Jornal dos Desportos

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Reportagens

As piores seleces na histria dos mundiais

30 de Maio, 2010

Chins chora pela eliminao

Fotografia: Reuters

CHINA DE 2002O primeiro mundial dos chineses, coincidentemente disputado no continente asiático, não traz as melhores recordações aos adeptos da nação mais populosa do planeta. Num grupo relativamente difícil, a China tinha possibilidades de pontuar ou de marcar golos nas equipas medianas do Grupo C (Turquia e Costa Rica, já que o Brasil era o franco favorito). Além da goleada sofrida diante do Brasil por 4 a 0, mais duas derrotas, sem o direito de balançar as redes adversárias, fazem parte da história. Na classificação geral de 2002, a China só não esteve pior que a Arábia Saudita. EL SALVADOR DE 1982Os salvadorenhos chegaram ao Mundial da Espanha dispostos a melhorar a primeira participação no Mundiail, ocorrido havia 12 anos, quando deixaram o México sem marcar pontos. Mas a história repetiu-se, com um agravante: El Salvador figura negativamente na história dos Mundiais como a equipa que sofreu a maior goleada, quando levou 10 a 1 da Hungria, do defesa Sándor Sallai (esq., disputou as Copas de 1982 e 1986) – que não era nem sombra da equipa vice-campeã do mundo em 1954. No total, foram 13 golos sofridos nas três partidas, com apenas um tento marcado (o único da equipa salvadorenha na história do torneio) pelo atacante Luís Ramirez. COREIA DO SUL DE 1954Equipa que mais disputou mundiais depois das selecções europeias e das sul-americanas (oito no total), a Coreia do Sul fez a estreia em 1954, onde enfrentou um voo cheio de complicações até a Suíça para enfrentar a poderosa Hungria, invicta há quatro anos e Campeã Olímpica de 1952. A goleada por 9 a 0 não foi surpresa aos sul-coreanos. Na despedida daquele Mundial, sofreu outra goleada diante da Turquia (7 a 0) e levou a marca de equipa que mais sofreu golos numa edição (16 golos). Após a pífia participação, a Coreia do Sul só voltaria a disputar o torneio em 1986 (no qual conseguiria o primeiro ponto no empate por um golo com a Bulgária) e alcançaria a primeira vitória em 2002 (2 a 0 contra a Polónia). BOLÍVIA DE 1950Na segunda participação da Bolívia nos Campeonatos do Mundo (a primeira foi em 1930), tinha a “melhor oportunidade” de passar à fase seguinte do torneio, porque “só” precisavam de vencer os uruguaios para conseguir a classificação, já que as outras equipas do Grupo 4 (Escócia e Turquia) haviam desistido de participar do Mundial sediado no Brasil, o que deixou o jogo com ares de decisão. Mas coube a Miguez (3), Schiaffino (2), Vidal, Pérez e Ghiggia marcarem o início da arrancada uruguaia rumo ao bi-campeonato mundial, com a goleada por 8 a 0 sobre os bolivianos, em partida disputada no Estádio Independência, em Minas Gerais. ZAIRE DE 1974Na única aparição na história dos Campeonatos do Mundo, o Zaire (actual RD Congo) proporcionou momentos distintos em 1974. Ostenta a marca de ter sofrido a segunda maior goleada em Mundiais (ao lado da Coreia do Sul, em 1954), na derrota diante da Iugoslávia por 9 a 0. Além disso, protagonizou um dos lances mais bizarros da história do torneio, na derrota diante do Brasil por 3 a 0. Antes de cobrança de uma falta em favor dos brasileiros, o defesa Ilunga Mwepu correu em direcção à bola, chutando-a para longe, logo após o apito do juiz. Depois de muitos anos, o defesa disse que a atitude foi fruto do nervosismo, já que o elenco havia sofrido ameaças do ditador do Zaire, caso perdesse aquele jogo por mais de três golos de diferença.   Goleadas e doping levam à prisão no HaitiAs goleadas continuam a fazer morada nos Campeonatos do Mundo. Em 2010, a Coreia do Norte é a Nova Zelândia são apontadas pela crítica desportiva como os principais “inquilinos” a entrar na história. A viver momentos de grande agitação política (fruto da divergência que trava com a vizinha do Sul), os jogadores terão de manter o espírito “militar” para salvaguardar a honra. Uma honra que levou à prisão o atleta haitiano apanhado no doping no Campeonato do Mundo de 1974 e a desilusão de atletas “sem pátria” em 2006. EMIRADOS ÁRABES UNIDOS DE 1990A única aparição dessa selecção árabe nos Campeonatos do Mundo não traz boas recordações. Zebra de um grupo que contava com boas equipas como Iugoslávia e Colômbia, além da tradicional Alemanha, a frágil defesa da equipa sucumbiu com 11 golos em três partidas – duas delas, por goleada – ostentando a marca de pior selecção daquele torneio. Mas um integrante daquela delegação, particularmente, viveria um momento totalmente oposto no Mundial seguinte: Carlos Alberto Parreira, que treinou os Emirados Árabes em 1990, estava no comando do Brasil tetra-campeão mundial em 1994, que colocou fim a um jejum de 24 anos sem títulos em Mundiais. HAITI DE 1974Outra estreante em 1974. A participação da equipa no início do torneio parecia promissora: saiu na frente da então vice-campeã Itália, na primeira partida do Grupo 4, com golo de Sanon sobre o consagrado Dino Zoff. Porém, a equipa perdeu por 3 a 1 e terminou aquele Mundial com 14 golos sofridos em três jogos – goleadas por 7 a 0 e 4 a 1 diante de Polónia e Argentina, respectivamente. Além das derrotas, outra marca negativa daquela equipa foi a descoberta do doping do meio-campista Ernst Jean-Joseph - o primeiro registado na história do torneio - pelo uso de efedrina. Acusado pelo então ditador haitiano Jean-Claude “Baby Doc” Duvalier de manchar o nome do país no exterior, Joseph foi torturado e ficou preso por dois anos. ARÁBIA SAUDITA DE 2002Uma das equipas asiáticas mais tradicionais em Campeonatos do Mundo (participou de quatro consecutivos entre 1994 e 2006), a Arábia Saudita fez a pior das participações em Mundiais na Coreia do Sul e Japão em 2002, quando foi eliminada após sofrer 12 golos na fase de grupos e não marcar um tento sequer. O pior dos vexames ocorreu contra a Alemanha, na goleada por 8 a 0, que ajudou Miroslav Klose a ser um dos vice-artilheiros daquele torneio: dos cinco golos do atacante em 2002, três foram anotados diante dos sauditas. GRÉCIA DE 1994 A caminho do segundo Mundial, a Grécia de 2010 quer apagar a má impressão deixada em 1994, quando saiu dos Estados Unidos sem marcar um ponto ou golo sequer, ao perder as três partidas do Grupo D, que ainda tinha Argentina, Nigéria (coincidentemente, dois dos adversários dos gregos no Grupo B, em 2010) e Bulgária. A situação daquele conjunto era tão crítica que o técnico Alketas Panagoulias utilizou os três guarda-redes (Minou, Karkamanis e Atmatsidis) nas três partidas, facto raro na competição. Curiosamente, o técnico actual da equipa, Otto Rehhagel, convocou 13 defesas entre os 30 pré-seleccionáveis, o que mostra a preocupação dos campeões da Euro’2004 em não repetir o vexame no Mundial. SÉRVIA E MONTENEGRO DE 2006Na única participação do último resquício da antiga Iugoslávia, a selecção da Sérvia e Montenegro estava no Grupo C em 2006, ao lado de Argentina, Holanda e Costa do Marfim, naquele que era considerado o “grupo da morte”. No bom elenco comandado pelo técnico Ilija Petkovic, nomes conhecidos no futebol europeu como Stankovic, Vidic e Zigic, por exemplo, despontaram-se. Mas na prática, aquela equipa (que curiosamente, disputou o torneio por uma nação que já não existia mais, visto que a união dos Estados havia sido dissolvida a poucos dias do Mundial) ofereceu pouca resistência, ao perder as três partidas que fez - goleada pela Argentina por 6 a 1 e derrotas para a Holanda (1 a 0) e para a estreante Costa do Marfim (3 a 2).