Jornal dos Desportos

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Reportagens

Alegre insatisfeito com a direco da acadmica

06 de Fevereiro, 2017

Antnio Alegre exige dos dirigentes do clube mais seriedade e responsabilidade nas suas obrigaes

Fotografia: Jornal dos Desportos

A faltar oito dias para o início do Girabola Zap, o ambiente na Académica do Lobito não é dos melhores, e exige uma intervenção urgente de quem de direito. O técnico António Alegre foi contratado no início da época para recuperar a mística do clube, acusa a direcção do clube de pouco ou nada fazer para alcançar os objectivos propostos.

O treinador vai mais longe, e avalia as condições de trabalho como sub -humanas, exige mais respeito por parte do presidente Luís Gonçalo Borges para com que os atletas. Aproveitou a ocasião, e pediu aos adeptos para não apupar a equipa nos treinos.

"Estes jogadores, que aqui estão, devem merecer o carinho de todos os lobitangas que se prezam como apoiantes da equipa. São os nossos atletas, devemos sentir por eles. Apupá-los, só estão a contribuir para instalar um mau ambiente, no seio do colectivo", alertou.

Disse que as coisas não vão bem, ainda assim, têm feito a sua parte. "Apesar das péssimas condições que enfrentam, convivem com ratos,  baratas,  mosquitos e calor onde se encontram abrigados. Convido a todos que quiserem lá ir, e verão com os próprios olhos", desabafou.

O professor António Alegre lembrou aos munícipes e adeptos da Académica do Lobito, que a direcção ainda não satisfez grande parte das aquisições solicitadas para formar um plantel forte, para competir no Girabola Zap e na Taça de Angola, sem grandes problemas.

Revelou, que dos sete jogadores por si indicados, o elenco liderado pelo empresário Luís Gonçalo Borges apenas satisfez um, e os outros seis continuam "esquecidos", com alegação de falta de dinheiro.

O antigo comentador desportivo da Televisão Pública de Angola (TPA) não aventou a hipótese de demitir-se, e assumiu que a sua presença na Académica deve-se, simplesmente, para ajudar a equipa a melhorar a sua condição competitiva, e afirmar-se como uma força no futebol nacional.

Confessa que não está aí para usurpar lugar de quem quer que seja.  "Sejamos claros, as coisas na Académica do Lobito não estão bem. Os nossos atletas vivem mal, e auferem salários de miséria. O Lito, por exemplo, recebe um ordenado de 50 mil kwanzas.

As pessoas devem saber disso. Não sou mercenário. Estou apenas a trabalhar e a pensar para o bem da equipa e do clube", destacou. "Os resultados dos jogos -treinos não me preocupam, até por que nesta fase da pré-época futebolística, o importante não são os resultados, mas a estruturação e a mobilidade dos jogadores em campo. Deixem-nos trabalhar", advertiu.

O técnico da Académica do Lobito revelou que a direcção não tem condições financeiras para responder às exigências do GirabolaZap. "É uma pouca-vergonha, ainda assim, estamos a fazer o impossível para ganhar consistência, de forma a aparecer à altura de competir contra os adversários dez vezes mais estruturados", afirmou.

"Reparem, que para a presente temporada, 12 atletas que formaram o plantel da Académica no ano passado abandonaram e foram para outros clubes. Estamos a remediar com o que temos. Jogadores como Bartolo, Kalunga, Germano e outros que vocês veem aí, muito deles nunca actuaram no Girabola", sublinhou.

António Alegre assegurou, que tudo está a fazer para tornar os atletas disponíveis com capacidade competitiva, para dignificar as cores do clube e realizar uma época ao nível das exigências das provas em que vão estar inseridos. 

"Estamos a mentalizar estes atletas, para diante dos adversários consagrados e melhores remunerados, baterem-se com valentia sem deixar nada a dever. É esta a filosofia de trabalho que pretendemos incutir aos nossos jogadores, que infelizmente são maltratados pelos próprios adeptos. As coisas não devem continuam assim, porque não aceito, como não admito", advertiu.

GIRABOLA ZAP
Treinador antevê fracasso


António Alegre deixou um aviso sério à direcção, no sentido de se apressar na resolução dos problemas que afligem a equipa, com realce para aquisição de reforços solicitados caso esteja interessada em realizar um Girabola Zap livre de qualquer percalço.

Sem qualquer demérito para o grupo de trabalho, confessou que os jogadores que a direcção colocou à disposição da equipa técnica, não garantem resultados para realizar uma campanha tranquila nesta temporada. 

"O único reforço a considerar como tal, é o Carlos, que actuou em grandes equipas como o 1º de Agosto, o Sagrada Esperança, entre outras agremiações de vulto no país. Muitos, dos que aqui estão, carecem de maturidade competitiva", admitiu.

Afirmou, que o campeonato nacional da primeira divisão, exige dos seus integrantes uma preparação e plantel à altura das exigências. "O Girabola é uma prova a levar a sério, nada de remediar. O presidente deve e pode dar solução a este problema que nos apoquenta", alertou.

Num tom de aflição, o técnico fez saber aos jornalistas (Jornal dos Desportos e Rádio Cinco) que a direcção não se posiciona como tal, diante das ameaças e insultos que os atletas e membros da equipa técnica são alvo dos adeptos descontentes pelos resultados (negativos) que sofremos nos últimos jogos - treino.

"Ao invés de insultar, os adeptos, associados, os empresários, a imprensa e os lobitangas de um modo em geral, deviam todos trabalhar em torno da Académica do Lobito. É o nosso clube, que a par com o 1º de Maio de Benguela, vai representar o futebol da província, na mais alta roda do futebol nacional. Por isso, deve ser bem tratada e acarinhada", realçou.

O seu apelo estendeu-se aos responsáveis dos clubes, e pede a estes, mais seriedade e responsabilidade nas suas atribuições, porque o sucesso das equipas dependem em grande parte da forma como estes preparam a época e lidam no decorrer da mesma com o grupo de trabalho.

"Os dirigentes do clube têm o papel principal de responder a algumas situações que os atletas vivem, ao invés de pedir e reclamar por resultados imediatos em pré-época", destacou.

PREPARAÇÃO
Atletas mantêm profissionalismo


A direcção da Académica do Lobito, abordada pela nossa equipa de reportagem,  prometeu reagir às declarações do treinador, em tempo oportuno, porque considera o assunto de fórum interno.

O JD apurou, que o desabafo não foi bem recebido na sede dos estudantes, e que António Alegre devia agir com ponderação quando faltam pouco dias para o início do campeonato nacional.

"Existem problemas na acomodação de atletas, porém, não é para tanto alarido. Ainda assim, a direcção está a fazer tudo o que está ao seu alcance para atender às preocupações do técnico", anunciou um dirigente.

De resto, apesar das águas agitadas nas belas praias da Restinga, a verdade é que a equipa está  a trabalhar sem interrupção, numa verdadeira demonstração de profissionalismo, no cumprimento das suas responsabilidades.

O Estádio do Buraco continua a registar uma moldura humana considerável, não obstante a forma pouco simpática com muitos adeptos lidam com o grupo de trabalho, que entretanto, acredita em dias melhores.

CARREIRA
Primeira experiência como técnico no país


Depois da experiência como comentador, António Alegre volta a pisar a relva para orientador a Académica do Lobito, naquela que é a primeira experiência como treinador em Angola.

De 53 anos, é natural do Huambo, iniciou a carreira nos escalões de formação do Sporting Clube de Portugal, partilhou o balneário com colegas como Paulo Futre, António Morato e Pedro Venâncio.

Dispensado para o Torriense, reencontrou Jesualdo Ferreira, técnico que enquanto esteve nas camadas jovens da Federação Portuguesa de Futebol, convocou-o para a Selecção Nacional de Portugal de iniciados e juvenil.

Na sua primeira época, no Esperança de Lagos, o actual treinador da Académica do Lobito foi utilizado com regularidade, e ajudou a equipa a terminar num tranquilo 12º lugar.

Três anos depois da passagem por Atlético Valdevez, Portosantense e Aljustrelense, Tony Alegre, como é tratado pelos mais próximos, regressa a Lagos e foi decisivo no desempenho da equipa ao longo da época.

Em 1993, devido a uma lesão no joelho, pôs um ponto final na sua carreira como atleta, para quatro anos depois abraçar uma nova experiência na sua vida, a de treinador das camadas jovens do Almancilensee, e mais tarde do Internacional de Almancil.

Depois da experiência como comentador no país, em Dezembro de 2016, assume o comando da equipa principal da Académica Petróleos Clube do Lobito, na sua primeira experiência como técnico de uma equipa sénior.