Jornal dos Desportos

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Reportagens

ACESSO AO ESTÁDIO DE LUANDA - Uma questão de escolha

Manuel Neto , Fotos Jesé Soares - 16 de Outubro, 2009

As vias de acesso ao Estádio da Camama

Fotografia: Jornal dos Desportos

A deslocação no interior da cidade de Luanda vai ser feita com mais opções nos próximos tempos. Para quem sair do Norte do país até ao Sul pode fazê-lo sem passar no centro da capital. Agora, os viajantes têm acesso a uma via que os permite atravessar a província de Luanda sem “estimular” o engarrafamento “infernal”.
Os espectadores residentes no Norte da cidade de Luanda, concretamente, no município do Cacuaco ou nas províncias do Uíje e do Zaire podem chegar ao Estádio da Camama através da auto-estrada Periférica. É uma via que junta o município do Cacuaco às localidades de Cabolombo e Benfica, região Sul, numa extensão de 55 kms, 42 metros de largura e com uma configuração de semi-arco.
A auto-estrada está construída num espaço fora das grandes aglomerações populacional, o que ajuda a circulação de pessoas e bens. Em toda a sua extensão há uma média de cinco entroncamentos que ligam ao centro da cidade e outras em construção. O tapete asfáltico está estendido ao longo da auto-estrada que vai ter oito faixas de rodagem, cabendo quatro em cada via.
À berma, visualizam-se trabalhos de acabamento dos parapeitos, esgotos, separadores, postes de iluminação e algumas marcações de sinais de trânsito no pavimento. Em função dos trabalhos na via, os automobilistas estão a circular, nos dois sentidos, numa das faixas.

VIA EXPRESSA
LUANDA-VIANA


Para quem vive no centro e no Este da cidade, a via Expresso Luanda-Viana vai levá-lo ao Estádio da Camama. É uma antiga estrada que sofre transformação. Com 26 Kms de extensão, a Via Expresso Luanda-Viana vai ter seis faixas de rodagem no total, cabendo três a cada uma, e desemboca na auto-estrada periférica. O turista ou espectador, que queira chegar ao palco da abertura e encerramento da Taça Africana das Nações Orange-Angola-2010, o Estádio da Camama, pode tê-lo como alternativa.
Actualmente, a via apresenta um cenário quase semelhante ao da auto-estrada periférica em alguns troços já reabilitados. Nesses espaços há pavimentação terminada, os postos de iluminação estão a ser colocados, o que vai deixar descansados os automobilistas, sobretudo, os moradores do município de Viana. Ainda são visíveis obras de escavação em alguns troços como a conclusão de esgotos, terraplanagem e pavimentação. São máquinas e homens em busca de conclusão de um empreendimento que já se arrasta há mais de dois anos.

CAMINHOS-DE-FERRO
DE LUANDA

Paralelamente à Via Expresso Luanda-Viana, está o Caminho-de-Ferro de Luanda. É uma via que já está a transportar passageiros de Luanda àquele município. O investimento feito pelo Governo tem resultados palpáveis. Mais de 16 mil pessoas são transportados diariamente na via que beneficia de construções de estações ao longo do seu trajecto. O turista ou espectador de futebol, que preferir usá-lo, tem o destino à vila de Viana. Depois de descer do comboio, pode escolher os transportes de preferência para chegar ao Estádio da Camama. Há autocarros e táxis que os tira da estação Ferroportuária.

VIA SAPU-AUTO-ESTRADA

Uma das vias que, certamente, vai exercer um papel fundamental no acesso dos espectadores e adeptos do futebol residentes ou não nos bairros da Calemba II, Golfe, Futungo, Samba, Maianga e Talatona ao Estádio da Camama é a que passa no bairro Sapu, a Sul da cidade de Luanda. É uma auto-estrada em construção e já apresenta tapete preto em alguns troços do seu percurso.
Com mais de cinco kms de extensão desde a auto-estrada da Calemba, a auto-estrada da Sapu desemboca no Estádio da Camama e vai permitir aos espectadores e turistas encurtar o tempo de deslocação desde o centro da cidade, comparativamente à via Expresso Luanda-Viana.
A conclusão da obra está para além do mês de Dezembro. Os trabalhos que visam a colocação de separadores, postos de iluminação e a rede de esgotos estão atrasados. Pela sua extensão, o tempo que separa da abertura da Taça Africana das Nações Orange-Angola-2010 é muito curto para concluir os trabalhos.
Contudo, o investimento público está a bom ritmo, no que concerne a estradas na cidade de Luanda. Depois do evento, as vias alternativas vão desanuviar o trânsito na capital.

AUTO-ESTRADA
GOLFE –CAMAMA


Esta via tem passagem pelo novo Campus Universitário e pelo Centro de Produção da Televisão Pública de Angola. Desde o bairro Palanca, no município do Kilamba Kiaxi, mais concretamente, defronte à Igreja Tocoista, a estrada apresenta trabalhos de terraplanagem na sua recta final. A colocação do asfalto está aprazada para os próximos tempos, bem como os esgotos.
Depois do Posto policial em direcção ao Golfe II, a via está asfaltada e é confortável a circulação. A mesma comporta quatro faixas de rodagem, duas ascendentes e duas descendentes. Uma das questões que provoca o embaraço junto às bombas de combustível da Sonangol é a curva que liga as duas faixas de rodagem nos sentidos Golfe-Benfica e vice-versa. É uma área com muitos serviços públicos com maior predominância comercial.
Posteriormente está o troço que dá acesso desde o Cemitério da Camama até ao Estádio de Luanda. Junto à Unidade dos Bombeiros, onde inicia a via, há buracos no velho asfalto, o que desassossega a viagem do automobilista. Mais adiante, defronte ao portão do Cemitério, é visível o asfalto deteriorado, buracos profundos que obrigam os automobilistas a optarem por vias alternativas.
Em função dos trabalhos em execução, os automobilistas estão interditados de circular mais adiante, onde um novo asfalto se exibe garbosamente. Até Dezembro, tudo aponta para mais uma das vias que vai facilitar aos turistas e espectadores chegar ao palco dos sonhos do futebol africano.

Qualidade das vias de acesso
divide técnicos e dirigentes

As obras das vias de acesso ao Estádio da Camama não são do agrado de todos os angolanos. Enquanto uns estão contentes por beneficiar das mesmas, outros questionam a sua qualidade. Arquitecto, estudante de arquitectura e dirigente apresentam visões diferentes sobre os empreendimentos que servirão de acesso e escoamento da população do Estádio da Camama.
Dorotel Raúl Camilo da Graça, estudante do quarto ano do Curso Superior de Arquitectura, disse à nossa Reportagem, que já manteve contacto com o Estádio de Luanda e algumas vias de acesso ao recinto, durante uma visita de estudo. Segundo o estudante, as vias são mais-valia para a Taça Africana das Nações Orange-Angola-2010; oferecem boa qualidade; são construídas com material de ponta e por especialistas de gabarito internacional.
Uma questão deixa intranquilo o futuro especialista angolano em arquitectura: o tempo de entrega da obra. Dorotel Raul Camilo da Graça afirma que “a entrega do Estádio da Camama no tempo previsto, Dezembro, não será possível, em virtude do número reduzido de trabalhadores”. Mas está crente no cumprimento dos prazos de entrega das novas vias de acesso. “Sim. Essas vias serão entregues dentro do prazo”, remata.
O jovem lamenta o atraso que se verifica na construção dos parapeitos da via, por considerar importante para a protecção destas. Outro aspecto que chama a sua atenção, está ligado à rede de esgotos. Dorotel da Graça aconselha que “se deve trabalhar fortemente nessa rede para se prevenir das chuvas que podem cair a qualquer momento”.
O Arquitecto de profissão, Valdemar da Silva, diz conhecer bem as novas vias de acesso à nova “Arena do futebol” e louva o esforço que o Governo faz no sentido de facilitar a deslocação da população ao Estádio de Luanda.
Entre outras coisas, o arquitecto angolano apela às autoridades de direito no sentido de prestarem igualmente atenção às vias secundárias, porque “serão mais-valia para os objectivos que se pretendem no evento”.
Quanto à qualidade do material usado na construção das vias, Valdemar da Silva diz: “Antes da construção de uma via, primeiro deve-se fazer o levantamento freático, para que não aconteçam casos que aconteciam há anos na construção das mesmas”. O arquitecto resguarda-se nos seus comentários e afirma ser “prematuro” tecer mais, porquanto o tempo dita a durabilidade do material empregue.
Não obstante a posição inicial, Valdemar da Silva salientou que “nem sempre se deve fazer a avaliação da qualidade do material através do asfalto, porquanto se mede pela qualidade do manto freático, pois o material aplicado deve ser adequado ao nível da humidade do terreno”.
Por outro lado, o arquitecto Valdemar da Silva lamenta o traçado das vias de acesso. O especialista afirma que “a disposição das vias é que determina a facilidade ao acesso a um certo local e a lentidão ou a rapidez no trânsito tem uma grande influência no engarrafamento das mesmas”. Para si, “as vias de acesso ao Estádio da Camama deveriam ser melhor traçadas”.
Adão Manuel Bartolomeu, delegado comunal dos Desportos do Camama, diz sentir-se satisfeito com as vias que estão a ser feitas na sua área de jurisdição. O responsável sustenta que vai facilitar o acesso ao Estádio e também na circulação de pessoas e bens, quando o evento terminar. Quanto aos prazos das obras, está confiante nos seus cumprimentos, porque “estão a ser dirigidas e supervisionadas por pessoas competentes, no caso, a Governadora Provincial de Luanda, Francisca do Espírito Santo, entre outras”, disse.
Adão Bartolomeu revelou que “a festa da Taça Africana das Nações Orange-Angola-2010 já começou” no seu município, porque a população local se sente regozijado pelo facto de o evento abranger a localidade.
“O Kilamba Kiaxi tem seis comunas e estão bem organizadas em termos desportivo. Nos últimos dias, realizam quadrangulares de futebol, num espaço existente próximo ao novo Estádio de Luanda, de formas a abençoá-lo e dar as boas-vindas ao evento”, disse.
O delegado do desporto lança o grito de clamor perante as entidades de respeito no sentido de fornecerem materiais publicitários, designadamente, camisolas, bolas, bandeiras, entre outros objectos.

O silêncio das Obras Públicas

A nossa equipa de Reportagem procurou ouvir o engenheiro Teixeira Gama, Director Nacional das Obras Públicas do Ministério do Urbanismo, sobre esta matéria, cujo subsídio seria de todo importante para esclarecer aos nossos leitores, mas a nossa intenção foi gorada. O engenheiro Teixeira Gama alegou, constantemente, a falta de tempo para nos receber. Em próximas ocasiões, traremos a palavra de um outro responsável do Ministério para satisfazer a curiosidade dos leitores.