Jornal dos Desportos

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Reportagens

Altos e baixos do camisola dez

09 de Abril, 2012

Um exame revelou que o jogador usou substâncias químicas para se dopar

Fotografia: AFP

Diego Maradona é vastamente considerado um dos maiores, mais famosos e mais polémicos jogadores do século XX. Reunia inteligência, vontade e talento, com fintas, habilidade para mudar drasticamente a sua velocidade e dar piruetas surpreendentes.
Enquanto jogador, Maradona foi venerado como uma divindade no seu país natal, tendo até sido criada uma igreja dedicada a ele. O seu maior momento foi no Campeonato do Mundo de 1986, que na opinião popular foi ganha inteiramente por “El Pibe de Oro”, outra de suas muitas alcunhas.

Internacionalmente, Maradona consagrou-se como herói da equipa italiana do Napoli, um clube que, embora tradicional, estava entre os pequenos do país. Com “El Diez”, o Napoli viveu momentos de glória no final da década de 1980, ganhando os seus dois únicos títulos no campeonato italiano e lutando de igual para igual com as maiores equipas do país. A carreira de Maradona, porém, foi recheada de controvérsias, que não se limitaram aos relvados. As maiores delas relacionaram-se com o seu envolvimento com drogas, um vício que acabou por arruiná-lo nos relvados e que por algum tempo o deformou fisicamente.

Teve também dois filhos fora do casamento, que não reconheceu como seus. Além disso, sempre fez, com regularidade, declarações contra os bastidores da FIFA. A polémica trajectória do ídolo argentino teve um capítulo doloroso, quando, como técnico, viu a sua selecção ser eliminada no Mundial da África do Sul. Em quase 35 anos de carreira, Dieguito fez centenas de golos, ficou milionário e consagrou-se como a maior estrela dos relvados argentinos de todos os tempos. Consumido pelas drogas, a sua trajectória foi marcada por altos e baixos, chegando mesmo a ser apresentador de televisão. Em 1994, dançou o seu último tango.

Um exame revelou que o jogador usou substâncias químicas para se dopar. Estava praticamente encerrada a sua carreira de jogador. Mesmo assim, ainda ensaiou um regresso em 1995 e em 1997, quando foi contratado pelo Boca Juniores, mas uma vez mais foi surpreendido por um exame antidoping. Aos 37 anos, abandonou definitivamente os relvados, derrotado pelas drogas e declarou a uma revista Argentina em 1996: “Fui, sou e serei sempre um viciado.” Em 2005, a surpresa. Depois de passar vários dias num hospital com problemas cardíacos, consequência do uso da cocaína, Maradona conseguiu, mais uma vez, reinventar-se para os argentinos e estreou-se como apresentador de televisão, no programa “A Noite do Dez”. O convidado de honra era Pelé, com quem Maradona tem uma longa história de rusgas. Em tom de cordialidade, os dois maiores jogadores de futebol da história conversaram sem tensões.


PAULO FUTRE
A maior transferência do futebol luso

Formado no Sporting Clube de Portugal, Paulo Futre, na sua primeira época como profissional, aos 17 anos, esteve perto de ser emprestado à Académica de Coimbra, mas a direcção do clube de Alvalade optou por mantê-lo na equipa. Após incompatibilidades com a direcção leonina, transferiu-se para o Futebol Clube do Porto, onde em três épocas se notabilizou e conquistou dois campeonatos portugueses e uma Taça dos Campeões da Europa, com uma notável exibição diante do Bayern de Munique. Em 1987, transferiu-se para o Atlético de Madrid, naquela que foi, na época, a maior transferência do futebol português. Não conseguiu o sucesso desportivo que desejava, mas em termos individuais tornou-se um dos grandes símbolos de sempre do clube.

Cinco anos e meio depois de ir para Espanha, onde conquistou duas Taças do Rei, Futre regressou ao futebol português para representar o Benfica, numa polémica transferência paga com dinheiros públicos da RTP, quando dias antes o próprio tinha prometido o seu regresso ao Sporting. Ao serviço das águias, conquistou uma Taça de Portugal. Problemas de ordem financeira levaram-no a sair prematuramente do clube, transferindo-se para o Olympique de Marselha. A partir daqui, a carreira de Futre entra em declínio. Gravíssimas lesões levam-no a ter períodos de meses de inactividade, sendo forçado a terminar a carreira antes do desejado. Depois da fracassada experiência em França, ainda passou pelo futebol italiano, Reggina e AC Milan, e inglês, West Ham, sem nunca atingir os patamares de exibição que o notabilizaram. Em 2011, estreou-se como actor na novela “Laços de Sangue” onde, fazendo de si próprio, entrou na candidatura de Armando Coutinho à presidência do Ribeirense Futebol Clube, sendo Paulo Futre o director desportivo da equipa.


Rafael Nadal
Mais novo na Era Open

Rafael “Rafa” Nadal Parera é um tenista espanhol, ex-número um do ranking mundial masculino. Perdeu a posição a 24 de Outubro de 2011, e actualmente é o segundo classificado pela Associação de Ténis Profissional (ATP). É considerado um dos maiores tenistas de todos os tempos. O seu sucesso em terra batida fê-lo ganhar a alcunha de “Rei da Terra Batida”, levando muitos especialistas a considerá-lo o maior jogador nesse piso da história. Nadal venceu dez títulos individuais de Grand Slam – incluindo seis Opens da França –, a medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008, 19 títulos em torneios ATP World Tour Masters 1000, e também fez parte da Equipa Espanhola da Taça Davis, que venceu as finais de 2004, 2008, 2009 e 2011. Venceu todos os Grand Slams, o que fez dele o sétimo tenista da história e o mais novo na Era Open a realizar tal feito. Também é o segundo jogador masculino a completar o Golden Slam (vencer os quatro Grand Slams e também os Jogos Olímpicos), depois, apenas, de André Agassi. No Open da França, de 46 partidas, que disputou, venceu 45, tendo uma percentagem de 97,83 por cento em vitórias no torneio, um recorde até aos dias de hoje.


Wilt Chamberlain
A estrela da NBA

Chamberlain sabia como controlar o seu corpo e as suas emoções, assim o prova o seu surpreendente recorde de uma única expulsão por acumulação de faltas em mais de 1.200 jogos, em 14 anos de carreira. Logo depois, Chamberlain não se retirou, aprendeu a suportar o castigo e superou-o. Dominava o jogo como poucos jogadores na história de qualquer modalidade e os seus números comprovam-no. Os livros de recordes estão cheios de vitórias de Chamberlain. Ele é o único jogador da NBA a marcar quatro mil pontos numa temporada. O dia 2 de Março de 1962 ficou registado como a data em que marcou 100 pontos num jogo, além de conservar a marca de mais tiros de média distância encestados de forma consecutiva, com 18, e mais ressaltos, com 55.

Mas talvez a sua estatística mais surpreendente seja a média de 50,4 pontos por jogo na 61-62, e se não for esse, então possivelmente foram os 48,5 minutos jogados por partida na média da mesma campanha. Ele é o segundo de todos os tempos, atrás somente de Abdul-Jabbar, em pontos consecutivos com 31.419, e o líder de ressaltos com 23.924. Encabeçou a NBA em pontos marcados em sete anos consecutivos, foi o líder de ressaltos da liga em 11 das suas 14 temporadas, e se por acaso tivesse de provar que não foi um jogador egoísta, Chamberlain ganhou o maior número de assistências da NBA num torneio 67-68.