Jornal dos Desportos

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Reportagens

"As nossas raparigas têm mentalidade ganhadora"

Augusto Fernandes - 18 de Setembro, 2014

Actualmente, é treinador principal dos escalões juvenis do Atlético Petróleos de Luanda.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Paiano dos Santos entrou para o mundo do andebol no tempo de estudante. “Apreciava muito a forma como o meu professor administrava as aulas de educação física, especialmente o treino de andebol. Por isso, decidi que devia ajudar no engrandecimento do desporto nacional como treinador” recorda.

A seu pedido, quando o professor não viesse ou tivesse uma outra ocupação, Paiano fazia-lhe a dobra e aos poucos aprendeu o “abc” do treino desportivo. Em 2001, Paiano foi jogar andebol nas camadas jovens do 1º de Agosto.  Vestiu as cores militares até 2008 na categoria de juniores ao lado de Yuri Fernandes, Raul, Malanje, Jado, Gugú, Sérgio Lopes, Raúl Joaquim, Bana e muitos outros.

Com a camisola militar foi campeão nacional em juniores em 2008, em Cabinda. Na qualidade de capitão da equipa ergueu o troféu. Paiano foi um jogador de grande valia técnica, que o mereceu a convocatória para uma pré-selecção nacional de juniores em 2007. Depois de 2008, Paiano rumou para o Sporting de Luanda. Com o leão ao peito jogou por duas épocas no escalão sénior. Foi bem sucedido e recebeu várias propostas para representar outros emblemas inclusive do 1º de Agosto.

DE JOGADOR
A TREINADOR

“O meu grande objectivo era dar continuidade aos estudos, porque o salário não dava para cobrir as minhas necessidades. Optei por deixar de jogar e passei a estudar e a trabalhar como treinador. Inicialmente, fui para o Santos Futebol Clube nas camadas jovens”, frisou. Em 2011, Paiano foi convidado para treinar as camadas jovens do Kabuscorp do Palanca. O seu trabalho agradou aos dirigentes do clube. Em recompensa, a direcção proporcionou-lhe muitas oportunidades de trabalho e muito apoio. Foi convidado a orientar o andebol juvenil, os juniores e às vezes, apoiava os seniores. No final, foi compensado com a vice-liderança nacional em juvenis.

DO  PALANCA
AO CATETÃO

O trabalho de Paiano na equipa de Bento Kangamba despertou o interesse de vários clubes de Luanda. A sua escolha recaiu para a equipa do Petro de Luanda. Por uma razão: “sempre sonhei  trabalhar com  professores como Vivaldo Eduardo e o Edgar Neto”. Depois do estágio de dois meses, Paiano assume o cargo de treinador das turmas iniciadas e posteriormente a das juvenis. O trabalho exige sacrifício: “Não é fácil trabalhar com as camadas jovens, pois requer muita paciência. Temos de saber transmitir as informações de modo que  possam encaixar com facilidade”.

Actualmente, Paiano é responsável pelo andebol juvenil  do Catetão. Para o técnico, é um prazer conduzir as duas equipas porque a formação média em Educação Física possibilita-lhe “dar conta do recado”, independentemente do género. Domina a metodologia para cada sexo e não se sente estafado por conduzir as duas categoriais.

No terceiro ano no Petro de Luanda, Paiano sente-se bem entre os companheiros e pupilos. “Quando vim para o Petro de Luanda, sabia que ia ter a oportunidade de aprender mais e fazer uma carreira de treinador de verdade. O Petro de Luanda é um dos maiores clubes de Angola. A minha vinda para o clube foi uma grande porta de oportunidade que se abriu”, disse.


PING PONG
Qual é o seu maior sonho
como homem?

Contribuir para a melhoria das condições sociais em Angola e para que seja um país com oportunidades para todos e bom para se viver.

Está satisfeito
com o que ganha?

Nem mesmo os ricos ficam contentes com o que têm. O que ganho actualmente,  dá para cobrir as minhas necessidades.

Que alvo almeja atingir
profissionalmente?

Como todo o homem com ambições saudáveis, pretendo atingir o alvo mais elevado da minha profissão como treinador. Isso, passa por atingir também o cargo de seleccionador nacional. Ainda tenho muito que aprender.

Porque é que  o andebol
masculino tem dificuldades em se impor em África?

Temos poucos volumes de jogos internos. O campeonato nacional é fraco, limita-se a Luanda. Também temos poucos contactos com provas internacionais. Quando os dois factores forem ultrapassados, o andebol masculino vai ter uma palavra no continente. Temos bons jogadores.

As meninas não têm
as mesmas condições
dos rapazes. Como
se justifica este contraste?

As raparigas tiveram apoios bem direccionados desde muito cedo e elas justificaram tais apoios impondo-se em África. Isto fez que o governo apostasse com mais seriedade no andebol feminino e deu-lhes oportunidades de fazer muitos jogos internacionais. Tudo isto, deu uma mentalidade ganhadora às raparigas.

Se tivesse de fazer alguma correcção ao seu passado, o que corrigia?

Uma das coisas é ser temperamental. Esse carácter impediu-me de ter muitas oportunidades na vida. Enquanto jogador, era bom atleta tecnicamente, mas rude. Não sabia conter-me. Aprendi a não responder a tudo que parece insulto. As oportunidades são dadas aos humildes. Felizmente, ainda fui a tempo de reconhecer essa grande verdade.

POR DENTRO
Nome: Paiano dos Santos
Local de nascimento: Luanda
Data de nascimento: 31 de Dezembro de 1987
Filiação: José Joaquim Matias
e Rosa Sergio Neto dos Santos
Estado civil: Solteiro
Irmãos: Três
Calçado: 43
Altura: 1,78m
Prato: Caldeirada de peixe
Bebida: Água e sumos
Música: Sacra, Semba e Samba
Filmes: Mistério e drama
Perfume: Hugo Boss
Casa própria: Não tenho
Carro: Não tenho
Carro de sonho: O melhor Toyota possível