Jornal dos Desportos

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Reportagens

"A nossa inteno estar entre os trs primeiros lugares"

Joaquim Suami, em Cabinda - 22 de Março, 2010

Jos Carlos Guimares, tcnico de basquetebol do Promade de Cabinda

Fotografia: Antnio Soares

Como avalia a participação do Promade de Cabinda no Campeonato Nacional de Basquetebol em Seniores Masculinos?
Até ao momento tem sido excelente. Estamos em quarto lugar (até ao dia da entrevista), mas mesmo nesta posição, tivemos uma falta de comparência, o que equivale a duas derrotas. Quando foi dada a falta de comparência, estávamos a ganhar ao intervalo a equipa do ASA. Não vou dizer se a mesma foi bem ou mal dada, mas comprometeu tudo aquilo que diz respeito ao regulamento.
A equipa melhorou muito a condição física, os processos táctico estão mais evoluídos, tecnicamente também o estamos e a comunicação social é unânime em reconhecer que o Promade se transfigurou. O nosso objectivo é estar entre os três primeiros lugares.

Quais são as dificuldades do Promade nos dias que correm?
Todos sabem o que estamos a viver. É notório, e ainda bem que os órgãos de soberania da província garantiram que vão continuar a apoiar a equipa. Oficiosamente foi-me garantido apoio e aguardo, com alguma ansiedade, sobretudo, para os atletas que essa situação seja ultrapassada. Acredito que tudo será resolvida nos próximos dias.

Os jogadores estão motivados com a intenção do governo de Cabinda em apoiar a equipa?
Quem deveria responder esta pergunta são os jogadores. Eles dizem-me: "treinador estamos a cumprir religiosamente com os treinos". É claro que esta notícia nos dá alguma força. Vamos esperar o que acontece depois de recebermos. Obviamente que não vamos receber tudo o que temos em atraso, mas vai ser algo capaz de minimizar a todos os jogadores. Os índices anímicos e psíquicos vão melhorar. Acreditamos que a equipa vai ter respostas muito mais positivas na quadra de jogos.

Que mensagem transmite aos jogadores nesta fase difícil?
Não dar oportunidade a ninguém de dizer que o Promade não cumpre com o seu papel, porquanto estamos a trabalhar e, neste aspecto, os jogadores têm sido magnânimos.

É caso para dizer que os apoios financeiros tornam-se cada vez mais urgentes...
Claro! O Promade debate-se com muitos problemas e essas dificuldades são de conhecimento de todas as partes que superintendem o destino da nossa província. Enquanto responsável, fui alertando, por escrito, e tenho todos esses documentos. Sempre respeitei todas as pessoas e disse que o governo vai cumprir. Pode atrasar mas vai cumprir! Ainda assim temos uma certa urgência, em função do Campeonato Nacional estar em curso.

"É preciso esperar um pouco"

Já reuniu com o governo da província para manifestar a vossa preocupação?
Tive um encontro, no dia 5 de Dezembro do ano passado. Enderecei um documento ao governador Mawete João Baptista de forma a fazer a apresentação do projecto Promade. Passado alguns dias, fui recebido pelo governador, que até é uma pessoa que conheço desde os anos 80, em Portugal, quando foi embaixador de Angola naquele país. Em audiência disse-se ser política do Estado continuar a apoiar todas as modalidades desportivas. Obviamente que o futebol e o basquetebol, por tudo o que têm feito, vão continuar a ser apoiados. É preciso esperar um pouco. Estamos a aguardar.

Sente-se satisfeito com a resposta do governador da província?
Estou sempre satisfeito quando é para satisfazer as necessidades quer do basquetebol, do futebol, do andebol e de todas as modalidades que engrandecem o bom-nome da província.

Em conferência de imprensa, o secretário provincial da Juventude e Desportos, Inocêncio Tomas Júnior, disse que o governo vai apoiar a equipa de basquetebol desde que mude a actual designação e transfira os atletas para um clube. Como vê esta questão?
Como treinador, ensinar basquetebol dentro de um projecto, dentro de um clube, dentro de uma multinacional, naquilo que é arte de transmitir conhecimento de bola ao cesto, faço numa agremiação ou num sítio qualquer. Portanto, não terei qualquer problema em relação a este aspecto.

Caso não hajam os apoios de que precisam como será o futuro do Promade?
Esta pergunta não se põe, porquanto a comunicação social ouviu o governador da província e o secretário provincial da Juventude e Desportos a dizerem que vão continuar, algo que vai ao encontro daquilo que sempre disse ao longo desses anos.

Qual seria a sua reacção caso o nome fosse mudado?
Neste momento apenas quero pensar no presente. Do futuro nada quero falar. Apenas ouço dizer e ainda bem que o Promade ou o basquetebol em Cabinda com o Zé Carlos Guimarães ou não vai continuar. Isto é bom, pois é sinal que ao longo desses anos transmitimos a mensagem que o basquetebol faz bem a saúde e tem tido bons resultados. Por isso não estou preocupado com o futuro, mas sim com o presente.  Tenho formação não é só no desporto, mas também em economia e, se continuar em Cabinda, porque o meu contrato termina em Julho, vou agradecer a todas as pessoas que comigo trabalharam, sobretudo os jogadores, a todos os governadores, incluindo o actual, Mawete João Baptista, pelo apoio que sempre tive. Se por qualquer motivo entenderem que o nome do Zé Carlos Guimarães não deva continuar e eu também achar que sim, a vida não pára. Vou continuar a desejar o triplo da felicidade que todo o mundo me deseja.

"Muitas crianças estão
a aprender a modalidade"

Como decorre neste momento o projecto Promade?
Com muitas dificuldades, mas a trabalhar diariamente. Você viu neste campo crianças, de 7 e 10 anos, a trabalharem e se forem para os bairros e para às escolas, estarei muito satisfeito.

Neste momento, quantas crianças estão inseridas no projecto?
É um pouco difícil quantificar. Por exemplo, na Escola Barão Puna, com três aulas de educação física e turmas de 40 alunos, são 120 no total. No dia seguinte serão outras turmas diferentes e mais 120 alunos. No pavilhão do Sporting de Cabinda, durante o dia aprendem 80 crianças. Na Banca eram por ai 60 alunos. Temos quatro equipas de basquetebol para deficientes com 50 alunos e alguns na escola do Cabassango. Há um autocarro que recolhe as crianças no bairro do aeroporto e outras na praça do São Pedro para treinar no campo do Cabassango e, com muitas dificuldades, também estamos no município do Cacongo para ensinar o “ABC” da modalidade àquelas crianças. São muitas crianças que querem continuar a aprender o basquetebol por ser um factor de integração, de amizade e de fortalecimento das defensas contra as doenças.

Custo do projecto avaliado
em 6 milhões de dólares

É verdade que durante 11 anos de Promade se gastou 14 milhões de dólares americanos?
Não é verdade. Não vou chamar a ninguém de mentiroso, pois por de trás do Zé Carlos Guimarães, de um governador, de um ministro e de um director provincial dos desportos, está um chefe de família. É preciso termos muito cuidado com aquilo que dizemos. Eu falo com documentos! O senhor jornalista viu todos os documentos dos meus contratos ao longo desses anos. No primeiro ano recebi 22 mil dólares, depois 28 mil, no terceiro 30 mil, no quarto 36 mil, em seguida 40 mil e no sexto 45 mil. Se fizermos as contas verão que não são 14 milhões como se diz. Quando fizemos a apresentamos do Projecto Promade, no Conselho da Província, onde recebi uma medalha de mérito pelos serviços aprestados entre 1999 e 2005, o projecto tinha gasto um milhão e 300 mil dólares. Portanto, é só fazer contas. Mesmo que o projecto tivesse uma media de 200 mil dólares por ano, em 11 seriam dois milhões e 200 mil. Com a inclusão das verbas da equipa, andamos a volta de seis milhões de dólares.

Tem algo a acrescentar em relação os valores gastos pelo projecto?
Há um documento extremamente grave, em que um nosso dirigente agitava os responsáveis que trabalhavam com ele para falarem mal do projecto, contrariar, difamar o bom-nome do governo e do Zé Carlos Guimarães. Penso que este projecto tem sido acompanhado pelo Ministério da Juventude e Desportos e nós temos reportado ao órgão de tutela todas as nossas actividades. Sabemos que é um projecto social. Peço imensas desculpas às pessoas, mas se estou aqui a dizer isso é porque senti manchado o meu bom-nome. Não estou preocupado se saio em Julho, mas com o futuro de basquetebol, das crianças, do valor dos atletas que temos nas selecções nacionais.    

Governo garante
continuidade no campeonato nacional

O director provincial da Juventude e Desportos, Inocêncio Tomas Júnior, anunciou, em conferência de imprensa, que o Governo da Província de Cabinda está a estudar a melhor maneira de solucionar a crise financeira que afecta o Promade para a equipa continuar a competir no Campeonato Nacional de Basquetebol em Seniores Masculino, o BAI-BASKET.

Segundo Inocêncio Júnior, que falava em conferência de imprensa sobre a possível desistência do Promade de Cabinda do "nacional" de basquetebol, aguarda-se pela cabimentação de verbas e o governo local está a estudar a melhor forma de solucionar o problema.
"Temos de ter calma e paciência, pois estamos à espera da cabimentação de verbas. A nível do governo, estamos a estudar a melhor maneira de solucionar o problema.

A verdade é que o basquetebol não vai morrer em Cabinda. Aliás, antes da existência deste projecto, existia a prática da modalidade. Ainda assim, o programa de massificação desportiva foi uma mais-valia, na medida em que permitiu elevar a prática da modalidade no seio da juventude da província", explicou. Revelou, no entanto, que para o Governo da Província de Cabinda apoiar a equipa de basquetebol, a designação Promade deverá ser alterada, na medida em que tem a ver com um projecto de massificação e não uma equipa ou clube.

"Para existirem apoios, em principio lugar a designação deve alterar-se, porque Promade é um projecto de massificação desportiva e não uma equipa ou clube. O Promade já foi Sporting Clube Petróleos e Banca de Cabinda. Creio que os dirigentes e amantes da modalidade estão recordados", disse, realçando que o mais correcto seria manter-se como Banca, Sporting ou FC de Cabinda.
"Acho que houve alguém que assim o quis. Pensamos que quem pensou assim, agiu mal, pois é mais fácil os apoios aparecerem por intermédio de um clube", rematou.

De acordo com o Inocêncio Tomas Júnior, os atletas do Promade de Cabinda deverão ser transferidos para um clube ou separa-los para várias equipas da província. "Vamos ver, a nível do órgão reitor da modalidade, se mantemos o nome por uma questão de inscrição, mas, do nosso lado, ou seja do governo, a equipa de basquetebol deve deixar de ser designada por Promade e os jogadores passarem para outros clubes", esclarece.