Jornal dos Desportos

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Reportagens

Analisados em Benguela problemas do desporto local

10 de Junho, 2015

Terminou com a promessa que me breve voltaria à província Benguela, mas desta vez, já com mais directrizes, esperando nessa altura ver algo de positivo.

Fotografia: Jornal dos Desportos

No passado 8 de Maio de 1979 (do século XX), o camarada Pedro Augusto, antigo Director Geral da Juventude e Desportos deslocou-se à cidade de Benguela, para uma visita de trabalho de dois dias, em que na qual teve a oportunidade de reunir com os responsáveis pela Juventude benguelense e também, com desportistas locais.

Durante o encontro de trabalho aquela província, fez-se referência ao colóquio realizado com os desportistas, ao que levou a um debate livre e aberto, voltado ao futuro do desporto local, em um dos salões do auditório da Emissora Regional de Benguela do Grupo Rádio Nacional de Angola, a segunda-feira de noite.

Apesar de naquela altura se notabilizar durante o acto, uma presença bastante reduzida, tendo em conta a familiaridade dos presentes em reuniões de carácter desportivo, o camarada Pedro Augusto ainda assim expôs, o que se pretendia com a actividade desportiva, tanto a nível provincial, como nacional.  E por isso tinha começado, um novo ciclo para o crescimento do desporto angolano. Incentivou a pratica de toda modalidade desportiva e também fez, algumas promessas levando os participantes ao colóquio a acreditarem em dias melhores.

De forma a incentivar a pratica do desporto naquela parcela do território nacional, propôs o que já se tinha pensado pelos benguelenses que era: a realização de torneios em todas as modalidades possíveis, entre bairros, depois entre concelhos (comunas e municípios) e depois, entre províncias para no final se realizar uma nível Nacional.

No entanto, ficou acordado que cada avanço que se verificar, apurar-se-á sempre uma selecção das equipas eliminadas para a acompanhar a equipa vencedora, pois nesta altura, o país já vivia os seus primeiros quatro anos de independência e por esta razão, estava mergulhada em tempos de REVOLUÇÃO e que era preciso revolucionar também, o desporto.

Esta responsabilidade levou então o antigo, Director Geral da Juventude e Desportos a escolher, o responsável do desporto da JMPLA da província de Benguela, Artur Teixeira para se encarregar da Comissão Coordenadora Provincial de Desporto de formas a começar a trabalhar com rigor e muita dedicação.

Seguidamente, o colóquio com os desportistas ganhou maior diálogo, em que na qual, ficou em aberto a perguntas e respostas, tendo interferidos por dirigentes, desportistas, árbitros e adeptos do desporto a que o camarada Pedro Augusto a todos respondeu. Por isso, fez lembrar que todos os recintos existentes na província de Benguela,  são poucos para a pratica do desporto e que portanto, será necessário haver uma colaboração dos clubes para que possam ajudar os responsáveis do desporto local.

O responsável assegurou também que, se for preciso " arrancar" com o desporto, que se passe por cima de "certas" burocracias dentro da disciplina e orientação definitivas. "Não há material, pois a Direcção Geral irá ajudar, mas o que é preciso, é começar-se", reforçou. Durante o encontro de trabalho da delegação vinda da capital do país para Benguela,  foram levantados vários problemas entre os quais as dificuldades que os clubes atravessam, já que todos eles tinham sido "visitados" pelos "AMIGOS DO ALHEIO".

Deram-se soluções e outras ficaram pendentes para que o toque final seja dado em Luanda. O camarada Pedro Augusto frisou ainda que o desporto vai ser uma realidade em Angola, ainda que muitos obstáculos tenham de ser ultrapassados. "O que é preciso é criar-se e fazer-se um desporto sã no nosso país".

Informou ainda aos presentes que foi convidada uma selecção angolana de futebol para se deslocar em mês de Julho daquele ano, a República de São Tomé e Príncipe. Mas que "essa selecção só irá se for mesmo à Selecção de Angola". Terminou com a promessa que me breve voltaria à província Benguela, mas desta vez, já com mais directrizes, esperando nessa altura ver algo de positivo.

FIGURA
TREINADOR DE FUTEBOL
Nzuzi André

O nome de Nzuzi André está directamente ligada com o futebol de formação, desde a sua tenra idade. Ainda criança e na condição de refugiado, juntamente com os pais e outros angolanos na altura a residirem na vizinha República Democrática do Congo, este filho de Angola, hoje na condição de seleccionador nacional de sub-17 em masculino, confessa que trabalhar com escalões de formação é o maior mérito de sua vida.

Ex- internacional pelos Palancas Negras, com passagem pelos 1º de Maio de Benguela e também pelo Petro de Luanda, Nzuzi André sente-se realizado por continuar a contribuir de forma positiva na rica história do nosso país. Natural da Maquela de Zombo, província do Uíge, Nzuzi André é a figura escolhida para a edição de hoje do Angola 40 anos, em que se comemora a 11 de Novembro as festividade da independência nacional

Já era desportista antes da  1975?

Ainda não era desportista, primeiro porque a oportunidade de singrar na vida tem mais relevância no seu país de origem, pois nesta altura eu e tantos outros angolanos, vivíamos como refugiados na vizinha República Democrática do Congo e por outro lado, assenta-se na idade que antes da independência eu tinha. Isto me impossibilitava de ser desportista, apenas foi no pós 1975 que comecei a dar os meus primeiros passos.

Com a independência sentiu-se realizado enquanto desportista?
Sim, recordo-me com nostalgia de que, por esta altura o país despontava para a realização dos novos sonhos que é, de uma Angola verdadeiramente livre. E de certa forma esta mudança fez com que cada um de nós, procurasse dar o seu melhor, contribuir para o melhor na nossa terra. E foi com este pensamento optimista que, o desportista, engenheiro, carpinteiro, camponês, professor entre outras profissões, cada um, procurou realizar o seu sonho que é, dar o melhor para Angola.   

Mas prevaleceu a paixão pelo desporto?
Enquanto estiver em vida e em condições psico-emocional e também física em gozo de boa saúde, prevalecerei eternamente. A paixão ao desporto é uma responsabilidade que a vida me deu, ontem, atleta e hoje, formador de escalão inferior, tudo isso faz com que a cada dia, tenhamos mais vontade de nos apaixonarmos para o bem do desporto em particular do futebol onze, a modalidade considerada "rainha".

É tempo considerável, como é visto nessa modalidade?
Penso que sim, pois no uso das minhas obrigações para com o futebol nacional, procuro sempre me apresentar da melhor forma positiva de maneiras a que, consigo também mostrar o melhor através dos formandos. Neste capítulo tenho a dizer ainda que, sempre que posso, tenho o apoio constante dos meus colegas para que juntos consigamos trabalhar a mística do futebol de outrora. Ou melhor, aquele futebol que se praticava no pós independência que emotivamente levava multidões em grande número aos estádios.

O que mais o marcou ao longo destes anos de independência nacional?
 Consideravelmente tenho apenas a dizer que, ao longo destes anos de independência nacional, muitos acontecimentos marcaram a minha vida e um deles é sem sombra de dúvidas a construção de infra-estrutura de estádios e campos em todo território nacional. Um facto crescente que tem em grande medida incentivado as crianças a pratica do desporto, quer nas aldeias, comunas, municípios e províncias.

O futebol tem sido um momento especial na sua actividade?
O futebol é a profissão que tenho nessa vida, tenho ela como o meu único ganha pão. Portanto, faço desta modalidade um amigo inseparável, isto é, respeitar em primeiro lugar o plano de trabalho, as crianças, adolescentes e jovens, sãos estes os atletas que sempre gostei de trabalhar e por outro lado o adversário, uma vez que o futebol é realmente uma modalidade surpreendente de onde o jogo só termina após o apito final.