Jornal dos Desportos

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Reportagens

Antigos atletas passam testemunho a nova gerao

Joaquim Suami, em Cabinda - 15 de Fevereiro, 2010

32 crianas do sexo feminino e 29 do sexo masculino, aprendem o "ABC"da modalidade

Fotografia: Antnio Soares

O projecto, que arrancou em Dezembro do ano passado, conta com a participação de 32 crianças do sexo feminino e 29 do sexo masculino, que em dois períodos aprendem o "ABC"da modalidade. O mesmo visa essencialmente formar futuros atletas que, posteriormente, irão representar vários clubes locais e selecções nacionais.

Falando ao nosso jornal sobre os níveis de aprendizagem das crianças de diversas escolas da província, a coordenadora adjunto do projecto, Conceição Songo, disse que os trabalhos decorrem a bom ritmo, o que satisfaz a comissão de treinadores. Conceição referiu ainda que a formação decorre nos prazos estabelecidos, o que está a permitir aos jovens aprenderem tudo aquilo que está agendado.
Mais adiante, realçou que, apesar das dificuldades que atravessam, principalmente de material, existe vontade e entrega das crianças em aprender a modalidade dos 2 sete metros".

"Apesar de enfrentarmos dificuldades, estamos a levar avante o projecto e os técnicos estão com vontade de transmitir os seus conhecimentos. Por isso, acreditamos no sucesso desta actividade2, disse."Quando se trabalha nessas camadas é algo para o futuro2 referiu, acrescentando que nesta fase a coordenação não quer colher frutos, mas sim semear para o futuro.Na primeira fase, a coordenação do projecto inscreveu 61 atletas, mas com o início do ano lectivo muitos alunos desistiram.

Como forma de manter o projecto em funcionamento, a coordenação vai  repartir os atletas em dois grupos. Ou seja, os alunos que estudam no período matinal vão treinar à tarde e os que estudam à tarde de manhã.Conceição Songo frisou que a maior dificuldade que atravessam tem a ver com o local de treinos, porquanto no pavilhão onde treinam outros agentes desportivo ocupam para actividades diversificadas. Mas, mesmo assim, os alunos já conseguem fazer dribles, passe e remates à baliza.Mais disse que, nesta primeira fase as crianças estão a aprender justamente como se faz um drible, batimentos de bola e passe.


Falta de competição atrasa evolução

O Governo da Província de Cabinda criou, em 1999, o Projecto de Massificação Desportiva (Promade), após a realização do Afrobasket do mesmo ano, com o objectivo de relançar a pratica de várias modalidades na província. Durante os anos da sua execução, o "Promade" formou muitos basquetebolistas que hoje representam o Misto de Cabinda e outros clubes do país no Campeonato Nacional da modalidade.

O andebol também tem estado a formar jovens, o que permitiu a província ter algumas equipas a competirem em provas nacionais. Nos últimos dois anos, Cabinda esteve presente nos campeonatos nacionais de juvenis e de juniores, mas de um tempo para cá, tem ficado de fora nessas competições por falta de dinheiro, situação que está a preocupar os agentes desportivos locais.
A coordenadora adjunto do projecto de massificação de andebol, Conceição Songo, disse que a modalidade em Cabinda está a desaparecer aos pouco, devido a pouca atenção das autoridades competentes.

"Decorreu o Campeonato Nacional de Juniores, em Luanda, e nenhuma equipa nosso participou. É muito triste o que está a acontecer com o nosso andebol", lamenta."Cabinda tem estado a apostar na massificação de várias modalidades desportivas, no âmbito do projecto “Promade". Estávamos a contar com a formação do Sporting Clube para representar a província, mas, infelizmente, não competiu por falta de dinheiro", acrescenta.

Refere ainda que, face a ausência de equipas de Cabinda em provas nacionais, os atletas enquadrados no projecto de massificação manifestaram o seu descontentamento."Falhamos nos juvenis e estamos a falhar nos juniores, algo que é complicado para uma província que já foi uma das principais praças do andebol no país.

No ano transacto, Cabinda esteve bem nos campeonatos nacionais de juvenis que decorreram na Huíla e de juniores, em Benguela. Este ano, nenhuma equipa local esteve presente” lamenta.A nossa interlocutora apela Para ela, as coisas estão no início e “vamos dar tempo ao novo governador da província, porque ainda está a conhecer a casa. Depois disso, pensamos que irá apoiar o desporto, o andebol em particular". De salientar que Cabinda conta com as formações do Sporting Clube Petróleos, Organizações Joice e do Porto de Cabinda.


Província possui infra-estruturas desportivas suficientes

Cabinda, conhecida também como terra da madeira e do petróleo, está apetrechada com excelentes infra-estruturas desportivas que proporcionam condições adequadas para a prática de modalidades de salão. No âmbito do programa de investimentos públicos (PIP), o Governo de Cabinda construiu muitas infra-estruturas desportivas que estão a permitir aos jovens locais aprenderem várias modalidades. Em cada escola, o governo construiu um pavilhão gimno-desportivo, com destaque para os complexos escolares do Cabassango, Barrão Puna, Lombolombo, Comandante Gika e Comandante Dangeroux.

No quadro da realização dos campeonatos africanos de basquetebol e de andebol, em 2007 e 2008 respectivamente, o governo construiu o Pavilhão Multi-uso do Tafe, reabilitou o Pavilhão do Sporting de Cabinda e vários outros recintos desportivos, o que está a facilitar as equipas a treinarem em locais com condições favoráveis. Para a coordenadora adjunto do projecto de massificação, Conceição Songo, no que toca a infra-estruturas desportivas a província está de parabéns.

"Temos o Pavilhão Multi-uso do Tafe, os campos Barrão Puna, Lombolombo, Comandante Gika e Comandante Dangeroux. Por isso, não temos razões para queixas”, disse, acrescentando que “estes recintos estão a facilitar a prática desportiva no seio dos jovens da província". Para ela, o maior problema de momento tem a ver com a falta de material desportivo. "Estamos a trabalhar com um material que não é adequado às crianças, mas acredita que essa dificuldades será ultrapassada, na medida em que existem pessoas de boa fé que pretende oferecer bolas e equipamentos ao projecto", avança.
Explica que as crianças treinam sem camisola, calção e sapatilhas adequadas, o que tem estado a causar certos constrangimentos no processo de formação.  

Atletas mostram-se
satisfeitos com a iniciativa


Apesar das dificuldades de material desportivo como bolas, camisola e calções, as crianças inseridas no projecto de massificação de andebol mostram-se satisfeitas com os níveis de aprendizagem e apelam ao Governo da Província de Cabinda a apoia-las, a fim de concretizarem as suas aspirações. Para algumas crianças entrevistadas, o projecto é bem-vindo e está a ocupar os seus tempos livres. Referem que iniciativas do género deve acontecer em todos os município da província.

Teresa Sacre (ponta-direita), de 15 anos, diz gostar de aprender o andebol para no futuro representar o país em competições internacionais. Refere que já pratica a modalidade há três anos e que pretende representar as cores do 1º de Agosto no fduturo.
"Estou a gostar do projecto e apelo a todas as crianças da minha idade a aprenderem o andebol, porque é uma modalidade que faz bem a saúde", disse. Avelino Sebastião, 15 anos, está no andebol há três anos.
"Os técnicos que trabalhar no projecto têm sabido transmitir os seus conhecimentos. Por isso, quero aprender o máximo para ser um bom profissional", almeja.

Michel Lembe (guarda-redes), 15 anos, refere que aprendeu muito até agora e que, por isso, já pode representar uma equipa do seu escalão. Já a central Caridade Marcia, de 16 anos, acredita que pode competir de igual para igual com outras atletas da sua categoria, já que os seus técnicos a ensinaram bem a modalidade.  Estevão Sumbo, 15 anos, pratica andebol há três anos, tendo referido que já participou em vários torneios locais. Apela aos jovens a entrarem para o projecto de massificação para garantirem o futuro da referida disciplina desportiva.