Jornal dos Desportos

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Reportagens

Acções desportivas no Namibe com altos e baixos em 2010

Manuel de Sousa - 10 de Dezembro, 2010

Karaté e o ciclismovivem dificuldades O ano desportivo na província do Namibe foi pautado pela negativa

Fotografia: Jornal dos Desportos

A província do Namibe tem a realçar, no ano desportivo 2010, a prestação das equipas locais no recém-terminado campeonato nacional de Futsal, realizado na vizinha cidade do Lubango, onde os quatro representantes atingiram as meias-finais e, em femininos, a formação do Tômbwa se sagrou campeã. O Atletismo elevou bem alto o nome da província dentro e fora do país. O Atlético do Namibe e o Ferroviário, em hóquei em patins, melhoraram muito as suas prestações nas provas nacionais, o que enche de orgulho os namibenses e os responsáveis que tudo fazem para resgatar os louros alcançados em tempos idos, em algumas modalidades.

O encerramento do pavilhão “Saydi Mingas”, o maior campo de jogos de sala, para obras que se encontram paradas devido a dificuldades de acção do empreiteiro, o estado lastimável em que se encontra o piso do Sporting, e a destruição passiva dos campos adjacentes às escolas, impediram o desenvolvimento das modalidades de basquetebol, andebol, voleibol de quadra, que precisam de novo ar em 2011, para darem avanços significativos no capítulo da massificação. A Associação Provincial de Futebol tem conseguido, no meio de muitas dificuldades, organizar com êxito as provas provinciais nos escalões de formação, e aproveitando bem os campos preparados pela direcção dos desportos e Movimento Nacional Espontâneo, mas a desistência das formações do Independente do

Tômbwa retiraram uma certa competitividade à prova na óptica de Domingos Pombal, presidente da associação de futebol do Namibe.
“Foi uma pena terem desistido, numa altura em que estamos a tentar revitalizar aqueles clubes que estavam moribundos, como é o caso do Independente do Tômbwa, que estava a emprestar um nível mais competitivo à prova. Vamos esperar que os problemas que o clube vive sejam ultrapassados rapidamente para o bem do nosso desporto e do futebol, em particular”.

Futsal deu o ar da sua graça

O balanço do Futsal namibense é positivo, pelo nível competitivo da prova provincial. A adesão do público nas partidas tem sido razoável, o que deixa satisfeito Paulo Andrade, presidente da Associação do Namibe. Os feitos alcançados no recém-terminado campeonato nacional, realizado na vizinha cidade do Lubango, vêm aumentar as responsabilidades das equipas da província, que vão ter de trabalhar mais para poder alcançar feitos maiores e a possível organização do próximo nacional no Namibe. Quanto ao afastamento, pela organização, das formações do Independente do Tômbwa e João Paulo do campeonato provincial, o homem forte do Futsal na província disse que é de lamentar, mas “tivemos que agir assim para o bom andamento da prova.

Os jogos eram marcados e simplesmente as equipas não compareciam, o que provocava embaraços não só à organização do campeonato, mas também ao público amante da modalidade”. O mau estado do campo multidisciplinar do Instituto Médio de Pescas, palco dos jogos do campeonato, continua a ser uma preocupação da Associação Provincial, que assume uma certa responsabilidade na conservação do mesmo. “É uma situação complicada. Não podemos fugir às nossas responsabilidades. Usamos o campo, devíamos contribuir para a sua manutenção, mas não temos recursos. Somos uma modalidade pobre. O que temos estado a fazer é sensibilizar o público a não se sentar nos varões e a fazer uso correcto dos portões de acesso e outros elementos do campo, mas por falta de guardas, permitiu-se que a população circunvizinha, principalmente os jovens, usarem anarquicamente o campo. Escrevem nas paredes e destroem o material lá existente”, disse.

Desempenho especial do desporto escolar

O desporto escolar na província do Namibe continua a dar o ar da sua graça, com a realização de várias provas interescolar. Os II Campeonatos intermunicipais, que reúnem os alunos seleccionados com vista a preparação para as provas nacionais, foram um grande sucesso. O convénio firmado entre a direcção da Educação e dos Desportos prevê que as escolas devem ter clubes desportivos escolares, permitindo que, apesar de já ter sido realizado o campeonato escolar, algumas actividades desportivas sejam realizadas, porque é neste sector que as associações desportivas, além de matéria humana, buscam técnicos.

Luís Maria, coordenador do projecto de desenvolvimento do desporto escolar na província, diz que o mesmo é amplo porque abarca todos os alunos, do ensino primário ao segundo ciclo. Os campeonatos provinciais arrancam após o campeonato nacional escolar, para poder ter os atletas seleccionados para os próximos campeonatos nacionais. O projecto tem início em simultâneo com as aulas, para permitir que o professor tenha tempo suficiente de fazer a triagem e a selecção dos alunos que vão participar no campeonato escolar, interescolar, inter-turmas e campeonato nacional.

A adesão dos alunos é grande. Mas, referiu o coordenador, “o projecto prima pelos melhores, para que a província tenha uma boa representação nas provas nacionais”, mas a intenção é para todos competirem, a começar pelas provas inter-turmas e depois interescolares e, posteriormente, seleccionarem-se os melhores para o campeonato nacional. As direcções das escolas têm cooperado para que o projecto tenha um bom andamento, e porque o desporto escolar é direccionado aos alunos, há toda a necessidade de uma ligação estreita. Quanto a equipamento desportivo, o projecto depende da direcção nacional.

Clube Atlético do Namibe
falha subida à I Divisão

A equipa do Atlético do Namibe voltou a não alcançar os objectivos preconizados pela direcção do clube, que passavam principalmente pela ascensão à primeira divisão. Para Horácio Jeu, chefe de departamento de futebol da agremiação petrolífera, os aspectos administrativos estiveram na base desses percalços. “Não seria possível atingirmos a I Divisão, tudo porque começamos a trabalhar tarde, não conseguimos ter à disposição alguns jogadores que o técnico pediu, devido a algumas questões. Nunca esteve em causa a questão salarial, visto que a direcção do clube sempre esteve atenta às preocupações dos atletas e soube apoiar”. Horácio Jeu acredita que, se o conjunto se mantiver para a próxima época e não houver grandes mudanças, podem fazer uma campanha melhor, que culmine mesmo na subida à I Divisão.

A direcção do Atlético do Namibe não renovou o contrato de trabalho recém-terminado com o técnico Jean Claude Kenzo, abrindo dessa forma as portas para a contratação, no mercado nacional, de um novo orientador, que terá a responsabilidade de colocar o único representante provincial na I Divisão, na época 2011. As razões que estiveram na base da não renovação do contrato com o técnico Kenzo, que até então manifestou interesse em continuar no projecto do Atlético do Namibe, não foram bem aclaradas pelo director-geral da agremiação petrolífera, Rui David.

“Foram dois anos de trabalho com o técnico, achamos por bem não renovar e procurar outro treinador no mercado nacional para a próxima época. Consideramos uma atitude normal. As duas partes entenderam-se, não temos queixas do técnico. Fez um bom trabalho, mas são coisas que acontecem no futebol, que só sabe quem anda lá ”, disse Rui David. Questionado sobre se o fracasso não esteve na base do sacrifício, Rui David limitou-se a dizer que “o contrato do técnico terminou e não foi renovado, como também poderia ser, foi apenas isso. Estamos agora preocupados em contratar o novo técnico”.

Enquanto isso, Joaquim de Sousa, que na temporada finda foi adjunto de Kenzo, vai fazer os trabalhos preliminares, preparando o terreno para que o futuro técnico encontre algo feito. A direcção do clube procura, também nesta altura, manter os jogadores que tiveram boa prestação na campanha finda. “É prematuro falar de reforços nesta altura. Estamos preocupados em manter os melhores jogadores que temos. Naturalmente, vamos precisar de reforços na próxima época, mas ainda é muito cedo para falar de aquisições”.
Para corrigir os erros do passado, a direcção do Atlético do Namibe pensa começar a trabalhar mais cedo nos capítulos técnico e administrativo, evitando atrasos na concessão da verba por parte do patrocinador, a Chevron Texaco, e a entrada na prova com falta de entrosamento e ritmo competitivo como aconteceu nesta temporada.

“Queremos fazer uma época tranquila no próximo ano, mas, para isso, é necessário criarmos condições, tanto no lado técnico como no administrativo, para que, quando o treinador chegar, possa fazer bem o seu trabalho e, consequentemente, alcançarmos o nosso principal objectivo, que é a ascensão à I Divisão, de onde nunca deveríamos ter saído”. O director-geral do Atlético do Namibe pede a todos os amantes da modalidade na província, os aficionados, sócios e adeptos, para ajudarem a equipa e não se limitarem a criticar quando as coisas correm mal. “A população tem de contribuir com o pagamento dos ingressos ao campo. Será uma forma de ajudar e se todos nos mobilizarmos no sentido de apoiarmos o Atlético, que não é dos dirigentes, mas de todos os namibenses, teremos sucesso”, apelou Rui David.

Karaté e o ciclismo
vivem dificuldades

À semelhança de outras modalidades de sala, o karaté vive muitas dificuldades devido à falta de espaços e de material para o desenvolvimento da disciplina. A falta de academias para poder congregar um maior número de praticantes da modalidade dificulta a luta contra o preconceito, já que o karaté é ainda visto por muitos como um desporto para delinquentes. O Namibe tem boas características para apostar na prática do ciclismo. O técnico Carlos Araújo realçou os fortes ventos que se fazem sentir na província como condição essencial para a prática da modalidade. O especialista frisou os ventos que em nenhuma outra região do país faz tanto como no Namibe.

Se houver um trabalho sério no ciclismo a nível da província, teremos ciclistas muito fortes porque o grande inimigo dos ciclistas não são as subidas, mas o vento, e se os ciclistas se tornarem bons no vento, vão ser muito fortes”. A falta de material desportivo e incentivos dificultaram o desenvolvimento da modalidade no ano que está a terminar. As bicicletas usadas para a massificação não são as ideais, o que tem dificultado o bom andamento da modalidade, de acordo com Oliveira Gil, presidente da Associação de Ciclismo do Namibe. A direcção dos desportos está a reunir com os presidentes das associações provinciais das mais distintas modalidades para se encontrarem as melhores vias para encaminhar melhor o desporto no Namibe.