa iriam garantir a ascensão, salvo ocorram situações anómalas que as empurre pela decepção, o que não se descarta no mundo futebolístico de hoje, onde de tudo um pouco pode acontecer”, justificou o velho matreiro do futebol benguelense.
Todavia, o “número um” do grémio encarnado sublinha que há muita gente contra o seu clube e que tudo fazem para que a sua despromoção do Girabola seja um facto e desta acabar com a alegria e orgulho dos benguelenses (e não só) que se revêem na cultura e na força do seu futebol.
E deixa um forte aviso: “Se as coisas continuarem assim, vou pedir um encontro com o Presidente da República, como amante do futebol e Número Um do COCAN, para explicar as desvantagens de o Girabola-2010 não contar com a participação do 1º de Maio de Benguela (…)”.

1º de Maio reclama
gestão do `Municipal´

O Estádio Municipal Edelfrides Costa (Miau), actualmente, sob a gestão da Associação Provincial de Futebol de Benguela (APFB), continua sem dono natural. A administração municipal há muito deixou de prestar a sua assistência e ficou abandonada durante muito tempo, não fosse a direcção do Estrela Clube 1º de Maio, que em finais da década de 1980, decidiu recuperá-lo para aí realizar as suas partidas oficiais do Girabola e da Taça de Angola.
Na altura, o recinto apresentava muitas irregularidades no que concerne ao seu estado de conservação física. O piso pelado do rectângulo de jogo teve de sofrer arranjos de vulto, o mesmo aconteceu com os balneários e vestiários que se encontravam, completamente, degradados. As bancadas e outras repartições do Estádio, de igual modo, sofreram melhorias significativas, facto que deu azo para a sua aprovação pela direcção da FAF.
Até aí as coisas andaram à feição e nada indicava que um dia constituiria no motivo da discussão acesa pela reclamação da sua responsabilidade.
Com o silêncio da Administração municipal, a direcção da APFB tomou a dianteira e assumiu toda a responsabilidade pela manutenção física do Estádio Municipal Edelfrides Costa, sem que para tal informasse à direcção do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela.
Volvido mais de duas décadas (desde 1983), a direcção do 1º de Maio de Benguela endereçou uma carta ao Governador Provincial de Benguela Armando da Cruz Neto a solicitar a gestão do estádio como forma de melhorar a sua rentabilização. E daquilo que o Jornal dos Desportos apurou, os indicadores apontam que a partir de Janeiro de 2010, o estádio pode passar sob a responsabilidade da agremiação desportiva sedeada na rua Domingos do Ó.

Sub-aproveitamento
está na base do desejo

O sub-aproveitamento do Estádio Edelfrides Costa constitui a base do interesse do 1º de Maio de Benguela. Rui Araújo aponta a letargia da APFB em atribuir uma gestão digna que devolva ao recinto um ambiente desportivo aceitável. O seu clube está em circunstância vantajosa para melhorá-lo e, se possível, rentabilizá-lo.
“A intenção não é ficar com o ‘Municipal, por pertencer ao município sede da província, mas aproveitar o melhor que pode”, disse Rui Araújo.
O dirigente esclarece que “sob a responsabilidade da APFB, o campo não tem água em tempo inteiro. Em situações de aflição, a direcção do 1º de Maio é quem socorre, empregando camiões cisternas para regar a relva e outras necessidades. Mesmo assim, paga uma taxa para treinar e jogar”, o que considera, “uma injustiça, do ponto de vista ético”.
Em resposta a essa pretensão, o Secretário Geral da APFB, Mário Luvambo, contraria de forma redonda e afirma que “a direcção do 1º de Maio em momento algum deveria reclamar pela responsabilidade do estádio, quando no passado, a Administração municipal já lhe havia cedido um terreno para a construção do seu estádio de futebol”.
“Não fê-lo na altura, não vejo, porque razão reclamar aquilo que não lhe pertence. Acredito que isto não vai acontecer e o Municipal vai continuar sob a responsabilidade jurídica da APFB e nada mais”, assegurou.
Sobre o sub-aproveitamento de que se evoca na sua manutenção, Mário Luvambo jura “ser falsa” e acredita que este foi mais um dos argumentos apresentado pela direcção do 1º de Maio de Benguela, no sentido de chamar para si a razão daquilo que reclama e sem merecer.