Jornal dos Desportos

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Reportagens

A vez da Red Bull

Francisco Carvalho - 28 de Março, 2010

Melbourne acolhe a segunda prova do ano

Fotografia: AFP

Depois de liderar boa parte da primeira prova do ano e perder a vitória por um problema técnico, o pole position Sebastian Vettel aparece como principal favorito na corrida de Melbourne. É a segunda polé position de Vettel, da Red Bull na presente época. O alemão foi o mais rápido nos treinos oficiais e parte colado ao colega de equipa o australiano Mark Webber. A dupla da Red Bull tem a oposição de um Ferrari, comandado por Fernando Alonso, o vencedor da primeira prova do ano, e do campeão em título, Jenson Button, da McLaren. Melbourne testemunha a luta de campeões e aspirantes a título.

O vice-campeão mundial, Sebastian Vettel, aposta na conquista da primeira vitória da época, depois de falhar na prova inaugural. Os pneus não haviam obedecido a aderência do circuito de Bahrein, depois de longas voltas. O desgaste foi rápido, o que lhe reduziu a velocidade. Hoje, espera-se por um alemão mais "atento" até porque vai ser "coadjuvado" por Mark Webber, o seu colega de equipa.
Sebastian Vettel prognostica uma "corrida longa", porque o asfalto apresenta muito "bump", o que torna difícil o controlo de carro.

Ciente da responsabilidade, o alemão aguarda pela bandeira quadricular para conquistar a primeira vitória do ano. Uma coisa deixa-o feliz: "estar à frente é bom". A Ferrari tem mais uma oportunidade de colocar os dois monolugares no pódio se o brasileiro Felipe Massa suportar o ataque de Nico Rosberg, da Mercedes, e esperar o deslize dos dois Red Bull. Com o fim de reabastecimento, a equipa encarnada, Ferrari, é o carro mais rápido na prova. Aliado à experiência dos pilotos (Massa e Alonso), o embate é a doer.

Nico Rosberg está a demonstrar que pretende ofuscar a imagem do compatriota e colega Michael Schumacher, sete vezes campeão mundial. O jovem piloto alemão é visto como um dos aspirantes ao título. A grande decepção é o jovem piloto inglês Lewis Hamilton. Sem possibilidade de chegar ao pódio, a McLaren arranca na 11ª posição, por não conseguir chegar a outra fase de classificação nos treinos oficiais. A debilidade apresentada por Lewis Hamilton pode estar relacionada com a "multa" a definir por um tribunal australiano nos próximos dias.

O piloto britânico foi apanhado em flagrante pela Polícia a fazer "peões" com o seu Mercedes numa estrada próximo ao circuito de Melbourne um dia antes do treino oficial. O acto deixou-o muito aborrecido. Melbourne tem outras novidades. Assim como no Bahrein, as equipas novatas mostraram muita diferença em relação às primeiras e as seis últimas colocações foram divididas entre os pilotos da Virgin, Hispania e Lotus.

Dez "promessas" falhadas

Desde que o malogrado Ayrton Senna deixou as pistas, o automobilismo brasileiro conseguiu três vices-campeonatos da Fórmula 1: dois com Rubens Barrichello e um com Felipe Massa, em 2008. O Brasil é uma "lavra fértil" de produção de talentosos, mas que também amargou expectativas frustradas com pilotos que chegaram à categoria de Fórmula-1 como promessa e decepcionaram os agentes, parentes, amigos e namoradas.

Nelsinho Piquet
O filho do tricampeão Nelson Piquet chegou à Fórmula-1 em 2008 sob uma grande expectativa - não apenas por sair de um berço vencedor, mas também pelo bom desempenho em categorias de acesso (a maioria delas, em equipas montadas pelo pai). Campeão das Fórmulas 3 Inglesa e Sul-Americana e vice da GP2, o brasileiro nascido na Alemanha decepcionou e deixou a modalidade principal do automobilismo pela porta dos fundos: foi demitido da Renault no segundo ano e, depois, revelou ter batido de propósito em Cingapura para ajudar o então companheiro, o espanhol Fernando Alonso, a vencer o GP de 2008.

Enrique Bernoldi
Após boas performances na Fórmulas 3 Inglesa e na F-Renault, Bernoldi havia assinado com a extinta Arrows em 2001 e nunca pontuou (deixou a equipa antes do final da época 2002). O melhor resultado foi um oitavo lugar - na época apenas os seis primeiros pontuavam - na Alemanha no ano de estreia, embora o feito mais notável tenha sido segurar o escocês David Coulthard, então da McLaren, durante boa parte do Grande Prémio de Monaco.

Tarso Marques
Marques teve duas passagens "apagadas" na Fórmula-1. Entre 1996 e 1997, fez 11 corridas pela Minardi e abandonou sete. Depois, retornou à equipa em 2001 e foi demitido antes do final da época, após quebrar também em sete oportunidades. Teve como melhores resultados dois nonos lugares, no Brasil e no Canadá.

Pedro Paulo Diniz
Pedro Paulo Diniz conseguiu acumular apenas dez pontos ao longo de seis anos na Fórmula-1. O piloto, que teve passagens por Forti Corse, Ligier, Arrows e Sauber, disputou 99 Grandes Prémios e conseguiu a incrível marca de abandonar 57 corridas - ou seja, finalizou menos da metade. Nunca subiu ao pódio e teve o auge com dois quintos lugares.

Cristiano da Matta
Da Matta chegou à Fórmula-1 pelas portas da Toyota. Campeão da Champ Car, o brasileiro fechou com a equipa japonesa em 2003 e, logo no ano de estreia, pontuou em quatro oportunidades com dois sextos lugares (Espanha e Alemanha) e dois sétimos (Grã-Bretanha e Japão). No segundo ano, não completou cinco corridas e deixou a equipa antes do final da época.

António Pizzonia
António Pizzonia apontado como promessa do automobilismo mundial não conseguiu disputar de forma completa nenhuma das três épocas na Fórmula-1. O Jungle Boy estreou pela Jaguar em 2003 e deixou a equipa após 11 corridas, com seis abandonos e um nono lugar como melhor performance. Nos dois anos seguintes, actuou na recta final pela Williams e somou oito pontos no total, graças a quatro sextos lugares.

Ricardo Zonta
Foram duas épocas pela BAR, em 1999 e 2000, e pouco brilho. Campeão da F-3000, que chegou como possível piloto da McLaren no futuro, pontuou com três sextos lugares no segundo ano, mas não continuou na equipa britânica. No ano seguinte, disputou dois Grandes Prémios pela Jordan e ainda foi piloto de testes da Toyota por dois anos. No ano de 2004, correu algumas etapas pela equipa japonesa, mas não voltou mais a ser titular.

Ricardo Rosset
Rosset estreou na Fórmula-1 dois anos após a morte de Ayrton Senna e nunca faturou ponto na sua passagem pela principal categoria do automobilismo mundial. Apagado na Arrows em 1996, fez apenas uma corrida no ano seguinte pela Lola e encerrou a passagem pela competição em 1997, pela Tyrrell, também sem grande destaque.
 
Luciano Burti

Após destacar-se como piloto de testes da Stewart e disputar um Grande Prémio em 2000 pela Jaguar, Burti ganhou o posto de titular da equipa na época seguinte, mas não conseguiu terminar o calendário. Sem pontos até então, o brasileiro sofreu um forte acidente na Bélgica e perdeu as três etapas finais. Chegou a testar pela Ferrari até 2004, quando encerrou a passagem pela Fórmula-1.

Christian Fittipaldi
O brasileiro que criou expectativa por conta de sobrenome, o sobrinho do bicampeão mundial Émerson Fittipaldi foi contemporâneo de Ayrton Senna e deixou a Fórmula-1 no ano da morte do ídolo nacional. Foram três épocas e três quartos lugares entre 1992 e 1994 como melhor desempenho: um pela Minardi em 1993 e dois pela Arrows, no ano seguinte.

Grid de largada em Melbourne
Posição-          Piloto                                  País/Equipa


   1 -     Sebastian Vettel                     (ALE/Red Bull)
   2 -     Mark Webber                         (AUS/Red Bull)
   3 -     Fernando Alonso                   (ESP/Ferrari)
   4 -     Jenson Button                        (ING/McLaren)
   5 -     Felipe Massa                          (BRA/Ferrari)
   6 -     Nico Rosberg                         (ALE/Mercedes)
   7 -     Michael Schumacher             (ALE/Mercedes)
   8 -     Rubens Barrichello                 (BRA/Williams)
   9 -     Robert Kubica                         (POL/Renault)
   10 -   Adrian Sutil                             (ALE/Force India)
   11 -   Lewis Hamilton                       (ING/McLaren)
   12 -   Sebastien Buemi                    (SUI/Toro Rosso)
   13 -   Vitantonio Liuzzi                     (ITA/Force India)
   14 -   Pedro de la Rosa                   (ESP/Sauber)
   15 -   Nico Hulkenberg                    (ALE/Williams)
   16 -   Kamui Kobayashi                   (JAP/Sauber)
   17 -   Jaime Alguersuari                   (ESP/Toro Rosso)
   18 -   Vitaly Petrov                            (RUS/Renault)
   19 -   Heikki Kovalainen                   (FIN/Lotus)
   20 -   Jarno Trulli                              (ITA/Lotus)
   21 -   Timo Glock                             (ALE/Virgin)
   22 -   Lucas di Grassi                      (BRA/Virgin)
   23 -   Bruno Senna                          (BRA/Hispania)
   24 -   Karun Chandhok                    (IND/Hispania)