Jornal dos Desportos

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Reportagens

Acredito que as pessoas gostam de vir aqui

Sardinha Teixeira - 12 de Março, 2011

José Alberto quer paz em Angola

Fotografia: Paulo Mulaza

O ardina começou por ser uma criança vestida com umas jardineiras de ganga remendadas e sempre de olho vivo. Na época, homens adultos, mulheres e raparigas também ingressavam na profissão. As mulheres vendiam os jornais à porta dos cafés. As raparigas faziam a sua venda à porta dos cinemas e muitas percorriam as ruas a vender jornais.

José Alberto compra os jornais à Secção de Vendas das Edições Novembro EP. Apesar de começarem a ser vendidos em locais fixos, nos quiosques, nas bancas, nas papelarias, isso ainda não conseguiu extinguir a profissão de ardina. “Acho que é por vocação. Sempre quis saber o que sai nos jornais e todos os dias saem coisas diferentes. Não se fica rico mas dá para viver”, explica José Alberto.

Para rentabilizar o negócio, começou cedo a apostar em estratégias, como as entregas ao domicílio, sem demoras, frio, chuva, trânsito, sem falhas. “Acredito que as pessoas gostam de vir aqui. Ou então aderem porque compram jornais todos os dias”, afirma, acabando por assumir a preferência pela deslocação dos clientes ao seu espaço. “Quem compra jornais leva sempre mais qualquer coisa”, acrescenta.

Todas as manhãs José Alberto entrega vários jornais e revistas. Pessoas singulares e três cafés incluem-se no grupo que recorre ao seu serviço de entregas, mas o maior cliente são os escritórios, onde, à sexta e sábado, o ardina deixa mais de cinco publicações. Diz que entrega os jornais com alegria aos seus clientes.

Com um sorriso nos lábios, José Alberto acrescenta que os jornais, na generalidade, quer estatais, quer privados, são mais vendidos quando estampam nas suas páginas concursos públicos, porque todos almejam um emprego. Às cinco da manhã, José Alberto levanta-se para ir comprar jornais às Edições Novembro a 45 kwanzas, para depois revender aos leitores, a 50.

É assim o dia a dia, deste velho ardina da Baixa de Luanda. Posteriormente, faz a distribuição aos assinantes e depois monta o seu espaço na esquina da Biker. A facturação não é muito grande, mas dá para alimentar a sua família. Lamenta o facto de às vezes se ver forçado a deitar para o lixo jornais que sobram, com prejuízo para si.

José Alberto sabia que, como em quase todas as partes do mundo, a chave para conseguir um bom trabalho é ter nas mãos um diploma universitário. Mas, por não ter recursos financeiros, sabia que teria poucas possibilidades de estudar numa faculdade. “Muitas noites sonhei que me fora permitido entrar na universidade, mas ao acordar de manhã via que se tratava apenas de um sonho”, disse.

Nome: José Alberto
Idade: 29 anos 
Filhos: 1
Natural: Huambo
Nacionalidade: Angolana
Estado civil: Solteiro
Peso: 66 kg
Altura: 1,80 m
Modalidade: Basquetebol
Prato preferido: Funje de carne seca
Fuma: Sim
Bebe: Sim
Número de calçado: 46
Conduz: Não
Tem casa própria: Não
Filmes: Acção
Religião: Católica
Música: Kizomba
País: Angola
Cidade: Huambo
Praia/ Campo: Praia
Cor: Vermelho
Maior sonho: Viver sempre em Paz
O que mais detesta: Corrupção