Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Alcides Rosa eleito presidente do Electro do Lobito

10 de Setembro, 2009

A família do Electro Sport Clube do Lobito esteve, recentemente, reunida em assembleia-geral de sócios. Foi um encontro bastante concorrido, em que se assistiu a de tudo um pouco. Grande parte dos integrantes da direcção cessante esteve ausentes, numa clara demonstração de desinteresse. Que mau! Ainda assim, deu para notar, junto dos sócios, o seu estado anímico. Era de repulsa. Castigar a antiga direcção na urna de voto foi a alternativa.
Feliz ou infelizmente, Frederico Kambinda e Manuel Afonso, presidente e o (vice) da destronada direcção optaram pela ausência e, dessa forma, evitaram o que seria uma verdadeira humilhação. Em unanimidade, os sócios chumbaram o relatório e contas apresentado pelo secretário-geral cessante, Abel Likiliki Samuel.
Na óptica de alguns intervenientes no encontro, o documento apresentado contém inúmeras insuficiências do ponto de vista de gestão e, por isso, não teve a aprovação dos presentes.
A ausência das principais figuras afectas à anterior direcção confirmou as especulações levantadas quanto ao lado mau da sua gestão, numa mancha que poderia ser evitada. Infelizmente, com esse gesto, perderam a oportunidade de se defenderem das críticas e acusações de que foram alvos na assembleia de sócios. Até porque nem tudo foi mau enquanto estiveram a liderar os destinos do clube. Falharam na concretização dalguns projectos e melhoraram noutros, o que é aceitável para os humanos.
Dessa forma, Frederico Kambinda e Manuel Afonso mostraram o quanto não souberam perder em jogada democrática. Tiveram uma péssima reputação para a sua imagem como dirigentes desportivos.
Entretanto, o processo registou algumas (zonas cinzentas), como a eleição da nova direcção por sufrágio de mãos levantadas, quando os regulamentos do clube orientam que os votos sejam secretos, independentemente do número de candidatos, o que não aconteceu, no sábado, 05, em que a eleição (por mãos levantadas) recaiu a Alcides Bravo da Rosa e companheiros.
A comissão eleitoral, liderada por António Cassangudi, acedeu à pressão de um grupo de sócios que propusera que a votação fosse em tais moldes (contrariando os estatutos do clube) por considerarem a mais viável, visto que à última da hora, a lista B, de Frederico Kambinda, tinha sido invalidada por força dos Estatutos do clube, que indicava o director geral para a presidência do clube.
Daí Alcides Bravo da Rosa ter concorrido sozinho, sob fortes protestos do seu opositor, que na véspera prometera impugnar o processo que o impediu de concorrer para a sua própria sucessão.
Frederico Kambinda está no estado de reformado da Empresa Nacional de Electricidade (ENE), logo não se pode candidatar ao cargo que exerceu, enquanto, foi director da referida empresa, por sinal, a patrocinadora oficial do clube.
O outro facto que saltou à vista foi a ausência de um representante do Ministério da Juventude e Desportos do município.

Boxe vai ter novo ringue

O presidente da mesa da Assembleia-geral do clube Electro do Lobito, Eduardo Nelumba, prometeu resolver, pessoalmente, o problema da falta do ringue para o boxe.
(Tudo faremos para que a aquisição do ringue seja um facto nos próximos tempos. Precisamos, com isso, proporcionar ao boxe melhores condições de trabalho de forma a manter competitiva no país e, quiçá, na região austral do nosso continente, numa primeira fase. Será um esforço a que me proponho, pessoalmente, resolver sem que seja necessário recorrer aos fundos anunciados para o clube), disse.
Sobre o património do clube, o presidente da Mesa da Assembleia do clube admitiu a necessidade de se fazer um levantamento de forma que seja explorado para o benefício do clube e, desta feita, dota-lo de auto sustento. (É uma maneira que podemos encontrar para que o clube não continue, única e exclusivamente, a viver sob a total dependência da sua patrocinadora), concluiu.
Sob a responsabilidade do Electro Sport Clube do Lobito, está um bar, salão e um complexo residencial. Para além de colocar em arrendamento, um espaço para o Banco Comercial Angolano (BCA).

(Vamos procurar
melhorar o que está mal)

O presidente da mesa da Assembleia-geral do clube Electrodo Lobito, Eduardo Nelumba, acredita que a nova direcção vá cumprir à risca o programa traçado para os próximos quatro anos, pelo que se propôs a apoiar moral e materialmente no que for necessário. Segundo Nelumba, a nova direcção vai ter a responsabilidade de manter funcional a máquina desportiva do Electro do Lobito.
(A direcção vai continuar a apostar sério no desporto e nas suas infra-estruturas. É uma direcção formada por homens com visão desportiva, pelo que acredito nas sua capacidade de trabalho. Por isso, deixamos a nossa promessa de poder os apoiar com o nosso saber, aí onde for necessário. É uma tarefa que auguramos ser séria e responsável, já que, acima de tudo, está à vontade de termos um Electro forte e exemplar do ponto de vista de organização e de gestão), comentou.
Eduardo Nelumba anunciou a disponibilização de 101 milhões de kwanzas para a gestão do clube.

Definidas prioridades
para o mandato

A nova direcção eleita projecta para os próximos quatro anos continuar a apostar nas modalidades tradicionais do clube, designadamente o andebol, futebol e o boxe. A promessa foi do novo presidente do clube, Alcides Bravo da Rosa, momento depois de ser eleito.
De igual modo, o novo presidente do Eléctro Sport Clube do Lobito assegurou a massa associativa que o seu elenco tudo fará para manter o clube mais forte do ponto de vista administrativo e desportivo. Acredita que tal será possível com o empenho de todos os sócios e amigos da agremiação.
(Vamos procurar melhorar onde acharmos necessário, de forma a manter o clube forte, do ponto de vista administrativo e desportivo. Nessa vertente, pensamos continuar a apostar nas modalidades tradicionais, como o andebol, o boxe e o futebol. É um desafio que julgamos sério e responsável, se quisermos nos manter fortes e respeitados”, comentou.
Sobre as infra-estruturas desportivas, o novo presidente promete pronunciar-se logo que tomar contacto com a realidade do clube, isto é, logo após à cerimónia de entrega de pastas.
Segundo ele, é um processo que se vai tratar com a máxima responsabilidade, já que o clube está bem servido no capítulo infraestrutural.
(Numa primeira fase, as atenções da nova direcção estarão voltadas na aquisição de um ringue para o fomento do boxe, uma proposta avançada publicamente pelo presidente da Mesa da Assembleia, o Engenheiro Eduardo Nelumba).
(Temos ainda por resolver, a situação do campo de andebol e de futebol que merecerão a atenção da nossa parte. Tudo ficará definido após a recepção das pastas que acontecerá nos próximos dias, a que se seguirá com a cerimónia de tomada de posse dos novos corpos sociais do clube”, acrescentou. Para os próximos quatro anos, Alcides Bravo da Rosa vai contar com a colaboração directa de 23 pessoas.
Já a direcção executiva, com o novo presidente, vão trabalhar Baptista Assis e João Pinto, como vice-presidente administrativo e desportivo, respectivamente. Ana Gonçalves é a nova secretaria-geral, em substituição de Abel Likiliki Samuel, eleito secretário suplente da mesa da Assembleia-geral do clube. 

Eurico Ferreira defende aposta
nas camadas de formação

O antigo presidente do Electro do Lobito, Eurico Ferreira, é apologista de que o clube continue a apostar na formação dada as avultadas somas em dinheiro que são exigidas no desporto de alto rendimento.
(Penso que a nova direcção do Electro do Lobito tem de definir o que será melhor para o clube. Para mim, o melhor seria continuar a apostar nos escalões de base, nomeadamente iniciados, juvenis e juniores, tendo em conta a realidade do clube. Ou seja, o clube não nada em dinheiro. Por isso, tem de saber definir prioridades se quiser manter-se firme no cumprimento dos seus programas.
“Ao contrário do que muitos pensam apostar em escalão sénior não é o mesmo como que apostar nos escalões de bases (escolas, infantis, cadetes e juniores). São os salários, prémios de jogos e outras regalias que o clube terá de suportar aos atletas e equipa técnica, o que não é fácil) , lembrou o antigo presidente.
No entender de Eurico Ferre ira, o sucesso da nova direcção neste seu mandato, depender há muito da entrega dos homens que constituem o elenco directivo e da participação dos sócios nos assuntos do clube. (O contrário, será uma miragem).
O Eléctro Sport Clube do Lobito movimenta três modalidades desportivas, designadamente o andebol, o boxe e o futebol. Destas, apenas o futebol não possui o escalão de seniores, estando em perspectiva a criação do respectivo escalão nos próximos quatro anos.


Mais dinamismo
no andebol

A nova direcção do Electro do Lobito vai dar continuidade do projecto de formação de novos talentos do andebol, de forma a conservar a sua hegemonia na província. Esta informação foi dada pelo novo chefe do departamento da modalidade, Domingos Enoque Lufuanjimba, que assegurou a manutenção da equipa técnica que aí laboram.
(Vamos procurar dar continuidade ao trabalho que herdamos da anterior direcção. Vamos apenas procuraremos melhorar onde a necessidade exigir. Não será tarefa fácil, a julgar pelo nome e carisma que o clube granjeou no contexto do andebol nacional. Por isso, tudo faremos para que elevemos os níveis desportivos do nosso andebol, já que é nossa pretensão ter um andebol forte em todos os escalões), explica.
Para Domingos Lufuanjimba, o Electro do Lobito continua a ser uma das maiores e melhores escolas de andebol (bem como de boxe e de futebol) no país, daí a sua convicção. “Não será tarefa fácil manter esta performance”, afirmou.
Questionado se o clube vai continuar a incidir as suas atenções na classe feminina, o novo chefe do departamento Electro garantiu estar no programa da sua direcção, primeiro, consolidar as estrutura óssea daquilo que já existe como o andebol e mantê-lo forte em termo competitivo.
(Daquilo que é a realidade do andebol do Eléctro do Lobito, pretendemos consolidar as bases e só mais tarde pensaremos na possibilidade de abrirmos a classe masculina, a partir da formação de bases), concluiu.