Jornal dos Desportos

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Reportagens

Academia de Futebol é a aposta do Benfica

Paulo Caculo - 10 de Janeiro, 2015

Mário Rocha esclarece projectos em colocar o Benfica entre os melhores clubes do país

Fotografia: Paulo Mulaza

O vice-presidente do Benfica de Luanda para a área do futebol, Mário Rocha, afirmou em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que o clube não vive obcecado pela conquista do título de campeão do Girabola.

O principal gestor do futebol das águias, assegurou que a grande preocupação da direcção encabeçada pelo presidente do clube, prende-se em criar bases sustentáveis para que a equipa tenha capacidade para permanecer durante muitos anos no topo do campeonato nacional. 

“Não vivemos obcecados por títulos”, sublinha Mário Rocha e justificou em seguida que o projecto concebido pelo arquitecto Joaquim Sebastião, no seu mandato, que  vai no segundo ano prevê como objectivo para o Benfica de Luanda fazer um início de campeonato tranquilo e consolidar as primeiras três posições da classificação.

"Foi o que aconteceu neste último ano. Tínhamos como propósito fazer um campeonato tranquilo e ficarmos entre os três lugares, mas acabamos por conquistar também a Taça de Angola, facto que permitiu fazer história,  trazer para a galeria do clube o primeiro troféu”, esclareceu o vice-presidente dos encarnados da capital do país.

“Temos a certeza de que para se construir o Benfica que pretendemos, teremos de criar bases para um futuro risonho. E a direcção está focalizada em reunir as condições para que ela possa ser criada ao longo dos tempos”, comentou.

“É nessa perspectiva em que estamos a trabalhar e criarmos as condições para que nos próximos anos o Benfica tenha condições de  permanecer durante muitos anos na prova, contribuir também para o surgimento de novos jogadores, de forma a que o clube continue a crescer”, asseverou Mário Rocha.

O vice-presidente das águias garante por outro lado, que em relação à Supertaça, competição que marca a abertura oficial da época, a equipa vai preparar-se para o jogo com toda a naturalidade e nunca ter o título da prova como meta.

Apesar disso, acrescenta Mário Rocha, o Benfica em momento nenhum vai descurar da obrigatoriedade de vencer os jogos que disputa, na perspectiva do cultivo do hábito de ganhar.

“Em todos os jogos o Benfica tem a obrigação de ganhar, mas não quer dizer que estejamos obcecados pelos títulos. Na época finda, houve uma dedicação e empenho da direcção do clube, liderada pelo arquitecto Joaquim Sebastião, principal responsável deste projecto e os resultados surgiram naturalmente”, esclareceu.

Referiu que os encarnados vão manter a mesma postura. “Para a próxima época esta será, também, a postura do Benfica, quer em relação ao jogo da Supertaça e a conquista do título do Girabola,” garantiu o dirigente das águias, que reafirmou o desejo da direcção do clube em criar todas as condições imprescindíveis para que o clube esteja entre os grandes do Campeonato Nacional durante longos anos.


CONTRATAÇÕES
Fabrício e Bena para quebrar défice


 O dirigente da formação encarnada concorda que um dos principais problemas verificados no plantel do Benfica de Luanda, durante a época 2014, prendeu-se com o sector ofensivo.  Mário Rocha justificou que as contratações dos avançados Fabrício e Bena, visaram “quebrar o défice” constatado ao longo da última temporada.

“No ano passado tivemos um défice que foi a fraca finalização e temos hoje um cuidado enorme em relação a esta posição. Há contratações a incidir mais  no ataque e meio campo”, descreveu.

Acrescentou que colmatar a debilidade “asseguramos o Fabrício, que estava no Caála, e o Bena, que jogou a última época no Desportivo da Huíla, mas está em aberto a possibilidade de chegar mais um avançado”.

O principal gestor do futebol das águias mostra-se confiante em relação à próxima época. Destaca, por exemplo, o facto da equipa ter preparado um estágio “com condições que vão permitir, seguramente”, dotar o conjunto às ordens de Zeca Amaral de níveis desejados, dada a exigência da temporada futebolística.

“Se formos competentes o suficiente, temos consciência daquilo que pretendemos e sabemos que os resultados desportivos alegram os adeptos, podemos alcançar os nossos objectivos. Os últimos resultados conseguido pela equipa dão uma imagem muito positiva ao clube, mas não devemos estar unicamente focados nos objectivos desportivos, porque existem outros aspectos que permitem que o clube a longo prazo esteja ao nível dos melhores deste país”, elucidou Mário Rocha.


CONSTATAÇÃO
“Há negociações com Gilberto”


O médio Gilberto, ex-Petro de Luanda, pode assinar pelo Benfica de Luanda, caso as negociações com a direcção do clube encarnado, ainda em curso, surtam os efeitos desejados.

Mário Rocha assegurou não haver, por enquanto, nada de concreto em termos de assinatura de contrato, mas deixou expressa a vontade do clube em contar com os préstimos do jogador.

“Há negociações que ainda estão a decorrer e dentro de dias vamos ver quais serão os resultados, mas existem conversas nesse sentido com o Gilberto, não há nada de concreto”, esclareceu o vice-presidente, que valoriza a presença no plantel de jogadores experientes que venham  acrescentar muito de novo ao futebol da equipa.

O responsável garantiu ser desejo da equipa técnica conservar o “esqueleto-base” do conjunto vencedor da Taça de Angola e terceiro classificado do Girabola'2014. De acordo com Mário Rocha todos os jogadores que durante a época finda revelaram-se fundamentais na manobra da equipa viram os seus contratos prolongados.

“O Totó e o Vado têm contrato de duas épocas, vamos continuar com o esqueleto base da época passada e com a introdução de alguns nomes, como são os casos do Fabrício, Amaro, Adawa, Savane, Bena, Alex, Caranka e Mariano”, referiu o dirigente dos encarnados.

“Não vamos continuar a contar com o Rasca, Maninho Lopes, Minguito e o Wilson, mas a direcção agradece a estes jogadores pelo tempo que dedicaram ao clube e deseja boa sorte nas respectivas carreiras”, acrescentou.

Referiu que o estágio da equipa vai durar cerca de um mês, deve permanecer dez dias em Melgaço e depois seguir para Múrcia, em Espanha, onde o plantel deve ficar os últimos 15 dias. A data prevista para o regresso da equipa a Luanda acontece no dia 2 de Fevereiro.

A província de Múrcia, palco do estágio do Benfica, está situada no Este Espanhol, imediatamente a Sul da Província de Alicante e a Norte de Almeria, faz também fronteira com as Províncias de Albacete e de Granada. Actualmente, a cidade de Múrcia é a sétima cidade espanhola em população, que ascende de acordo com o censo municipal aos 400 mil habitantes.


CENTRO DE TREINOS
Águias inauguram Academia


A direcção do Benfica inaugura em Fevereiro a Academia de Futebol, no quadro do projecto de criação de infra-estruturas desportivas realizado pelo elenco encabeçado por Joaquim Sebastião, disse ao Jornal dos Desportos o vice-presidente para o futebol do clube encarnado.

Mário Rocha afirmou que a aposta na criação do principal centro de treinos do futebol do clube permite que todos os escalões de formação do Benfica trabalhem ao mais alto nível e criar a médio e longo prazo fontes de financiamento para manter a colectividade, criando activos nos jogadores, que vão alimentar no futuro a equipa principal.

“Queremos, sobretudo, com a inauguração da Academia de Futebol, criar condições para formar mais jovens e permitir que a nossa equipa principal de futebol encontre condições de treino, para fazer um trabalho ao nível das exigências do futebol actual. O Benfica tem tradição na formação de jovens talentos e é um dos clubes que mais talentos da formação fornecem ao campeonato nacional”, referiu.

“Se repararmos, quase todas as equipas têm um ou dois jogadores formados no nosso clube”, sublinhou.

“Antes, a formação era feita de forma precária, porque não tínhamos condições e tudo resultava da nossa dedicação e dos treinadores, mas mesmo assim conseguiam fazer um bom trabalho, alimentando a equipa de seniores numa primeira fase e, permitindo depois que o Benfica conseguisse comercializar estes atletas para encaixar outros, de forma a conseguirmos manter-nos muitos anos no futebol nacional, com a venda dos activos” esclareceu. 

O vice-presidente dos encarnados considera que nos últimos tempos o clube perdeu para os concorrentes a nível da formação devido a uma quebra registada no trabalho que era realizado.

Devido a esta contrariedade, lamentou, ficámos muito atrás em relação a outros clubes que apostam nos escalões de formação.

“Se há quatro ou cinco anos todos trabalhávamos ao mesmo nível, hoje há clubes que já o fazem a um nível superior em relação ao Benfica, como é caso do Petro, 1º de Agosto, Interclube e alguns do interior do país, como a Académica do Lobito e o Bravos do Maquis, que foi campeão de juniores. Todas estas equipas conseguiram organizar-se melhor do que Benfica”, inistiu.

Com a inauguração, em Fevereiro, da Academia de Futebol, Mário Rocha acredita que são superados todos os problemas, porque o Benfica passa a igualar o nível de trabalho feito pela formação de outros clubes grandes do país, mas sobretudo aproveita ao máximo a dedicação e experiência dos seus quadros para recuperar a tradição na formação.

“São projectos a médio e longo prazo e quem sabe se o Benfica daqui a dez anos não tem condições para voltar a apresentar equipas de formação a competir ao mesmo nível que as melhores equipas do futebol nacional".


FUTURO
"Queremos um clube
com bases sólidas"


O Benfica não quer ser apenas mais um clube que lute por um ou mais títulos e depois morre no futuro, por incapacidade de consolidação dos êxitos, disse ao Jornal dos Desportos o vice-presidente da Direcção. Mário Rocha afirmou que o grande propósito da direcção de Joaquim Sebastião é criar bases sólidas para “o clube ser altamente competitivo no presente e no futuro”.

“Para que isso seja possível temos de fazer opções, é preciso que se olhe também para outros aspectos que permitam que o clube a médio e longo prazo tenha organização e a criação de infra-estruturas”. Por vezes na vida, prosseguiu, temos de fazer opções, pois não podemos estar tão bem a nível desportivo, porque isso requer investimentos, nem tão bem em infra-estrutura, pelas mesmas razões.

Não queremos emocionar-nos, mas partirmos com bases sólidas:“Temos de criar um equilíbrio, de tal forma que todas as áreas do clube sejam contempladas e possam crescer de forma sustentada, porque não podemos ser tão competitivos, já que temos outras prioridades”, salientou.

“Não deixamos de pensar que é importante para o clube que ter uma equipa de futebol altamente competitiva, mas os títulos não nos tiram o sono, nem a mim, nem ao presidente do clube”, disse e salientou “o papel fulcral desempenhado pelo presidente de direcção em todo o projecto”.

O vice-presidente do Benfica reafirmou que “Joaquim Sebastião tem sido uma pessoa muito atenta”e dado “orientações muito valiosas que permitem à equipa ganhar crescimento e a boa imagem dos últimos tempos” 

“O clube cresceu a nível do panorama desportivo e a conquista da Taça de Angola na época finda é prova inequívoca disso. Tudo isso faz parte de uma estratégia que foi devidamente agilizada pelo presidente e a criação da Academia de Futebol tem tudo a ver com um projecto idealizado pelo arquitecto Joaquim Sebastião”, disse.
PC


APOSTA NA FORMAÇÃO
"Vamos formar treinadores"


Uma das grandes preocupações da direcção de futebol do Benfica, após a inauguração da Academia de Futebol, é a integração de técnicos qualificados, que ajudem a sustentar o projecto de descoberta e formação de jovens talentos do futebol.

O vice-presidente das águias revelou que vão ser contratados alguns treinadores estrangeiros para ajudarem a formar os quadros técnicos do clube.
“Temos técnicos referenciados que trabalham no Benfica, mas o futebol é dinâmico e pretendemos reforçar as equipas técnicas de formação com treinadores estrangeiros, que vão fornecer conhecimentos mais actualizados aos angolanos”, disse.

“Está a ser desenvolvido um projecto desportivo mais virado para o projecto de formação na perspectiva de criar um clube para o futuro e para isso temos obrigatoriamente de formar atletas e técnicos”, salientou.

Mário Rocha disse que a infra-estrutura para o futebol tem todas as condições para garantir um trabalho de excelente nível.

O vice-presidente das águias afirmou que “a qualidade dos relvados nos três campos de futebol é dos melhores que existe, inclusive em relação aos tapetes naturais e que qualquer equipa no mundo que entenda trabalhar na Academia do Benfica encontra as melhores condições de um Centro de Treinos.

“Qualquer equipa encontra nesta academia condições para trabalhar ao mais alto nível e refiro-me a nível mundial e não apenas do campeonato angolano. Não vamos ter um mínimo de dificuldade neste aspecto da formação.

E tudo isso apenas tem sido possível devido ao apoio concedido à equipa tecnica pelo presidente do clube, o arquitecto Joaquim Sebastião, de quem se reconhece paixão pelo futebol”, referiu.