Jornal dos Desportos

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Reportagens

A relva sinttica da Catumbela

Jlio Gaiano, no Lobito - 08 de Novembro, 2010

Campo de Catumbela tem a melhor relva sinttica do pas

Fotografia: Jos Silva

Erguido num período de dois meses pela Global Stadium, do Grupo ACA, o campo está orçado em meio milhão de euros, que se circunscreve na construção dos seus requintes como bancadas para 300 pessoas, balneários para as equipas e árbitros, sistema de rega automático e água corrente, implantado na antiga zona agrícola da Gama, nas mediações do quilómetro 27 (Damba Maria), adstrito à comuna da Catumbela. Para o orgulho da sociedade desportiva da província, em geral, e da Catumbela, em particular, está à disposição dos citadinos um lindo empreendimento. Não obstante pecar pela sua dimensão, pois está projectado para o futebol 7, o campo chega em boa hora e vai servir para fomentar e massificar o futebol nas camadas jovens.“Não há bela sem senão”, diz o velho ditado.

Os balneários para o público foram esquecidos intencionalmente, porque o campo foi projectado para o lazer dos funcionários da ANGOLACA e do Nacional de Benguela, clube parceiro na utilização do mesmo para treinos das suas equipas jovens. A colocação de uma pista sintética para o fomento e a massificação do atletismo na província constitui a grande novidade no campo inaugurado a 23 de Outubro pelo vice-ministro angolano para o Desporto, Albino da Conceição José, testemunhado por diversas entidades da sociedade benguelense. O vice-governador de Benguela, Agostinho Estêvão Felizardo, representou no acto, o governador provincial, Armando da Cruz Neto.

Cedencia ao Nacional
engendra ciúmes

A cedência do campo ao Nacional Sport Clube de Benguela pela empresa ANGOLACA está a gerar algum ciúme no seio dos populares daquela localidade, pelo que solicitam aos responsáveis do imóvel mais esclarecimentos quanto à utilização do mesmo por parte dos garotos residentes nas cercanias do campo.Uma fonte contactada no local revelou que a “frustração” gerada no seio dos petizes dá-se no facto de muitos, na altura da construção do referido campo, já cantavam de alegria, julgando que com o surgimento de um espaço no seu bairro, estavam criadas as condições para se promover o futebol, junto das camadas jovens.

“Infelizmente, esse não é o objecto preconizado pela empresa ANGOLACA. A direcção autorizou ao Nacional SC de Benguela a utilização para as suas camadas de formação, atirando por terra o sonho das crianças”, disse.A situação vigente, “custa engolir”, porque “se trata de crianças de uma localidade carente de infra-estruturas desportiva digna para se desbobinar um bom futebol”, comentou.O Jornal dos Desportos apurou de fontes ligadas à empreiteira que o tipo de relva (top de gama) aplicado no campo é o primeiro no país e o segundo no continente africano. Cabo-verde foi o primeiro país a beneficiar do referido empreendimento. A relva artificial foi aplicada no Estádio do Bessa, em Portugal e é utilizado em vários campos da Europa.

O que diz
a história

Reza a história desportiva nacional que a comuna da Catumbela foi no passado uma das potências do desporto-rei, rivalizando com as principais regiões da província e do país. Despontavam na época que antecedeu à independência nacional (em 11 de Novembro de 1975) clubes como os Mabecos da Vila, Merengues do Caputo e União do Namano. Essa última, agora, com a designação oficial de União Desportiva da Catumbela já foi campeão distrital de futebol sénior masculino. Devido aos problemas socio-económicos que assolou o país, fruto da guerra fratricida que se prolongou até 2002 e que afectou a maioria dos clubes na província, o desporto atingiu o momento crítico da sua história, reduzindo os clubes à condição de indigência. Em função da crise, os clubes na comuna da Catumbela fecharam as portas e atiraram os feitos de glórias alcançadas em fases anteriores para um passado tristonho. Ninguém está interessado a repeti-los.

Desde então, Catumbela, localizado a 10 quilómetros a Sul do Lobito, deixou de ser a mesma. A população não assiste aos jogos de futebol da alta competição há muito tempo. O único clube sobrevivente, União Desportiva da Catumbela, atravessa momentos difíceis.
Para agudizar a situação reinante, o presidente do clube, Francisco Garcia Neto, ameaçou abandonar o cargo, num dos seus mais recentes pronunciamentos à imprensa local, caso os apoios prometidos pela sociedade empresarial e demais interessadas tardem a chegar.Com o surgimento de mais uma infra-estrutura erguida no bairro da Damba Maria, depois de reabilitado o “velho” Estádio Comandante Fragoso de Matos, afecto à União da Catumbela, muitos aficionados prognosticaram o ressurgimento em grande e em força do futebol em terras catumbelenses. A ocupação dos tempos livres das crianças e o aperfeiçoamento dos dotes futebolísticos vão ter de aguardar por outras épocas e outros projectos. Quem sabe o “Despontar”!

Políticos acalentam empresa

O vice-ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição José, parabenizou o esforço desenvolvido pela empreiteira ANGOLACA ao construir um campo com relva sintética para a disposição dos seus funcionários e da juventude, em geral, fundamentalmente, residentes nos arredores. Albino da Conceição disse que é “um bem que veio para durar” e a construção de mais um campo de futebol, cuja relva (apesar de artificial) obedece os padrões internacionais, “coloca a província de Benguela nas melhores condições para se desenvolver a modalidade, começando de base e atingir com solidez o topo”. “Esta relva é de boa qualidade e não está sujeito a prazo de durabilidade; pode ser utilizada 24 horas ao dia. Por isso, faço votos que, para além de servir os funcionários da ANGOLACA, sirva também a juventude que reside nas periferias (...)”, sugeriu o vice-ministro para os Desportos, para de seguida manifestar a satisfação pelo facto de a direcção da empreiteira ceder o espaço a garotada do Nacional SC de Benguela.

Ganho para  
a província

O vice-governador de Benguela, Agostinho Estêvão Felizardo, considerou oportuna e um ganho merecido para a província, em geral, e para a comuna da Catumbela, em particular, a construção de um campo, pois servirá de incentivo para a juventude praticar o desporto, mormente, o futebol e o atletismo."A construção do campo traduz-se num ganho para a província, pois vai possibilitar à juventude dos arredores tirar o máximo proveito, praticando o desporto. Por isso, espero que tenha um tratamento adequado na sua utilização", disse.

O governante tem a crença na descoberta de “bons jogadores” que podem representar com brio a província e o país dentro e fora das fronteiras nacionais. Para a concretização do desiderato, Agostinho Estêvão Felizardo apela à formação académica. “É preciso conciliar o estudo e a bola, porque as duas coisas, quando são bem feitas, proporcionam jogadores completos”, precisou.O ‘vice’ Agostinho Felizardo reiterou a posição do executivo provincial em continuar a apostar no apoio institucional, material e moral em toda a vertente, quer no desporto federado, não federado e escolar. Sobre a infra-estrutura ora inaugurado, o governante adiantou que se enquadra no esforço do executivo local em alargar a rede infraestrutural para aumentar o número de praticantes do desporto nas distintas modalidades e ver melhorada as condições de trabalhos dos executantes.

O antigo internacional do futebol nacional, Fabrice Alcibíades Maieco “Akwá”, foi um dos que integrantes do jogo de futebol que opôs as velhas guardas do Nacional de Benguela ao Grupo Desportivo da Angolaca.Os “velhos” do Nacional de Benguela venceram a contenda por 5-1, com três golos do antigo goleador-mor e capitão dos Palancas Negras, numa partida em que despontaram jogadores como Pedro Garcia, Nelson Joaquim, Jony, Guiofa e José Granada. Fabrice Maieco “Akwá” parabenizou o gesto da empreiteira e convida outras empresas nacionais e estrangeiras com capital financeiro aceitável e trabalham no país, em prol da reconstrução nacional, a seguirem o exemplo da Angolaca. "São acções que proporcionam à juventude espaços condignos para desenvolver o desporto, no qual o futebol consta das prioridades”, disse Akwá, agora a exercer as funções de deputado à Assembleia Nacional pelo partido MPLA.

Cinco províncias vão contar
com campos da Angolaca


A Global Stadium do grupo empresarial ACA tem em vista a construção de mais campo do género nas outras cinco províncias do país, precisamente, onde estão baseadas as actividades laborais, assegurou o administrador da empresa Angolaca, Rui Dantas.
O objectivo da construção de campos dessa natureza (relva sintética) visa contribuir para a melhoria do desporto-rei no país, de acordo com o responsável administrativo. “À semelhança do que realizámos em Benguela, faremos nas províncias do Huambo, Luanda, Kwanza-Norte, Malanje e Uíje”, descreveu. O responsável assegura que construídos os campos, estariam a contribuir “positivamente para a melhoria do futebol angolano (...)". Rui Dantas revelou que a relva colocada no campo da vila da Catumbela é de extrema qualidade e caso seja bem cuidada na sua utilização pode durar muito tempo, servindo o futebol e o atletismo, na província, que já foi considerada a segunda maior força desportiva do país, superada apenas por Luanda.

Benguela com
melhores infra-estruturas

A província de Benguela ganhou um estádio de futebol novo e outros quatro estádios reabilitados por ocasião da realização do Campeonato Africano das Nações Orange Angola de 10 a 31 de Janeiro último. Ademais, a outros dois foram aplicadas as relvas naturais, todos suportados com o dinheiro saído do erário público. Com o surgimento do campo da Damba Maria, a província de Benguela passa a ser um dos melhores (senão o melhor) do país, com as melhores condições para a prática do futebol; uma modalidade que, a par do andebol feminino, se identifica com a cultura desportiva da região.