Jornal dos Desportos

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Reportagens

A figura principal do Mundial 94

20 de Junho, 2011

Romário é um ex-futebolista brasileiro que actuava como avançado.

Fotografia: AFP

Romário de Souza Faria, nascido no Rio de Janeiro, em 29 de Janeiro de 1966, e também conhecido apenas como Romário, é um ex-futebolista brasileiro que jogou na posição de avançado e que ainda teve uma breve experiência como treinador. Foi um importante jogador, sendo o terceiro maior marcador da Selecção Brasileira com 71 golos marcados, tendo mantido o recorde de segundo maior até Maio de 2006, uma vez que a sua última partida pela selecção brasileira foi em 2005.

É um dos maiores meios campistas brasileiros de todos os tempos. Entre os seus múltiplos títulos, destaca-se o Campeonato do Mundo de 1994, na qual foi a figura principal. Em Maio de 2007, Romário tornou-se o segundo brasileiro a chegar à marca do milésimo golo na carreira como futebolista. Filho de Edevair de Souza Faria e Manuela Ladislau Faria, morou na comunidade do Jacarezinho até aos três anos de idade, quando se mudou para a Vila da Penha. Lá, jogou no clube de futebol do Estrelinha, fundado pelo seu pai, o que era uma maneira de o incentivar à prática do desporto.

Em pouco tempo, já era destaque entre os garotos, e jogava entre os mais velhos. Em 1979, um olheiro levou-o para fazer testes no infantil do Olaria. Destaque entre os jogadores da equipa, foi levado depois para o Vasco, mas foi obrigado a fazer um “estágio” de um ano, pois não tinha condições legais de ingressar no clube, devido à idade.

Início da carreira
Romário iniciou-se na carreira profissional em 1985 a jogar pelo Vasco, promovido ao clube principal por António Lopes. A sua estreia ocorreu em 6 de Fevereiro, na vitória vascaína por 3 a 0 sobre o Coritiba, partida válida para o Campeonato Brasileiro. Começou a chamar a atenção dos adeptos e jornalistas já no Campeonato Carioca de 1985, onde foi o segundo maior goleador. Considerado uma grande revelação, assinou o seu primeiro contrato profissional em 1986, ano em que fez dupla de ataque com o consagrado jogador Roberto Dinamite.

Mesmo ao lado do goleador, foi quem mais golos marcou no Campeonato Carioca do mesmo ano, com um a mais que Dinamite. Em 1987 e 1988, o Baixinho ganhou com o Vasco o bicampeonato carioca, em ambas as vezes contra o arqui-rival Flamengo. Destaque no clube, Romário foi convocado pela primeira vez para defender a Selecção Brasileira em 1987, num amistoso contra a selecção da Irlanda. Mas o seu primeiro golo com a selecção saiu apenas meses depois, numa vitória por 3 a 2 contra a Finlândia.

Na Europa
O ano de 1988 é considerado pelos analistas como um grande ano na carreira de Romário. É nesse ano que ele conquista a medalha de prata nas Olimpíadas de Seul com a Selecção Brasileira. Tal feito ainda é a melhor classificação do Brasil numa Olimpíadas. Depois de conquistar o título do Campeonato Carioca, transfere-se para o clube holandês PSV Eindhoven por USD 5 milhões. Em 1989 já gozava de grande prestígio internacional com a conquista da Copa América, título que a selecção brasileira não conquistava há quarenta anos e onde ele deu a famosa caneta em Maradona e fez o golo do título sobre o Uruguai.

Além disso, ajudou o Brasil a classificar-se para o Mundial de 1990. Nesse Campeonato do Mundo a sua participação foi prejudicada devido a uma fractura sofrida no ano anterior, o que o deixou um longo tempo inactivo. Foi convocado, mas na sua única partida como titular, contra a Escócia, foi substituído no segundo tempo. Estava sem ritmo e prejudicado pelo esquema confuso do técnico Lazaroni. O Brasil é desclassificado do Mundial, ao perder com a Argentina de Maradona, nos oitavos-de-final. Este jogo foi considerado o melhor do Brasil desse Mundial e muitos lamentaram a ausência de Romário.

Ao longo de 1990 e 1991, Romário continua a ser a estrela do PSV, sendo o maior goleador do Campeonato holandês e da Taça da Holanda. Em 1993, transfere-se para o FC Barcelona. Romário tem um início arrasador. Na pré-temporada marca 17 golos em 12 partidas. No decorrer do campeonato, enfrenta muitos problemas. Os adeptos consideraram que o desempenho da equipa era prejudicado quando Romário estava em campo. Além disso, Romário era indisciplinado dentro e fora do relvado, chegando a ficar quatro partidas suspenso por agredir um guarda-redes adversário.

Fora de campo, era criticado pelo hábito de se divertir na noite catalã, o que irritava o técnico Johann Cruyff. Essa situação só melhorou em 1994, quando Romário foi o melhor marcador do campeonato e o Barcelona campeão. Em 1993, já tido como o melhor jogador em actividade no mundo, é chamado para salvar a Selecção Brasileira nas eliminatórias do Campeonato do Mundo de 1994. O seu desempenho é decisivo, marcando dois golos contra o Uruguai, no Maracanã, e classificando a selecção.

O ano de 1994 seria um dos melhores da carreira de Romário. Na Copa do Mundo de 1994, a sua presença na famosa dupla de ataque com Bebeto é decisiva, garantindo o título ao Brasil. Como se não bastasse a média de 30 golos por temporada em 1993/1994, no final do ano Romário ganha o título da FIFA de melhor jogador do mundo de 1994. Com o Vasco, Romário consegue voltar a jogar no Brasil e no dia 20 de Maio de 2007, faz o seu milésimo golo, no estádio São Januário, contra o Sport Club do Recife, de penalti, tal como tinha feito Pelé.

No jogo do Vasco contra o América-RN, a 19 de Agosto de 2007, é inaugurada uma estátua de bronze em sua homenagem, em São Januário, atrás da mesma baliza do milésimo golo. Com isso, Romário entrou numa selecta lista de desportistas homenageados desta maneira, juntamente com atletas como Pelé, Michael Jordan, Maradona e Eusébio. Em Fevereiro de 2008, Romário anunciou que ia aposentar-se no dia 30 de Março. A 14 de Abril, num evento realizado no Rio de Janeiro, organizado para o anúncio do lançamento de um DVD sobre a sua carreira, Romário anunciou oficialmente a sua saída do futebol.