Jornal dos Desportos

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Reportagens

A "Luta do sculo" reacende a paixo pela modalidade

02 de Maio, 2015

Alm da conquistar do ttulo os dois dividem uma bolsa de 300 milhes sessenta por cento para o amo americano

Fotografia: AFP

Otão esperado duelo entre Manny Pacquiao e Floyd Mayweather, marcado para amanhã, às três da manhã, em Las Vegas, já está a ser chamado a “luta do século”, que movimenta um bilhão de dólares e é esperado como a chama que pode reacender a paixão pelo
boxe, que sofre cada vez mais com a concorrência do MMA.

“O boxe está a renascer. Estou muito feliz pelo nosso desporto, porque esta luta vai ser fantástica e corresponder à expectativa fenomenal que vem gerando”, entusiasma-se o lendário George Foreman. “Big George” sabe do que está a falar quando se refere
à “luta do século”, já que participou daquele que muitos consideram o maior combate de todos os tempos, o famoso “Rumble in the Jungle”, quando perdeu por K.O. por Mohamed Ali, em 1974, em Kinshasa.

Amanhã, o palco vai ser a capital mundial do jogo e no lugar do embate entre o irreverente e engajado Ali e o carrancudo e conservado Foreman, o duelo passa a ser entre um semi-deus filipino e o atleta mais bem pago do planeta.

Manny “Pacman” Pacquiao, de 36 anos, e Floyd “Pretty Boy” Mayweather, de 38, são sem dúvida os melhores lutadores das suas gerações e movimentam cifras astronómicas. No total, a super luta vai movimentar cerca de um bilhão de dólares. Além de conquistar
o título unificado dos pesos meio médios, os dois vão dividir uma bolsa de 300 milhões, dos quais 60 por cento devem ir para o americano e 40 por cento para o filipino. Apenas 1.000 ingressos foram colocados à venda para o público, esgotaram-se em
dois minutos, com preços dos mais salgados, entre 1.500 e 7.500 dólares. Os outros 15.500 lugares podem divididos entre convidados de ambos os pugilistas e patrocinadores.

Ontem, um internauta chegou a colocar a sua entrada à venda por nada menos de 140.000 dólares. A maioria das receitas, porém, vai ser gerada pela venda dos direitos de transmissão, arrebatados nos Estados Unidos por HBO e Showtime, que pretendem vender pacotes de pay-perview para três milhões de lares americanos. Foreman não esconde a preferência por Pacquiao, lutador que como ele, teve que superar várias adversidade e conseguiu dar a volta por cima, depois de duras derrotas, apesar de reconhecer o favoritismo
de Mayweather, invicto em 47 combates.

“Ali-Foreman já passou, tivemos a nossa hora de glória. Não podemos mais mudar a história do boxe, mas Mayweather
pode. Se para isso, ele precisar de falar muito e ostentar, faz parte”, disse o ex-campeão mundial dos pesos pesados, que venceu 76
das 81 lutas que disputou. Foreman lamenta, inclusive, o facto desta super luta ser entre pesos mais leves, na ausência de grandes talentos nos pesados, categoria de maior apelo. “Não existem pesados talentosos nos Estados Unidos, é como se tivessem desaparecido ou tivessem sido absorvidos pelos outros desportos”.

A super luta voltou a despertar uma paixão nunca vista desde a década de 90, era dominada pelo último grande peso pesado, Mike Tyson. “Desde a decadência de 'Iron Mike', a morte do boxe vem sendo anunciada, mas o desporto continua a bater recordes de arrecadação, apesar de ser uma modalidade anacrónica”, observou Daniel Roberts, jornalista americano especializado em lutas. Tanto nos EUA quanto no Brasil, o boxe vem sendo ofuscado pelo MMA, que atrai um número cada vez maior de fãs e praticantes entre os mais jovens. “O boxe precisa de voltar a atrair as novas gerações, tanto em termos de atletas quanto em termos de público.

Para isso, tem de acabar com os cartéis de promotores que impediram os melhores combates de acontecer, inclusive esse, que foi adiado por muitos anos”, disse Roberts.

Os fãs de boxe aguardam a super luta há mais de seis anos. No dia 5 de Dezembro de 2009, o canal ESPN chegou a anunciar o duelo entre Pacquiao e Mayweather para o dia 13 de Março de 2010, mas o filipino negou ter assinado qualquer contrato.

O acordo acabou por ser firmado no dia 27 de Janeiro, numa reunião “informal” marcada em meio a uma partida de NBA, em Miami.
Apesar de sempre fazer jus ao apelido 'money' ao apresentar gastos milionários nas redes sociais, Mayweather fez questão de salientar várias vezes que o evento “não é uma questão de dinheiro, mas de legado”.

HISTÓRIA
Outros combates que levaram os fãs à loucura

Em 1938, Joe Louis conquistou o título mundial dos pesados, ao bater o alemão Max Schmeling com um violento K.O. no primeiro
assalto. Na época, Schmeling era usado pelo nazismo. No fim da vida, os dois tornaram-se amigos e Schmeling até mandou dinheiro
para pagar o funeral de Louis.

Em 1971, Muhammad Ali tentou reconquistar o cinturão dos pesados, mas perdeu para Joe Frazier, no Madison Square Garden, em Nova York, por pontos, após 15 electrizantes rounds. A luta foi vista por todo o mundo e levou o lendário Frank Sinatra a “trabalhar” de fotógrafo para a revista Sports Illustrated.

Quatro anos mais tarde, Ali, já campeão, concedeu uma oportunidade a Frazier, em Manila, nas Filipinas, na que é apontada como a maior luta de todas os tempos. Ali venceu por abandono de Frazier no 14º assalto. A violência do duelo fez com que nenhum dos dois lutadores fossem o mesmo depois do confronto.

Em 1980, Roberto Duran e Sugar Ray Leonard enfrentaram-se duas vezes. Na primeira, Sugar venceu por pontos, após 15 assaltos. Cinco meses depois, Duran abandonou a disputa no oitavo assalto, frustrou a expectativa dos espectadores.

Em 1987, Marvin Hagler era o “rei” dos médios. Teve pela frente Sugar Ray Leonard, campeão olímpico em Montreal/ 1976, e dono de uma técnica refinada. Ao final dos 12 rounds, Sugar saiu vencedor e dignificou a “nobre arte”.

Em 1988, Mike Tyson, invicto campeão dos pesos pesados, destruiu Michael Spinks no primeiro assalto. A exemplo de Mayweather e Pacquiao, a negociação foi muito complicada e durou 18 meses.Em 1996, Mike Tyson e Evander Holyfield finalmente enfrentaram-se. Os dois deviam ter lutado em 1992, mas Tyson foi preso por causa de estupro em Desireé Washington. Holyfield, em uma forma física espectacular, bateu Tyson no 11º round.

Em 1999, Oscar De La Hoya e Felix Trinidad fizeram o ‘maior combate do milénio’. Os dois estavam invictos e eram os grandes nomes do momento. O porto-riquenho Trinidad venceu por pontos.

Em 2005, mais uma vez De La Hoya, mas desta vez diante de Floyd Mayweather. O duelo bateu todos os recordes no pay-perview.
Os pugilistas abusaram da técnica e Mayweather venceu por decisão muito apertada.

DESEJO
Floyd Mayweather apela ao treino
de Rocky antes da grande peleja


Nada de aparelhos tecnológicos, drones ou chips. Floyd Mayweather tem apelado à uma técnica um tanto ou quanto tradicional (e até certo ponto primitiva) para subir ao ringue e enfrentar Manny Pacquiao no combate baptizado como a Luta do Século, em Las Vegas.
Por meio da conta no Instagram, o americano compartilhou um vídeo no qual aparece a realizar um treino que se tornou mundialmente conhecido graças à série de filmes Rocky.

Mayweather simplesmente foi cortar troncos de árvores nos dias que antecedem o evento. A quantidade? 317,5 kg. “Eu
realmente quero ganhar e mentalmente, tenho de voltar para onde tudo começou. Pacquiao não é um adversário qualquer”,
explicou à ESPN o americano, que adoptava esta técnica no início da carreira, quando ainda era comandado pelo pai. “Comecei
com a marreta aos dez anos. Quando tinha 13 ou 14 anos, passei a cortar troncos com o machado”, contou.

Essa técnica tornou-se lendária no quarto filme da série Rocky, estrelada por Sylvester Stallone em 1985. Antes da luta diante do russo Ivan Drago, Rocky Balboa resolveu enfiarse na floresta do leste europeu para realizar actividades um tanto ou quanto primitivas, como
correr no gelo, levantar pedras, puxar carroças, e... cortar árvores. Enquanto isto, o rival era submetido a treinos mais sofisticados. Se a técnica de Rocky pode fazer bem a Mayweather na Luta do Século, o planeta só vai saber amanhã, em Las Vegas. Ainda invicto
depois de 47 combates na carreira, o americano pode ter o desafio de unificar os cinturões dos pesos-meio-médios do boxe mundial diante do filipino Manny Pacquiao. O confronto é esperado há pelo menos cinco anos.


EUA
Actor canta hino antes da luta


Mais um capricho da "luta do século" entre Floyd Mayweather Jr. e Manny Pacquiao foi definido. O actor e cantor Jamie Foxx vai entoar o hino dos Estados Unidos, o “Sar-Spangled Banner”, antes do combate, em Las Vegas, a atender um pedido dos organizadores do evento. Eric Marlon Bishop, mais conhecido pelo nome artístico de Jamie Foxx, venceu o Oscar de melhor actor em 2004, por sua actuação no musical “Ray” e está a trabalhar em um filme sobre o ex-pugilista peso pesado Mike Tyson.

Jamie Foxx ainda foi um dos protagonistas do documentário “Ali”, sobre o legendário pugilista Muhammad Ali, que foi interpretado por Will Smith. Por sua vez, Foxx fez o papel de Drew Bundini Brow, braço direito do ex-campeão mundial.

Esta não vai ser a primeira vez que o actor empresta a sua voz antes de uma luta. Em 2011, ele entoou “America the Beautiful”, uma canção patriótica dos Estados Unidos, antes de Manny Pacquiao e Shane Mosley entrarem no ringue. Na ocasião, o cantor deu sorte para o desafiante de Floyd Mayweather Jr., que venceu por pontos. O combate entre o filipino e o norte-americano vale a unificação dos cinturões do Conselho Mundial de Boxe, Organização Mundial de Boxe e Associação Mundial de Boxe, pelo peso meio-médio.

Mayweather venceu as 47 lutas da sua carreira, enquanto Pacquiao saiu vencedor de 57 de seus 64 embates, perdeu cinco vezes e empatou outras duas.

RECLAMAÇÃO
Luvas de Floyd
geram polémica


As luvas que Floyd Mayweather vai usar na esperada luta contra Manny Pacquiao geraram polémica e não é pelo modelo espalhafatoso que o norte-americano vai calçar. O técnico do filipino Freddie Roach questionou a empresa que confeccionou à mão as luvas que Mayweather vai empunhar no combate.

“Grant está a confeccionar as luvas dele (Mayweather) à mão. Gostaria de saber o que estão a usar, qual o material delas e o que estão a colocar lá", indagou Roach, treinador que está no Hall da Fama do Boxe, em entrevista ao Mlive.
com.

Além de questionar a Grant, marca que vai fazer as luvas de Mayweather, o treinador de Pacquiao também aproveitou para ironizar o norte-americano. “Estou preocupado com o peso das luvas e como o preenchimento. Digo isso porque sei que Floyd tem mãos sensíveis. Por isso estou preocupado”, comentou.

“As nossas luvas são feitas por uma máquina no México. São as mesmas o tempo todo, bem normais”, declarou Roach. O treinador de 55 anos mostrou-se preocupado com o facto de as luvas de Mayweather serem diferentes para cada luta que faz.