Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Antunes assume fracasso

Avelino Umba - 26 de Novembro, 2014

“Não gosto muito de falar de mim, sobretudo, a minha idade, senão as “miúdas” me deixam....(risos), mas tenho 48 anos de idade”. Foram com estas palavras simpáticas que recebe a equipa de reportagem do JD.

Fotografia: Nuno Flash

De regresso ao seu país, o treinador cabo-verdiano, disse em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que não obstante a décima posição no Girabola deixa a formação sambila de cabeça erguida e com o sentimento do dever cumprido.

Assume o fracasso, pelo facto de não ter alcançado os objectivos traçados pela direcção, que passava em colocar a equipa na quinta posição e conquistar a Taça de Angola. “Não gosto muito de falar de mim, sobretudo, a minha idade, senão as “miúdas” me deixam....(risos), mas tenho 48 anos de idade”. Foram com estas palavras simpáticas que recebe a equipa de reportagem do JD.


Com alguma modéstia, admitiu que a sua primeira experiência em Angola, como técnico do Progresso Sambizanga foi marcada por duas etapas. Reconheceu que houve coisas boas e algumas más, num percurso com altos e baixos, mas no cômputo geral disse que deixa Angola com a consciência tranquila.

“Consegui cumprir o meu contrato com zelo, dedicação, humildade e com respeito acima de tudo” frisou. Sublinhou que o quinto lugar e a conquista da Taça de Angola foi a meta traçada pela direcção do clube quando o contratou, mas infelizmente, os resultados estiveram aquém do esperado.
“Tínhamos um objectivo no início da época, que era o de fazer melhor no campeonato nacional, mas não conseguimos.

Aliás, todo o homem na vida traça objectivos e metas a atingir, mas nem sempre consegue atingir o preconizado”, destacou. Esclareceu que ao longo do percurso, a intenção foi sempre o de fazer melhor, mas por vezes as coisas não acontecem como o previsto, o que torna as coisas mais complicadas e difíceis. 

“Estavamos engajados em competições cujos objectivos devem ser propostos de acordo com as suas competências e capacidades, pensando sempre nos níveis dos adversários. Tal como nós, os outros também estiveram com o mesmo pensamento e por vezes foram mais eficazes que nós, talvez que por mais capacidade ou outro factor,” esclareceu.

Questionado o que deve ter faltado para cumprir com os objectivos traçados pela direcção do clube, ou seja,  o quinto lugar no campeonato e a conquista da Taça de Angola, Lúcio Antunes foi peremptório em afirmar que se calhar o mesmo foi um pouco mais ambicioso, mas o seu pensamento  esteve sempre em alta, assim como as outras equipas também que tinham o mesmo objectivo.

CONFISSÃO
“Conhecia bem a minha equipa”


Lúcio Antunes descartou o facto de ser um caloiro no Girabola, que isso estivesse na base do seu fracasso. Com nostalgia, assegurou que não obstante o facto de estar à frente da equipa, em pouco tempo conhecia bem os jogadores do grupo que comandou durante um ano e sempre acreditou nas capacidades dos atletas para suportarem os níveis competitivos e as exigências da prova.

“Apesar de ser a minha primeira época ao serviço do Progresso Sambizanga, foi tempo suficiente para conhecer o futebol angolano, pois descarto qualquer possibilidade de não atingir os objectivos traçados por falta de conhecer o campeonato nacional,” avaliou. Comentou que algumas equipas tinham as melhores condições que o Progresso Sambizanga, o que permitiu realizarem uma época de acordo o preconizado pelas respectivas direcções.

“O exemplo vem do Recreativo do Libolo, o Kabuscorp do Palanca, o Benfica de Luanda, Petro de Luanda e tantas outras. Essas equipas, pelos orçamentos, a qualidade dos jogadores que têm e outras condições, cumpriram com o objectivo no cômputo geral” frisou. Defendeu que não obstante o pouco tempo no comando da equipa, sempre acreditou que era possível cumprir com os objectivos traçados, mas confessou que alguns adversários foram superiores.

“Em momento nenhum pensei que fosse impossível. Nós entrámos com vontade de fazer o nosso melhor, mas no decorrer do campeonato nos apercebemos que de facto a prova estava difícil. Isso, tenho de assumir sem complexos, mas com humildade para dizer que as outras equipas foram superiores, tiveram melhores estratégias de jogos e se calhar foram mais competentes que nós” assumiu o técnico.

CABO VERDE
“Regresso convicto
de dever cumprido”


O facto de não ter reclamado das dificuldades durante a época, confessou que nem tudo foi  um mar de rosas. Lúcio Antunes disse que preferiu não falar sobre isso, para não complicar ainda mais as coisas e realçou que faz parte do passado e não interessa recordar.

“Estou de regresso ao meus país,  se durante a época não reclamei sobre as condições de trabalho, então não é hoje que estou de partida que devo dizer acerca de a,b ou c. É claro, que houve muito boa coisa e prefiro focar as atenções nestas coisas, pois as más, as pessoas que ficarem no clube vão tentar rever para que não voltem a acontecer”, alertou.

A proximidade entre jogadores e equipa técnica, deixa Lúcio Antunes a levar algumas saudades do grupo, que de acordo com ele foi fácil gerir e liderar o respectivo grupo.

“Tivemos um balneário saudável, sem qualquer problema. Jantámos em minha casa com os jogadores e com os apanha bolas. Brincámos e convivemos com todo o pessoal de apoio e acredito que vou deixar muita amizade no clube”. Por último, qual foi o seu melhor  momento “o primeiro jogo do Girabola com o 1º de Agosto” a quem venceu, por sinal o jogo de estreia recordou com saudades.