Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Ambiciono jogar numa equipa grande"

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 20 de Novembro, 2017

Kissi disputou nove dos 15 jogos na segunda volta do Girabola Zap 2017 e sofreu cinco golos

Fotografia: Jornal dos Desportos

O sucesso do Clube Desportivo da Huíla (CDH) no Girabola Zap, competição em que terminou na oitava posição na tabela de classificação, com 41 pontos, teve o contributo do guarda-redes Kingsley Kofi Kissi, de nacionalidade ghanense, contratado pela direcção do grémio da Região Militar Sul ao Santa Rita de Cássia FC do Uíge na segunda volta do campeonato.  
De 22 anos de idade, o ghanês que disputou nove dos 15 jogos na segunda volta e sofreu apenas cinco golos, três dos quais na derrota diante do 1º de Agosto, almeja jogar, num futuro breve, numa equipa que luta pela conquista do título, entre elas o bicampeão e o Petro de Luanda. Mas, por enquanto, segundo disse em entrevista ao Jornal dos Desportos, porque ainda tem contrato com o Desportivo da Huíla, que termina em Novembro do próximo ano, espera dignificar as cores do grémio que representa.  
"O sonho de qualquer jogador é começar a jogar numa equipa que luta sempre pela permanência num campeonato para no futuro pensar jogar numa equipa grande. No dia 20 de Julho deste ano, completei 22 anos, por isso, acho que ainda tenho muito futuro pela frente. Ainda tenho contrato com o Desportivo da Huíla (até Novembro de 2018) e a ambição, como todo jogador profissional, é jogar também numa equipa grande. Este também é o meu sonho em Angola, ou seja, actuar no 1º de Agosto, no Petro de Luanda ou outras equipas que lutam pela conquista do título. Mas por ter ainda contrato com o Desportivo da Huíla, agora que terminou a época desportiva, nos próximos dias vou de férias ao meu país (Ghana). Depois, voltar e continuar a jogar e esperar o que Deus reserva para o meu futuro. Quando temos contrato assinado com um clube, há normas por cumprir", disse.
O guarda-redes ghanês, que esteve em grande ao longo da época de 2017, quer em defesa do Santa Rita de Cássia FC do Uíge (na primeira volta do Girabola Zap), como do Clube Desportivo da Huíla (na segunda etapa da prova), mostrou-se satisfeito com o desempenho dos militares huilanos no campeonato e disse que o sucesso é fruto de uma direcção forte, de uma equipa técnica coesa e de um plantel com jogadores unidos e dedicados ao trabalho.    
"Qualquer equipa para ter sucesso tem que ter uma direcção forte, uma equipa técnica coesa e jogadores dedicados e unidos. As condições de trabalho também são fundamentais. É o que aconteceu com o Desportivo da Huíla. Tivemos uma direcção que sempre preocupou-se com o grupo. Em todas as sessões de treinos tínhamos sempre presente um membro de direcção, como o director administrativo Ezequias Domingos, o responsável pelo futebol, Bebé, e o acompanhamento milimétrico de outros dirigentes da agremiação. Temos um treinador dinâmico (Mário Soares), exigente e que estuda sempre a forma como os adversários jogam. Esses pormenores permitiram com que a equipa saísse bem dura a época finda", referiu.
A integração do guarda-redes Kissi no Desportivo da Huíla foi possível graças o dinamismo do director administrativo, Ezequias Domingos, de quem Kissi agradece, assim como aos treinadores e colegas pela maneira como o receberam.
"Quero agradecer o director administrativo do Clube Desportivo da Huíla (Ezequias Domingos), pelo facto de ter tornado possível a minha integração na equipa, os membros do clube, o treinador Mário Soares e toda equipa técnica, assim como os meus colegas, porque sem eles eu não conseguira os feitos que alcancei. Fomos e somos um grupo unido, fruto disso, são os bons resultados que alcançámos na época finda", sublinhou.

SATISFAÇÃO
Lubango encanta guardião ghanense


O ambiente que Kiss encontrou na cidade do Lubango, capital da Huíla, ajudou na sua integração no Clube Desportivo e na obtenção do sucesso em defesa das cores do grémio militar da Região Sul. Por isso, o guarda-redes ghanês diz sentir-se feliz e que já fez muitos amigos e uma família.
"O Lubango é uma cidade muito bonita. Gostaria que outros jogadores estrangeiros, como eu, viessem conhecer a cidade, porque vai encontrar lugares turísticos lindos e um clima favorável à prática desportiva. Estou feliz por estar aqui e visitarei sempre essa província mesmo que um dia vir a jogar numa outra equipa. Pelo Desportivo, fiz família e amigos no Lubango", disse.
Com 22 anos de idade, Kissi foi convocado uma vez para representar a selecção de Sub-20 do Ghana, porém, não chegou a jogar. Assim, questionado que caso Angola tenha intenção de contar com os seus préstimos para representar as suas selecções, assegurou estar pronto, uma vez nunca ter representado o seu país. 
" (Risos…) Nunca representei nenhuma selecção no meu país. Caso haja esse interesse de Angola, o país tem a sua Constituição. E se as autoridades manifestarem esse interesse, estou pronto. Aliás, uma vez já fui convidado para jogar pela Selecção de Sub-20 do Ghana, mas não joguei. Como nunca joguei em nenhuma selecção do meu país, se houver aqui uma oportunidade dessa, quem sabe, posso aceitar", rematou.
Antes de receber o convite do Santa Rita de Cássia FC do Uíge para representar o emblema angolano na primeira divisão, Kissi jogou por duas épocas na segunda divisão do Ghana, tendo representado a equipa do Dambort FC. De 2010 a 2011, representou o Clube Tudo Mighty Jet. Actuou também pelo Hearts of Oak SC e pelo Internacional Allies.     

CONSTATAÇÃO
“Angola deve trabalhar duro
para regressar ao Mundial”


A realidade do campeonato angolano da primeira divisão, Girabola Zap, contrasta com as opiniões que se tem no Ghana. Segundo o guarda-redes Kissi, do Clube Desportivo da Huíla, que chegou ao nosso país pelo Santa Rita de Cássia FC do Uíge, a competição tem nível e jogadores com muito valor.
A ausência da selecção principal de Angola nos Mundiais, depois do feito de 2006, e Campeonato Africanos das Nações (CAN) são apontados como factores que levam o futebol angolano para baixo, de acordo com o guarda-redes ghanês.
"Quando recebi o convite para jogar em Angola, muitas pessoas diziam que não valia apenas, porque o futebol está a ir abaixo e justificavam a ausência do país nos mundiais e nas provas africana. A crise económica que afecta o mundo, também é um dos factores que está a ser indicado por algumas pessoas no estrangeiro, principalmente no Ghana, sobre o baixo nível do campeonato angolano. Contudo, encontrei uma realidade  diferente,  porque quem joga no Girabola vê boa qualidade. Ainda assim, Angola deve trabalhar muito para regressar ao Mundial e aos CAN", sustentou.   Questionado sobre as razões da bola qualidade do futebol angolano e do Girabola Zap, Kissi disse que resulta da aposta que os clubes fazem na formação, pois, vê-se muitos jovens nas equipas principais.
"As equipas que competem no Girabola Zap são compostas por jovens, muitos deles oriundos das escolas de formação que os clubes têm. Os jovens querem aparecer para se impor não só nas equipas de Angola mas da África e da Europa. Ainda em Angola, há jogadores que actuaram em muitos clubes e com experiência aceitável. Associando-se a presença de jogadores vindos do Brasil, Portugal, Cabo Verde, Camarões, Nigéria e Ghana, só para citar esses, faz com que a prova seja competitiva. A presença dos técnicos estrangeiros e nacionais com tarimba no futebol é também um contributo positivo para o desenvolvimento do futebol angolano", referiu.

AVALIAÇÃO
Kissi considera Girabola competitivo 

O Girabola Zap é uma prova bastante competitiva na opinião do guarda-redes Kissi, do Clube Desportivo da Huíla, que este ano, ao serviço do Santa Rita de Cássia FC do Uíge, na primeira volta, fez a sua estreia no campeonato angolano da primeira divisão.
O número de equipas que o Girabola Zap movimenta , 16, é o mesmo do principal do campeonato do Ghana, mas a grande diferença entre o futebol angolano e o ghanês, segundo Kissi, está no facto de a competição da segunda divisão ser disputada por zonas, o que perfaz muitas formações.
"O campeonato angolano é muito competitivo. Com isso, o espírito que deve reinar é o de ganhar sempre. O Girabola Zap tem 16 equipas, com 30 jogos divididos em duas voltas. Isto, espelha bem a competitividade do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão. É o mesmo número que há no meu país, o Ghana. A diferença está nos clubes que temos na segunda divisão, que é jogado por zonas, o que perfaz muitas equipas. Mas a avaliação que faço do futebol angolano, principalmente na primeira divisão, é positiva", referiu.
Com base nisso, de acordo ainda com o guarda-redes dos militares da Região Sul, quem joga no Girabola Zap tem que ser forte do ponto de vista da mentalidade, pois a competição é bastante exigente.
"A minha mentalidade futebolística é o árduo trabalho. Sempre que entro numa competição o objectivo é ganhar. Para quem joga em Angola, tem que ter a mentalidade da competitividade porque as coisas não são fáceis. Estou a me referir ao nível competitivo entre jogadores para conseguir lugares nas suas respectivas equipas e não só. Posso considerar ser um campeonato de topo porque até os árbitros são rigorosos, o que faz com que as formações devem se empenhar para ganhar jogos. Qualquer jogador que vem jogar em Angola tem que estar consciente das dificuldades em termos de competitividade que vai encontrar. Também em Angola quando nos referimos em termos de fair play é um dos melhores nesta vertente. Há muito respeito dos jogadores nacionais para com os estrangeiros e vice-versa", disse.

“ Jogo diante do Petro foi o mais difícil ”

O jogo diante do Petro de Luanda, disputado no Lubango, em que os militares da Região Sul venceram por duas bolas a zero, foi o mais difícil que o guarda-redes Kissi teve pela frente já na condição de atleta do Clube Desportivo da Huíla (CDH), pois, foi a primeira fez que defrontou os tricolores e apenas conhecia a ambição e a qualidade do plantel treinado por Beto Bianchi.
"O jogo que disputámos em casa, diante do Petro de Luanda, foi o mais difícil de todos, já na condição de guarda-redes do Desportivo da Huíla, pelo facto de ter sido a primeira vez a defrontar o vice-campeão nacional. Não conhecia os jogadores, mas sabia da ambição e da qualidade dos atletas e do treinador que na altura era também o seleccionador dos Palanca Negras. Todavia, o conjunto estava consciente das dificuldades que iria encontrar naquela partida, mas conseguimos superar e saímos vitoriosos", disse.
Os duelos diante do Kabuscorp do Palanca e do 1º de Agosto, quando ainda defendia as cores do Santa Rita de Cássia FC do Uíge, foram igualmente "missões difíceis" para o guarda-redes ghanês, principalmente contra o campeão, em que perderam por 1-0, em Luanda.
"Os outros jogos difíceis, quando actuei pelo Santa Rita de Cássia, foram diante do 1º de Agosto e do Kabuscorp do Palanca. Quero dizer que no jogo frente ao 1º de Agosto, realizado no Estádio Nacional 11 de Novembro, em Luanda, perdemos por 1-0. Foi um jogo difícil porque eu não tive descanso. Desde o primeiro minuto até ao fim da partida a pressão por parte dos militares foi forte, o que me obrigou por várias vezes a defesas de recurso. Depois deste jogo, senti-me cansado no hotel onde estávamos  hospedados. Outra partida difícil, foi a que realizámos com o Kabuscorp do Palanca, no Uíge, onde empatamos a uma bola". sublinhou.                      GH