Jornal dos Desportos

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Reportagens

Académica social escola renasce das cinzas

Manuel Cardoso - 05 de Outubro, 2016

Bento Lourenço presidente do Académica Social Escola do Zangado

Fotografia: kindala Manuel

O Académica Social Escola do Zangado é dos clubes mais antigos de Luanda. Fundado a 3 de Fevereiro de 1963, forjou jogadores que  levantaram milhares de aplausos dos adeptos, que eram "arrastados"  para assistir aos seus jogos. Muitos dos seus craques foram transferidos para a antiga metrópole (Portugal) como Joaquim Dinis e tantos outros.

Caído  no marasmo,  pouco anos a seguir à independência, o clube está  desde  2010  a resgatar a sua mística, aposta nas categorias de formação, conta com o apoios de alguns dos antigos craques e figuras de boa vontade, que se identifiquem com o emblema. Como a Fénix que renasce das cinzas..a pretensão deste grande clube do bairro Zangado é...até 2020 estar presente no Girabola.

Em 2010, o clube  começou a investir e a trabalhar com a  equipa de infantis, que  deu bons sinais no torneio de Caçulinhas do Girabairro. Neste momento, tem as categorias de juvenis e juniores a competirem nas respectivas provas, em Luanda.

Par a tais finalidades, todos os actuais dirigentes do clube estão de mangas arregaçadas. Todos os dias nos treinos, nos jogos particulares e nos oficiais, o trabalho é aturado, como pôde constatar a reportagem do Jornal dos Desportos.

Bento Lourenço  é o actual presidente do Escola do Zangado, afirmou que objectivo do clube é formar o homem novo para os grandes desafios. E, pessoalmente quer dar o melhor de si, para servir o emblema.

Bento Lourenço disse que "a  perspectiva é concretizar o que definimos no ano 2010. O objectivo desde aquela altura continua a ser o mesmo. Começámos com a camada dos 9 aos 12 anos, de formas que a partir daí, possamos construir uma equipa de séniores, para  competirmos com equipas de seniores do nosso país".

"Queremos construir uma equipa sénior, por formas a  podermos defender a imagem da Académica Social Escola do Zangado, que foi criada em 1963. Este foi o espírito do projecto, contamos com o apoio de algumas pessoas de boa vontade  e de instituições, por forma a suportarem as necessidades  do projecto. Com o espírito de vontade e responsabilidade vamos continuar a fazer um grande esforço para levarmos o projecto ao fim", prometeu.

O presidente do clube reforçou a ideia, de que entre os grandes objectivos está a intenção de " permitirmos que os nossos garotos de formação possam integrar outros clubes, só que, as transferências têm de ser numa base jurídica entre às instituições, e  considerarmos o ano de 2020 como o marco. Faremos todo o esforço para que isso aconteça".

"No tempo colonial e depois da independência,  era um espectáculo ver o Escola do Zangado  jogar futebol, de verdade. Parecia uma equipa brasileira com o estilo, do passe logo ao primeiro toque", disse.

Aliado à formação de jogadores, o presidente considerou que o outro objectivo do ressurgimento do clube é "  formar o homem novo. Tirar os garotos dos maus caminhos, como o consumo de álcool, tabaco. Queremos contribuir para o bem da sociedade angolana, educar para novos desafios que o país precisa, e o  desporto é componente deste desafio".

"O Estado gasta pouco dinheiro em compra de medicamentos, mas se a maioria da população praticasse desporto, diminuiria o número de doenças. Este é também um dos objectivos  do Escola do Zangado", sublinhou.  

Bento Lourenço revelou, sem enumerar, que o clube tem um número considerável de sócios, mas "temos o problema da recolha de cota que é de 500 Kwanzas por mês".

FORMAÇÂO
Harmonia e satisfação do técnico e atletas

Francisco Manuel da Silva  "Chia",  47 anos, é um dos formadores da nova vaga de jogadores do Académica Social Escola do Zangado. Das suas mãos  despontaram pequenos craques dos escalões, infantil, iniciados, juvenis e juniores, que estão  a competir, muitos estão a ser cobiçados por outros clubes, como o Petro de Luanda, 1º de Agosto e Progresso do Sambizanga. Francisco Banza, 17 anos, é  defesa central é um dos seus pupilos. Apareceu no clube em 2011 por intermédio  dos seus amigos, Tetinha e Mano, moradores do Golfe I.

"Éramos mais de 30 jogadores para fazermos os testes no sentido de ingressar no Escola do Zangado. Dos 30 jogadores só 20 é que foram apurados pelo técnico João Baptista, mais conhecido por Biko", contou o jovem à reportagem do Jornal dos Desportos. Apurado, no principio achou difícil. Começou a jogar a lateral direito, mas depois foi adaptado à defesa central. Jogou um ano nos iniciados, subiu  para juvenis e foi eleito capitão da equipa desde 2016 que actua como júnior.

"O meu ABC do futebol,  apreendi-o no Académica Social Escola do Zangado. Evoluí muito nos aspectos tácticos e técnicos", acrescentou o jogador, ao mesmo tempo que agradeceu à direcção pela ajuda que presta na sua formação académica, paga-lhe as propinas. ""Um dia, se Deus quiser, vou retribuir o que  a Escola do Zangado tem feito para mim", prometeu.

Francisco Banza é outra promessa do clube.  Estudante da 12º classe, opção Ciências Jurídicas, pretende formar-se em Direito e ser Advogado. Sublinha que  Académica Social Escola do Zangado é o seu sonho, espera dia "atingir o escalão sénior e também jogar fora do país".

COORDENADOR
“Inicia-se a partir da formação”


João Baptista, mais conhecido nas lides futebolísticas por  Biko, é  o coordenador das escolas de formação do Académica Social Escola do Zangado. Entrevistado pelo Jornal dos Desportos, disse que " o nosso futebol para atingir níveis altos, deve começar na formação dos atletas, em  tenra idade".

O responsável recordou que é a partir dessa fase, é que antigamente surgiram nomes grandes do nosso futebol, que fizeram furor a além fronteira, como Joaquim Dinis, Domingos Inguila, Jacinto João, Zargateiro, Manuel Domingos Salvador, Cavungi, Zeca Lobo, Jordão e tantos outros.

João Baptista, que é o treinador, argumentou que o acompanhamento dos garotos no escalão de formação tem de ser  contínuo, tanto no desportivo, académico e social,  porque visa também " a formação do homem".

"Sabemos que no passado, os grandes talentos do futebol nacional passaram pelos campos, espalhados por Luanda. O angolano tem apetência para qualquer modalidade desportiva. Vamos repensar e criar estratégias para tirarmos o futebol da situação em que se encontra. Se dormirmos, seremos os últimos no continente. Tem de se dar importância ao escalão de formação".

JOAQUIM DINIS
“No passado já tivemos talentos”

Joaquim Dinis, "Brinca N`areia",  além de ser um antigo jogador do Académica Social Escola do Zangado, é um dos seus fundadores. A estrela que brilhou nos pelados e relvados, do país e no estrangeiro, entrevistado pelo Jornal dos Desportos, recordou outros nomes que deram corpo ao clube, nomeadamente, Quim Machado, Mora, já falecido, Zeca Vasconcelos, Firmino Dias, e alguns mais velhos  do bairro.

Destes mais velhos, não se olvide o Tio Costa, Catarino Braz, Quim Dinis, Madaleno, Zé Lima, Basílio, Vasconcelos " Sem Mangas" e  algumas ,  como a Antónia Gaspar, Engrácia, Maria Piloto, Tia Constância. Brinca N´Areia diz que aos 17 ano, em 1967/1968,  já tinha sido promovido para a principal equipa sénior do ASA, onde foi campeão duas vezes, mas aos sábados e domingos jogava para o Académica Social Escola do Zangado.

Hoje, um dos seus desejos é voltar a ver o seu antigo clube a resgatar a mística do passado, dar  e ver verdadeiros craques. "Para que nosso futebol possa atingir níveis altos, temos de estar bem organizados. E, quando falo em  organização, falo também de infra-estruturas, campos com  relva natural e sintética, material desportivo, apoio logístico,  equipa técnica,  médica e outras", sublinhou.
"Para ter isso, é preciso dinheiro para a contratação de técnicos, monitores, médicos, assistentes sociais como sociólogos, psicólogos etc. Assim podíamos  trabalhar bem num projectos de futebol jovem, para dar frutos".

FIRMINO DIAS
“Os nossos miúdos
estão a crescer”

Firmino Dias começou a jogar no Académica Social Escola do Zangado, ao lado de Lourenço Bento, António da Costa, Ferreira Pinto, Paizinho da Lama, Lalá, Novato Pio, Manuel Figueira, e tantos outros.
Em 1962 foi júnior no ASA, em companhia de Nando Caçador, Gomes, Isaías Capindiça, Gaspar Fortunato, Armindo e Freitas. Depois em 1963 jogou no Vila Clotilde.

Também conhecido e tratado por Mano Firmino, pelo jovens, conta que se destacou no clube no primeiro torneio Popular Cuca, em 1968/69, ao lado de Lourenço Bento, Artur da Cunha, Antoninho Parte os Cornos, Manuelito, Quim Machado, André Ventura  e Nascimento, onde foram campeões.

Recorda  na final com o Cazenga do Areais, no campo do Atlético de Luanda, actualmente o Catetão, venceram por 3-1, com  dois golos seus, e outro de Lourenço Bento, de calcanhar. Nessa prova, Firmindo Dias foi o melhor marcador com 13 golos.

"Tenho acampando os novos garotos de formação do Académica Escola do Zangado. Os nossos miúdos estão a crescer, estão em bom caminho. Espero que no futuro saiam bons jogadores para servirem também os grandes clubes do país, como 1º de Agosto, Petro de Luanda, Progresso", frisou.

COORDENADOR
João Baptista, mais conhecido nas lides futebolísticas por  Biko, é  o coordenador das escolas de formação do Académica Social Escola do Zangado. Entrevistado pelo Jornal dos Desportos, disse que " o nosso futebol para atingir níveis altos, deve começar na formação dos atletas, em  tenra idade".

O responsável recordou que é a partir dessa fase, é que antigamente surgiram nomes grandes do nosso futebol, que fizeram furor a além fronteira, como Joaquim Dinis, Domingos Inguila, Jacinto João, Zargateiro, Manuel Domingos Salvador, Cavungi, Zeca Lobo, Jordão e tantos outros.

João Baptista, que é o treinador, argumentou que o acompanhamento dos garotos no escalão de formação tem de ser  contínuo, tanto no desportivo, académico e social,  porque visa também " a formação do homem".

"Sabemos que no passado, os grandes talentos do futebol nacional passaram pelos campos, espalhados por Luanda. O angolano tem apetência para qualquer modalidade desportiva. Vamos repensar e criar estratégias para tirarmos o futebol da situação em que se encontra. Se dormirmos, seremos os últimos no continente. Tem de se dar importância ao escalão de formação".

HISTÓRIA CONTADA
Da união de dois bairros
pontificaram “estrelas”

O surgimento de Académica Social Escola do Zangado aconteceu no dia 3 de Fevereiro de 1963, na actual Rua da Brigada, a união de dois clubes, então existentes no bairro Zangado. O Académica e o Bangú. No primeiro clube actuaram jogadores de grande referência, como Firmino Dias, Nené Figueira, Novato Pio, Marcelo, Lourenço Bento, Paizinho da mamã.

Lala, Barrigudo, Daniel Uma Jura, Santos Diabo Negro, Ferreira Pinto e tantos, e outros cujos nomes não me lembro. No segundo, tinha o Mora Mambule (fundador do Bangú) Adão Gaspar (Jack, Serna), Adonai (Mão Curta), Mayunga e outros.

Segundo, Lourenço Bento,  uma das figuras inesquecíveis do clube, estiveram presentes no acto da fundação, Carlos Dias "Lilito", presidente fundador, Joaquim Dinis, Firmino Dias, Gaspar Fortunato, Lourenço Bento, Quim Dinis, Mão Curta, Madaleno, Zeca Vasconcelos "Sem Mangas".

No início, a equipa  travava disputas em campo com os Perdidos FC, que antes era o Brazaville FC, mas  por questões políticas  foi obrigado  a mudar de nome. Nessa equipa, actuaram estrelas como Jacinto João (já falecido), Dado, Alberto Maria, Pimenta, Bayo, Bastos, Capinguiça.

Também tinham muitos adversários noutros subúrbios da capital, como Académica do Ambrizete, Benfica do Quizau, Ases FC, todos do bairro Sambizanga,  e já depois, nos anos sessenta, o  Juventude Unida do Bairro Alfredo (JUBA). O clube fez história. Deixou a sua marca no Torneio Popular Cuca, onde também participaram o Bangú FC, Cazenga, Santos de Calomboloca, Perdidos FC, mais uma  equipa do Cazenga.

Lourenço Bento, que jogava com os dois pés, sublinhou que "desde a fundação do Académica Social Escola  do Zangado, em 1963 só tivemos uma derrota, diante dos Ases FC, perdemos por 4-3".

Faziam parte dos Ases FC, Domingos Inguila, Justino Fernandes, Eduardo João (já falecido) Miguelito, Oliveira Caio, Jorge (cap), Tubarão Piza (guarda-redes) que defendeu o  penálti marcado por Lourenço Bento.

Tido como  inventor da finta/drible conhecido por "Adió", Lourenço Bento também passou pelo Ginásio FC  e Futebol Clube de Luanda onde foi campeão em júnior, em 1962 e vice -campeão em 1963.