Jornal dos Desportos

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Reportagens

A torre negra de Erikson Roberto

Álvaro Alexandre - 12 de Março, 2011

Erikson Roberto é Mestre Internacional de Xadrez

Fotografia: Álvaro Alexandre

Angola derruba estratégia do líbio Mosad Ghattour. O país de Agostinho Neto apresentou a melhor estratégia competitiva, para a Selecção Nacional de juniores masculino, que culminou com a conquista do troféu principal do Campeonato Africano da categoria, disputado de 27 de Fevereiro a 6 do corrente mês, na cidade East London, África do Sul. A prova foi disputada em dois campos de batalha distintos, com o jogo dos bastidores a superar o exercício normal, desenvolvido nos tabuleiros pelos principais heróis da competição.

Os estrategas desviaram os princípios competitivos que primavam pela conquista das partidas no tabuleiro. No desenrolar da prova com fortes tendências a evoluir do lado dos angolanos. O xadrezista líbio Mosad Ghattour, grande carrasco de todos os participantes do africano, com movimento de peças afinados para as vitórias, sentiu-se inseguro com o desempenho do angolano Erikson Roberto, que não desarmava a disputa da liderança.

O experiente jogador líbio que cumpriu o seu último mandato em Campeonatos Africanos de juniores masculino, por imperativo da idade, optou pelas outras tendências. A ânsia de procurar a todo custo o título de Mestre Internacional forçou o atleta aplicar o plano B. O passo dado visou a criação de aliança para derrubar o castelo comandado pelo “arquitecto” Francisco Andrade, seleccionador nacional, que foi o principal obreiro da manifestação popular vivida na passada terça-feira, com a exibição do troféu de campeão africano de juniores, no acto realizado no Aeroporto Internacional “4 de Fevereiro”.

O xadrezista Mosad Ghattour fez aliança com os sul-africanos que não nutria simpatia aos atletas da Selecção Nacional de juniores masculina. O plano não foi funcional por razões objectivas. A equipa técnica angolana contra-atacou no outro flanco, juntou-se aos tswaneses e zambianos. A vida desregrada do Mosad Ghattour e o empate consentido diante do argelino Mahfoud Oussedik, segundo classificado com 6,5 pontos, anunciou o fracasso do” príncipe” líbio. Reforçado por outro aspecto relevante, o atleta fazia longas noitadas em companhias não recomendáveis na alta competição. Estes aspectos foram explorados para tornar Erikson Roberto, campeão africano de juniores masculino, com 7 pontos.

Federação recolhe receita

A direcção da Federação Angolana de Xadrez (FAX) obteve retornos positivos, nos investimentos financeiros, realizados no primeiro trimestre de 2011, ao coleccionar os títulos de campeões africanos Individual e de Partidas Rápidas, nas categorias de juniores masculinos. Os troféus foram conquistados no último fim-de-semana, no Gonubie Hotel do Buffalo City Municipality, na cidade de East London, África do Sul, numa renhida competição que contou com aproximadamente três dezenas de participantes.

O primeiro triunfo africano foi alcançado pelo xadrezista Rui Campos, do conjunto nacional. A proeza obtida no Campeonato Africano de Blitz (Partidas Rápidas), ao concluir a prova à frente com 6,5 pontos em 7 jornadas. Cerca de 28 xadrezistas participaram no campeonato e o técnico da selecção argelina Yahiaoui Krimou foi o segundo classificado com 5,5 pontos. A grande explosão de alegria dada aos angolanos é um tributo oferecido pelo xadrezista Erikson Roberto que venceu a principal competição organizada na cidade de East London, África do Sul. Na primeira posição ficou o angolano Erikson Roberto, com 7 pontos.

O segundo lugar ficou para Mahfoud Oussedik  (Argélia), com 6,5 pontos; em terceiro, Mosad Ghattour (Líbia), com 6,5 pontos; em quarto, quedou-se o Benjamin Hercules (África do Sul), com 6 pontos; e em quinto, Thabo Gumpo (Botswana), com 5 pontos. Rui Campos, Vanderson Dias e Sílvio Famoroso (todos de Angola) quedaram-se em nono (4,5 pontos), 12º (4 pontos) e 13º, o último lugar, com 1,5 ponto.
Álvaro Alexandre

Erikson Roberto quebra jejum

O xadrezista Erikson Roberto quebrou jejum de Angola. Uma década depois, o país forma mais um campeão africano de juniores masculino e o nono Mestre Internacional. O recente título foi conseguido na cidade East London, África do Sul, transformada em capital do Campeonato Africano. A organização atribuiu a Erikson Roberto os certificados de vencedor do campeonato e de Mestre Internacional de Xadrez. A Federação Internacional de Xadrez (FIDE) vai ratificar os resultados da prova, organizada pela Associação de Xadrez de East London, no final do mês corrente.

O percurso histórico da distinção foi construído com cinco vitórias e quatro empates. A partilha dos pontos ocorreu nas partidas com Mosad Ghatto (Líbia), Mahfoud Oussedik (Argélia), Ryan Van Rensburg (África do Sul) e Thabo Gumpo (Botswana). O Mestre Internacional Manuel Mateus foi o primeiro angolano a conseguir a distinção, título obtido em 1987. O último recruta do clube é o Erikson Roberto. A lista é constituída por Nelson Ferreira, Armindo de Sousa, Adérito Pedro, Eugénio Campos, Vladimiro Pina e Amorim Agnelo. Álvaro Alexandre

Organização com falhas
na cidade East London

Erikson Roberto recebeu a medalha de ouro, correspondente ao título conquistado do Campeonato Africano de juniores masculino, numa cerimónia extra organizada para a reposição dos factos reais. Até ao final da prova, a empresa contratada para feitura dos troféus e medalhas não havia concluído o trabalho. Na cerimónia oficial realizada no final da competição fez-se as entregas dos troféus e medalhas simbólicas aos dois campeões africanos de juniores, em ambos sexos. A prova masculina foi vencida por Erikson Roberto, de Angola, e a feminina ficou com a anfitriã Tshepang Tlale.

O presidente da União Africana de Xadrez, o argelino Mazouz Lakhdar, fez questão de honrar a promessa, uma hora antes da delegação angolana ter deixado, na passada segunda-feira, o Gonubie Hotel, da cidade costeira do East London. Os troféus foram encomendados na cidade de Pretória. A parte positiva foi do cumprimento de horário e não há registos de problemas na secretaria. As delegações estiveram bem acomodadas no Gonubie Hotel, um hotel de 3 estrelas.

A parte negativa identificada pelas delegações foi o elevado preço cobrado pela organização. Cada membro da delegação soltou dos bolsos 70 euros por dia e a alimentação não produziu a realidade da dieta alimentar dos participantes. Esteve muito longe do equilíbrio. O isolamento do ambiente social e do sistema de Internet foram um dos graves problemas vividos por unanimidade. A competição decorreu numa região habitada maioritariamente por população, cuja idade ronda acima dos 50 anos. Para enquadrar-se no ambiente característico de Luanda é necessário percorrer uma distância do centro da capital angolana até Caxito. Álvaro Alexandre

Novo rosto feminino
do xadrez sul-africano


O xadrez sul-africano pariu para os anais da fama um novo rosto feminino. Tshepang Tlale é ovacionada pela população sul-africana como a rainha da viragem do quadro histórico do país de Nelson Mandela. Tshepang Tlale é a primeira negra sul-africana a conquistar uma prova continental. O quadro de conquistas sempre esteve reservado a outros compatriotas da raça oposta. A hegemonia persistente deste os tempos do regime do apartheid deixou muitos populares da África do Sul fora do sistema desportivo reservado à nobreza.

Hoje, o quadro do xadrez feminino inverteu-se. O título pertence com muita honestidade e bravura competitiva a júnior Tshepang Tlale que conseguiu afastar toda a concorrência. Houve um real despique entre a argelina Sabrina Latreche e a actual campeã africana. A argelina Sabrina Latreche dominou a primeira fase da competição e perdeu o campeonato por erro de cálculo. As energias esgotaram-se na etapa crucial. O título ficou decidido no confronto direito entre as duas protagonistas. A sul-africana foi a melhor que a adversária, na principal partida da 7ª jornada do Campeonato Africano de juniores feminino.

A classificação final ficou ordenada: 1ª posição, Tshepang Tlale (África do Sul), 8,5 pontos; 2ª, Sabrina Latreche (Argélia), 7; 3ª Amira Hamza (Argélia) 6,5; 4ª Epha Tembo (Zâmbia) 5,5; 5ª Rebecca Selkirk (África do Sul) 5; 6ª Sune Du Toit (África do Sul) 4; 7ª Kgalalelo Botlhole (Botswana) 2,5; 8ª Faith Mbakhwa (África do Sul) 2,5; 9ª Maria Domingos (Angola) 2 e 10ª Irineia Gabriel (Angola) 1,5. Álvaro Alexandre

Senhoras angolanas
entre trabalho e inércia

No contexto africano e competitivo, o xadrez feminino angolano está parado numa difícil encruzilhada. Os tabuleiros estão sem a matriz que a identifique e perdeu respeito junto de outros parceiros do continente. A constatação foi encontrada em função dos últimos resultados produzidos pelas representantes que participaram no Campeonato Africano Individual de juniores feminino, realizado, na cidade East London, África do Sul. Entre o título conquistado pela Selecção Nacional masculina e o desempenho das juniores feminina na alta competição existe uma diferença enorme. São realidades diferentes. É confrontar entre o trabalho e a inércia.

As xadrezistas Irineia Gabriel, última classificada da prova com 1,5 ponto, principal aposta do técnico Francisco Andrade, e Maria Domingos, nona colocada da tabela geral com 2 pontos, viveram momentos de xadrez sério e de muito trabalho. Angola está muito distante dos níveis razoáveis de competitividade no continente. Erikson Roberto, campeão africano de juniores, oferece uma grande oportunidade aos pensadores e professores especializados na didáctica do ensino e aprendizagem dos métodos do jogo-ciência, para se reunirem em mesa-redonda, com finalidade de repensar e reformular a politica geral do xadrez feminino. Isso é viável se há interesse do país em “liderar” em África. Os resultados obtidos demonstram com clareza que a modalidade tem problemas de base. A sua inversão passa pela uma correcção urgente na concepção e execução da política xadrezística angolana.