Jornal dos Desportos

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Reportagens

Académica do Soyo quer melhorar desempenho da época passada

Valódia Kambata - 19 de Fevereiro, 2010

De mero animador, o Soyo ficou em quarto lugar

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como está a equipa de futebol?
Está em perfeitas condições. Embora tenha enfrentado alguns problemas financeiros, que impossibilitaram a concretização de alguns projectos, felizmente, está tudo ultrapassado e penso que vamos ter uma época tranquila.

O que esteve na base da quebra financeira?
Os factores prendem-se, principalmente, com a crise financeira que assolou o mundo e nós não deixamos de a sentir. A actual situação que o país está a atravessar interferiu, de alguma maneira, nos nossos gastos.

A crise financeira afectou a programação para esta época?
A falta de finanças afectou a Académica do Soyo, da mesma maneira que as empresas. Tivemos dificuldades em assinar contratos com alguns jogadores e fomos forçados a abortar o estágio programado, na República da Namíbia.

Isso poderá afectar a equipa psicologicamente?
Felizmente, não, porquanto já temos quase tudo feito. Temos de agradecer o grupo de trabalho (treinador e jogadores), pois estamos a trabalhar sem sobressaltos e já com todas as condições criadas. 

Ainda assim reforçaram o grupo...
A Académica do Soyo reforçou-se em 60 por cento. Foi necessário alguma ginástica financeira para conseguirmos resolver essa questão e hoje temos um plantel que vai corresponder aos objectivos traçados.

Humildade acima de tudo

O que podem esperar os adeptos nesta época?
Fizemos algumas alterações na equipa técnica. Entraram novos jogadores e treinadores. Tudo isso para tentar ultrapassar o quinto lugar alcançado na época passado.  
  
Qual é o objectivo para o Girabola deste ano?
É ficar acima do quinto lugar. Quem vem de um campeonato onde esteve entre os primeiros, no ano a seguir, o correcto é lutar para melhorar a classificação.

A conquista do título ainda está longe da vossa mira?
Vamos lutar para estar acima da posição que conquistamos na época passada. Confesso que ainda é cedo para assumir a conquista do título. Este ano, vamos trabalhar com humildade e ver até onde vamos. Vamos lutar com os grandes, como sempre fizemos.

O que diz sobre aos reforços que pedidos pelo treinador?
Penso que cumprimos. Aliás, o próprio treinador é que esteve na base da estratégia de reforços para o clube. Estamos em condições de corresponder com as expectativas dos nossos adeptos, pois acredito que seremos uma equipa mais coesa.  
 
O vosso objectivo era permanecer no Girabola, mas conseguiram ir às competições africanas. Qual é o vosso sentimento?
O sentimento é de que o trabalho que fizemos deu frutos. Por isso, estamos aqui de novo, com muita vontade. O mérito é dos jogadores e treinadores, que muito fizeram para estarmos hoje no lugar em que estamos.

Como prevê o desempenho da equipa de futebol?
Com optimismo. Trata-se de um grupo de qualidade, que tem demonstrado uma grande determinação e empenho, mas que vai precisar de mais algum tempo para mostrar a sua capacidade. A equipa tem crescido de semana para semana e o apoio dos adeptos tem sido fundamental para esse crescimento. Quando há trabalho, os frutos acabam sempre por aparecer. É isso que vai acontecer este ano. Tenho a certeza de que, mesmo que aconteçam alguns percalços pelo meio, esta equipa vai contar sempre com o apoio de todos.

Quanto a salários e prémios de jogos em atraso...
O clube atravessou uma crise financeira. Felizmente, a situação vai normalizando e penso que temos já tudo sob controlo. Os atletas podem ficar seguros que tudo estamos a fazer para não mais vivermos este problema em 2010

"Estamos preparados
para as Afrotaças"

Como se preparam para as Afrotaças?
Estamos preparados não só para a competição africana, como para o Girabola. É uma nova competição para nós, mas vamos entrar de cabeça erguida e procurar ir o mais longe possível. Temos uma boa equipa e acredito que vamos longe.

Qual é o objectivo do Académica do Soyo em África?
É a primeira vez que participamos nesta competição. Ainda não temos bem a noção do que ela é. Para nós, o mais importante é representar condignamente o país e dignificar o futebol angolano.

Nesta fase, já há condições financeiras para suportar a prova?
Tivemos dificuldades financeiras no início da preparação da época. Felizmente, isso está praticamente ultrapassado e até entramos em competições, vamos estar bem financeiramente.

Face à desistência do representante de São Tomé, como se estão a preparar?
Conforme o planificado. Ainda bem que a equipa de São Tomé desistiu, pois isso nos dá a possibilidade de passar para a outra fase. Para nós, é bom porque permitiu trabalharmos mais.

Como está o clube no que toca às infra-estruturas?
Remodelamos o nosso campo no ano passado e este ano fizemos algumas melhorias. Penso que estaremos prontos para receber os nossos adversários no nosso campo.

O campo reúne condições para receber jogos internacionais?
Em princípio, pensamos realizar os nossos jogos internacionais em Luanda e em Cabinda, uma vez que, ao nosso ver, ainda não estão reunidas todas as condições para recebermos jogos internacionais na nossa casa.

Isso pode defraudar os adeptos...
Os adeptos devem ficar descansados, pois, assim que as condições estiverem criadas, vamos realizar os jogos internacionais no Soyo.

Compromissos internacionais  exigem técnico mais experiente

O que esteve na base da não renovação com Raul Kinanga?
Quando começámos a trabalhar com o professor Raul Kinanga, o objectivo era a manutenção da equipa na Primeira Divisão. Fizemos um bom campeonato, felizmente. Já que alcançámos as competições africanas, houve a necessidade de se elevar os nossos objectivos e, para tal, achamos por bem contratar um novo treinador, com mais experiência. Foi isso que fiz: trazer o professor Romeu Filemón. Vale a pena dizer que a decisão da rescisão do contrato com Raul Kinanga foi amigável.

Sendo um treinador que esteve ligado ao êxito da equipa na última temporada, não seria ideal mantê-lo?
Acho que não. O professor Romeu Filemom já está connosco desde o ano passado. Foi através dele que conseguimos formar a nossa equipa e foi por sua indicação que contratamos o Raul Kinanga.

Não é melindroso mudar nesta altura, quando se aproxima o compromisso continental?
Não, pois o professor Filemón sempre esteve connosco. Ele participou quase na formação da equipa e sempre esteve com ela. Porque não assumi-la nesta altura, em que temos este grande compromisso? Convencemos o professor a assumir o cargo e ele aceitou. É bom referir que o professor Raul Kinanga é um treinador que merece todo o nosso respeito, por tudo o que fez. Gosto e respeito o seu trabalho.

Basquetebol e andebol são as próximas apostas

Quando vão apostas noutras modalidades?

Por enquanto estamos apenas como futebol, em todos os escalão. É nossa intenção ter outras modalidades, mas vamos primeiro nos solidificar no futebol e, logo depois, partir para outras modalidades.

Se assim tiver de ser, em quais apostarão?
Estamos a estudar a possibilidade de, num futuro breve, apostar no basquetebol e no andebol.

Pode apontar datas?
Se tudo correr bem, penso que daqui a dois anos teremos já tudo bem organizado.

Equipa ganhou
credibilidade

Alcançou os objectivos que perseguia na época passada?

O mais positivo da época passada pode-se resumir numa palavra: credibilidade. Traçámos um rumo, feito a rigor, com critérios de avaliação e muita exigência. Só assim conseguimos ultrapassar o descrédito que tínhamos. Todo o esforço que foi feito, apontou na recuperação da marca e no crescimento do clube. Regularizámos os salários em atraso que muitos atletas do clube tinham. Pagámos as dívidas a fornecedores, na ordem dos vários milhões de euros, tudo isso sem nunca limitar a estratégia de crescimento e desenvolvimento do Académica do Soyo que tínhamos definido. Para o futuro, espero continuar a desenvolver o clube e consolidar os novos projectos.

Se pudesse alterar algo do ano passado, o que seria?
Quando se olha para trás, é normal que, passados alguns anos, se tenha a tentação de dizer ou pensar que em determinadas situações poderíamos ter agido de maneira diferente. Fácil seria tomar decisões conhecendo as suas implicações no futuro, mas, como ninguém tem esse dom, não vale a pena perder muito tempo. No geral, e vendo o que fizemos nesses anos, era difícil fazer de forma diferente.

O que ainda falta fazer para ter o clube que idealizou?
O Académica do Soyo é um projecto que nunca se completa. Haverá sempre coisas a fazer, aspectos a melhorar, novas soluções a implementar. Neste momento, o mais importante é garantir a seriedade e evitar os erros do passado.