Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Angolanos realçam ganhos

Mário Eugénio em Portugal - 13 de Agosto, 2013

Baptista João valoriza o investimento que está a ser feito pelo Executivo no sector social

Fotografia: Jornal dos Desportos

Angolanos residentes em Portugal, mais precisamente na sua capital, Lisboa, manifestam-se solidários com os esforços do Executivo na organização do 41º Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que o país acolhe de 20 a 28 de Setembro nas cidades de Luanda e do Namibe. Com esse evento, acreditam que a imagem de Angola sai reforçada e os concidadãos vão ganhar muito com a reabilitação e a construção de infra-estruturas.Há 14 anos a viver em Portugal, depois de ter imigrado em 1999, ido de Luanda, mais precisamente do Distrito do Sambizanga, José Soares é de opinião que os grandes eventos trazem sempre benefícios, porque permite a realização de muitas obras que ajudam a melhorar a imagem do país e o Mundial de Hóquei é mais um exemplo.

“Sempre que há grandes realizações, o país ganha com isso. Temos exemplos dos Afrobasket, dos CAN,s  de  andebol e de futebol que trouxeram o aumento de  infra-estruturas desportivas e como consequência a melhoria de um conjunto de serviços que beneficiam a população”, referiu.Agora, com a realização do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, José Soares, 38 anos de idade, segurança de profissão, realça a construção dos três pavilhões multiusos, hotéis, melhoria de serviços, o que na sua opinião “demonstra a atenção que o Executivo presta às questões sociais para elevação da vida das populações” e ajudam a dar a conhecer ao mundo “os avanços que o país tem revelado, fruto do grande crescimento económico”. Baptista João, 34 anos de idade, 12 dos quais em terras de Luís Camões, alinha no mesmo diapasão, o angolano trabalha no ramo da construção civil, acredita que o Mundial vai contribuir para o desenvolvimento do país não só na área do desporto, que ganha novas e imponentes infra-estruturas, mas de outros sectores, como o social e o económico.

“Mesmo que não tenha a dimensão de um Campeonato do Mundo de futebol, acredito que temos muitas vantagens com a realização desse mundial. Além dos pavilhões, deslocam-se muitos turistas e empresários, os novos hotéis vão gerar emprego, as pessoas sentem mais orgulho e tudo isso é bom para o nosso país e para o crescimento da nossa economia”, justificou.Quanto às hipóteses da Selecção Nacional na prova, os interlocutores do Jornal dos Desportos são unânimes na análise de que o importante é honrar o país e os angolanos com uma boa participação.

“Sabemos que ainda não estamos em condições de disputar o título, mas a jogar em casa podemos procurar subir ao pódio e tentar ficar pelo menos em terceiro lugar”, disse José Soares, cuja opinião foi corroborada por Baptista João: “penso que se melhorarmos a classificação anterior já vai ser muito bom. Com a ajuda do público, podemos fazer um bom mundial”.Tal como José Soares e Baptista João, vários outros angolanos alinham no discurso de que Angola vai sair a ganhar com mais esta organização desportiva, depois de ter já albergado os Campeonatos Africanos de basquetebol, andebol e futebol. Todos reconhecem que a imagem do país vai ser projectada a nível mundial.

VALTER NEVES
Capitão dos “Ursos”elogia pupilos de Graça


Defesa/médio de posição e com 117 internacionalizações, Valter Neves é um dos mais experientes jogadores da selecção portuguesa, adversária de Angola na primeira fase do Campeonato do Mundo.Em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, em Lisboa, o capitão dos “Ursos” disse conhecer bem os seus colegas angolanos, tanto os que já jogaram em Portugal como os que jogam em Angola.Conheço muito bem todos os jogadores da Selecção Angolana, não só os que já passaram por cá e tiveram mais tempo, mas também aqueles que sempre jogaram em Angola. São jogadores que têm o seu valor e com certeza vão fazer de tudo para dignificar a Selecção de Angola da melhor maneira”, disse quando questionado sobre o valor dos anfitriões.

A disputa pela primeira vez do Campeonato do Mundo em África mereceu igualmente um ponto de vista do defesa/médio de 29 anos de idade. “É positivo que o Campeonato do Mundo tenha ido para África pela primeira vez. Muito jogadores já estiveram em outras competições no continente e penso que se conseguiu produzir uma grande simbiose com o público. Verificámos que o povo angolano gosta muito de hóquei em patins e vai ser uma grande satisfação para muitos de nós poder disputar este Campeonato do Mundo em África e em particular em Angola”. disse.

Com relação ao grupo C, fez uma análise mais alargada, referiu ser um grupo competitivo, em que a África do Sul é a selecção menos cotada.“É um grupo muito competitivo, onde apenas duas selecções podem passar à fase seguinte. Angola por jogar em casa e por ter a volta de si toda a envolvência da organização vai ser um adversário muito difícil, mas há também o Chile que não devemos descurar. Portanto, é um grupo que merece ser encarado com muita seriedade, não há um adversário específico que o encare como o mais difícil; penso que há apenas uma equipa que é mais acessível em termos competitivos que é a África do Sul”, explicou. MÁRIO EUGÉNIO | EM LISBOA

PORTUGAL
Preparação começa na próxima semana


A selecção de Portugal começa a preparar o Campeonato do Mundo na próxima semana, com um estágio de quatro semanas, em Lisboa, no pavilhão Luso, com sessões bi-diárias. A preparação prossegue depois em Angola para onde se desloca a 15 de Setembro. Luís Sénica, o seleccionador, detalha o que os “Ursos” vão fazer até a véspera do mundial.“Vamos ter quatro semanas de estágio em Portugal com treinos bi-diários e folga aos fins-de-semana. Pensamos fazer um total de quatro jogos com um nível de progressão em termos de grau de dificuldades, começa-se com equipas da segunda divisão e o fecho com uma da primeira divisão.

Entre 15 e 16 de Setembro, partimos para Luanda, onde pensamos fazer apenas mais uma semana de trabalho e realizar um jogo de preparação com uma equipa de Luanda com a qual estamos ainda a dialogar no sentido de se concretizar. Queremos uma rápida adaptação, não tanto em termos de fuso horário, mas em termos de envolvência, conhecer os pavilhões, o ambiente, o trânsito, enfim para que estejamos muito bem preparados”, disse.
MÁRIO EUGÉNIO | EM LISBOA

OS URSOS
Pavilhão do Luso
serve de ensaio


O pavilhão municipal do Luso é o local escolhido para o estágio da selecção portuguesa sénior masculina de hóquei em patins, entre 19 de Agosto e 13 de Setembro, visando a sua participação no campeonato do Mundo a decorrer nas cidades de Luanda e do Namibe.Durante este período, os “Ursos” farão quatro partidas de preparação com o clube AA Coimbra, no dia 29 do corrente, CP Sobreira, no dia 4 de Setembro, AD Sanjoanense, no dia 5 de Setembro, e HC Turquel, no dia 10 de Setembro.

A equipa é integrada pelos atletas Ricardo Silva, André Girão, Pedro Henriques, Valter Neves, Ricardo Barreiros, Jorge Silva, Diogo Rafael, João Rodrigues, Ricardo Oliveira, Hélder Nunes, Gonçalo Alves, Luís Viana e José Costa.À cabeça da equipa técnica vai estar Paulo Rodrigues, com o apoio de Luís Sénica (seleccionador), Nuno Ferrão (treinador adjunto) António Sousa (médico), Daniel Cunha (enfermeiro) e Hermínio Carrilho (técnico de equipamentos).

A selecção portuguesa joga na primeira fase do 41º Campeonato do Mundo, inserida no Grupo C, e inicia a sua campanha frente ao Chile, no dia 22 de Setembro, medindo depois forças com a África do Sul, no dia 23, e encerra com a anfitriã no dia 24. No grupo A, a Espanha (campeã do Mundo em título) está com as selecções do Brasil, da Áustria e da Suíça. Argentina, França, Alemanha e Inglaterra completam o Grupo B, enquanto a Itália, Colômbia, EUA e Moçambique ocupam o Grupo D.

Angolanos realçam ganhos

Angolanos residentes em Portugal, mais precisamente na sua capital, Lisboa, manifestam-se solidários com os esforços do Executivo na organização do 41º Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que o país acolhe de 20 a 28 de Setembro nas cidades de Luanda e do Namibe. Com esse evento,acreditam que a imagem de Angola sai reforçada e os concidadãos vão ganhar muito com a reabilitação e a construção de infra-estruturas.Há 14 anos a viver em Portugal, depois de ter imigrado em 1999, ido de Luanda, mais precisamente do Distrito do Sambizanga, José Soares é de opinião que os grandes eventos trazem sempre benefícios, porque permite a realização de muitas obras que ajudam a melhorar a imagem do país e o Mundial de Hóquei é mais um exemplo.

“Sempre que há grandes realizações, o país ganha com isso. Temos exemplos dos Afrobasket, dos CAN,s  de  andebol e de futebol que trouxeram o aumento de  infra-estruturas desportivas e como consequência a melhoria de um conjunto de serviços que beneficiam a população”, referiu.Agora, com a realização do Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, José Soares, 38 anos de idade, segurança de profissão, realça a construção dos três pavilhões multiusos, hotéis, melhoria de serviços, o que na sua opinião “demonstra a atenção que o Executivo presta às questões sociais para elevação da vida das populações” e ajudam a dar a conhecer ao mundo “os avanços que o país tem revelado, fruto do grande crescimento económico”. Baptista João, 34 anos de idade, 12 dos quais em terras de Luís Camões, alinha no mesmo diapasão, o angolano trabalha no ramo da construção civil, acredita que o Mundial vai contribuir para o desenvolvimento do país não só na área do desporto, que ganha novas e imponentes infra-estruturas, mas de outros sectores, como o social e o económico.

“Mesmo que não tenha a dimensão de um Campeonato do Mundo de futebol, acredito que temos muitas vantagens com a realização desse mundial.Além dos pavilhões, deslocam-se muitos turistas e empresários, os novos hotéis vão gerar emprego, as pessoas sentem mais orgulho e tudo isso é bom para o nosso país e para o crescimento da nossa economia”, justificou.Quanto às hipóteses da Selecção Nacional na prova, os interlocutores do Jornal dos Desportos são unânimes na análise de que o importante é honrar o país e os angolanos com uma boa participação.

“Sabemos que ainda não estamos em condições de disputar o título, mas a jogar em casa podemos procurar subir ao pódio e tentar ficar pelo menos em terceiro lugar”, disse José Soares, cuja opinião foi corroborada por Baptista João: “penso que se melhorarmos a classificação anterior já vai ser muito bom. Com a ajuda do público, podemos fazer um bom mundial”.Tal como José Soares e Baptista João, vários outros angolanos alinham no discurso de que Angola vai sair a ganhar com mais esta organização desportiva, depois de ter já albergado os Campeonatos Africanos de basquetebol, andebol e futebol. Todos reconhecem que a imagem do país vai ser projectada a nível mundial.

VALTER NEVES
Capitão dos “Ursos”elogia pupilos de Graça


Defesa/médio de posição e com 117 internacionalizações, Valter Neves é um dos mais experientes jogadores da selecção portuguesa, adversária de Angola na primeira fase do Campeonato do Mundo.Em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, em Lisboa, o capitão dos “Ursos” disse conhecer bem os seus colegas angolanos, tanto os que já jogaram em Portugal como os que jogam em Angola.“Conheço muito bem todos os jogadores da Selecção Angolana, não só os que já passaram por cá e tiveram mais tempo, mas também aqueles que sempre jogaram em Angola. São jogadores que têm o seu valor e com certeza vão fazer de tudo para dignificar a Selecção de Angola da melhor maneira”, disse quando questionado sobre o valor dos anfitriões.

A disputa pela primeira vez do Campeonato do Mundo em África mereceu igualmente um ponto de vista do defesa/médio de 29 anos de idade.
“É positivo que o Campeonato do Mundo tenha ido para África pela primeira vez. Muito jogadores já estiveram em outras competições no continente e penso que se conseguiu produzir uma grande simbiose com o público. Verificámos que o povo angolano gosta muito de hóquei em patins e vai ser uma grande satisfação para muitos de nós poder disputar este Campeonato do Mundo em África e em particular em Angola”. disse.

Com relação ao grupo C, fez uma análise mais alargada, referiu ser um grupo competitivo, em que a África do Sul é a selecção menos cotada.“É um grupo muito competitivo, onde apenas duas selecções podem passar à fase seguinte. Angola por jogar em casa e por ter a volta de si toda a envolvência da organização vai ser um adversário muito difícil, mas há também o Chile que não devemos descurar. Portanto, é um grupo que merece ser encarado com muita seriedade, não há um adversário específico que o encare como o mais difícil; penso que há apenas uma equipa que é mais acessível em termos competitivos que é a África do Sul”, explicou.

Turistas mostram desconhecimento


A pouco mais de um mês do início do 41º Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, que se disputa pela primeira vez no continente africano, mais concretamente em Angola, de 20 a 28 de Setembro, nas cidades de Luanda e do Namibe, algumas pessoas continuam a manifestar desconhecimento da realização, no nosso país, do magno evento. Apesar de o Comité Organizador do Mundial (Cohóquei) ter realizado por alguns países uma campanha de publicitação da organização deste campeonato, as evidências mostram que há ainda quem não saiba que África e Angola vão estar no centro das atenções a partir do próximo mês de Setembro.

Cidadãos de Itália, Espanha, Brasil e Moçambique, só para citar estes, interpelados pela reportagem do Jornal dos Desportos, em Lisboa, revelaram total desconhecimento da realização, este ano, do Mundial de Hóquei e, mais do que isso, que as selecções dos seus países estão presentes.David Gonzalez, espanhol de nacionalidade, além de ignorar que este ano é disputado o Campeonato do Mundo, também não sabia que a Espanha é a detentora do título mundial.

“Que eu saiba, a Espanha é campeã mundial de futebol. É novidade para mim saber que também somos campeões mundiais de hóquei em patins”, disse, quando instado a perspectivar a presença do seu país no Mundial de Angola.Questionado se não tinha ouvido falar da realização em África do primeiro Campeonato do Mundo de Hóquei, o jovem espanhol de 23 anos foi peremptório: “Desconheço. Nunca ouvi falar da realização deste certame”.

Gonzalez tem uma justificação para estar alheio a tudo isso. “Em Espanha os desportos mais populares são o futebol e o basquetebol. Destes temos maior conhecimento e acompanhamos mais as informações. Do hóquei não sei nada”, confessou.Apesar disso, enaltece o facto de o continente africano acolher mais uma realização desportiva depois do Mundial de Futebol em 2010, na África do Sul. “É bom. Acho que África tem condições para organizar qualquer tipo de acontecimento, basta que se lhe dê oportunidade, como aconteceu com o Mundial de Futebol”.

Alex Ongaro é italiano e estava em Portugal a passar as últimas horas depois de alguns dias a desfrutar o Verão de Lisboa. Abordado para uma breve análise sobre o Mundial, o estudante, de 20 anos, que reside em Milão, não sabia nem do campeonato nem que a selecção italiana vai a Angola como uma das favoritas ao título.“Desculpe, mas eu não sei nada disso. Sinceramente, não sou adepto e não acompanho o hóquei; gosto de futebol, é o desporto mais apreciado na Itália pela maioria”, disse.

Tal como Gonzalez, Ongaro regozija-se com o facto de o Campeonato do Mundo ser disputado pela primeira vez em África e disse acreditar que Angola pode fazer uma excelente organização. “Já ouvi falar de Angola, sei que fica em África. Acredito que pode ser um grande campeonato. África já mostrou que pode fazer muito mais.”Também os nacionais do Brasil e Moçambique ouvidos pela reportagem deste Jornal revelaram o mesmo desconhecimento quer quanto à realização do Campeonato do Mundo por Angola, quer quanto à presença das respectivas selecções na prova. Evandro de Sousa, brasileiro, e Jaime Mucuanhe, moçambicano, vivem em Portugal há mais de seis anos. Nem mesmo o facto de os “Ursos” (selecção portuguesa) irem a Angola competir ajudou a que tivessem maior interesse sobre o primeiro Mundial em África.

“Angola pode
surpreender”


Contrariamente à falta de informação evidenciada por alguns dos interpelados pelo Jornal dos Desportos, Luís Quental foi o único que mostrou estar bem por dentro do que vai acontecer em Angola dentro de menos de um mês. Nascido no Cuito, o português de origem angolana regozija-se com a realização do primeiro Campeonato do Mundo em África e acredita numa boa prestação da Selecção Nacional.

“Como cidadão que nasceu em Angola é para mim uma grande satisfação saber que o país tem a grata honra e o prazer de acolher o primeiro Campeonato do Mundo em África. Trata-se de mais uma oportunidade de África mostrar ao mundo que tem capacidade para organizar grandes acontecimentos. Da mesma forma que o Mundial de Futebol realizado na África do Sul foi um grande sucesso, acredito que Angola também possa fazer uma boa organização.”

Luís Quental sabe que para a disputa do título estão as quatro potências do hóquei mundial, mas o facto de Angola ter mostrado uma grande evolução nos últimos campeonatos e acolher em sua casa o 41º Mundial pode atrapalhar as contas e surpreender positivamente.“Sabemos que as selecções candidatas ao título são as quatro potências mundiais, Espanha, Portugal, Itália e Argentina. Angola, por jogar em casa e pelo facto de nos últimos anos estar a mostrar um grande crescimento pode complicar este quadro e entrar, não para a disputa do título, mas pelo menos para ficar no pódio”, disse.

Quental enalteceu o esforço do Executivo que para esta empreitada construiu três novos pavilhões e fez outros tantos investimentos para o sucesso da prova.“O Executivo está de parabéns pelo grande investimento que está a fazer e que vai ajudar a divulgar mais ainda tudo aquilo que tem feito depois da conquista da paz”, elogiou.