Jornal dos Desportos

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Reportagens

Associao de Atletismo do Bi quer resgatar mstica do passado

Jos Chaves - 05 de Janeiro, 2010

Jos Chissonde Mame

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como está o atletismo na província do Bié?
O atletismo na província do Bié está um pouco debilitado, sobretudo no que toca à organização.

Que saídas aponta para se mudar o actual quadro e desenvolver a modalidade?
O projecto passa, necessariamente, pela solidificação da modalidade e da nossa Associação. Temos mais de 200 praticantes, de diversas categorias, em ambos os sexos. Precisamos de disciplinar a nossa associação, de criar condições para termos um local onde nos possamos encontrar e reunir periodicamente. Precisamos de um local onde possamos exercer oficialmente a nossa actividade. Também gostaria de apelar aos empresários da nossa província para apoiarem a Associação nas suas actividades. O apoio de todos é fundamental.

Para já, qual é a principal dificuldade que a Associação enfrenta?
A principal dificuldade é a financeira, como é óbvio. Sabe-se que, para haver estabilidade, são necessários recursos financeiros e temos pessoas interessadas nesse aspecto. Movimentamos um grande número de atletas e, para haver estabilidade, tem de haver a componente financeira.

Quantos clubes movimentam a disciplina?
Actualmente, temos quatro clubes que possuem a modalidade de atletismo: o Sporting Clube Petróleos, o Vitória Atlético Clube, o Benfica do Kunje e a Escola Boa Esperança.

Qual tem sido a contribuição dos mesmos no desenvolvimento da modalidade?
Os clubes locais vivem imensas dificuldades. Se a Associação não for buscar outros apoios, eles deixarão de ter o atletismo no seu seio. A situação é preocupante. Apelo aos governantes da província a apoiarem-nos. Pedimos, em particular, às administrações municipais para que possam expandir o atletismo em todos os recantos da nossa província. Queremos ter um atletismo forte. Dada à localização geográfica do Bié, a modalidade pode desenvolver-se com relativa facilidade. Por isso, afirmo que, se forem bem preparados tecnicamente, os atletas do Bié podem dar cartas na arena nacional.

Que apoio recebem da Direcção Provincial da Juventude e Desportos?
A Direcção Provincial da Juventude e Desportos tem feito o que pode, tem ajudado bastante a Associação, dando algum apoio financeiro e institucional.

Apenas um treinador
e uma monitora

Está à frente da Associação há apenas cinco meses. Que balanço faz desse período?
O balanço é positivo, apesar das grandes dificuldades que atravessamos. Em pouco tempo, o meu elenco conseguiu organizar a modalidade e estamos dispostos a levar o barco a bom porto. Temos muita matéria humana, sendo preciso apenas a trabalhar. Vamos empenhar-nos e descobrir novos valores no interior da província. No ano passado, não conseguimos realizar o Campeonato Provincial. Realizamos apenas algumas provas, aproveitando algumas efemérides.

Quantos técnicos especializados o Bié possui?
Infelizmente, o Bié tem apenas um treinador e uma monitora, que se formou recentemente. Este é um problema que precisamos ultrapassar o mais rápido possível. Qualquer actividade necessita de quadros competentes e nós, no atletismo, também. Por isso, apelo à Federação Angolana de Atletismo (FAA) no sentido de realizar acções de formação nas várias províncias do país para o bem da modalidade.

"Participação na São Silvestre foi positiva"

O Bié fez-se presente na 54ª edição da corrida de fim-de-ano, São Silvestre, de Luanda. Que balanço faz do desempenho dos atletas?
O Bié fez-se representar por oito atletas, sendo três paralímpicos. A nossa participação foi extremamente positiva, porquanto o nosso atleta Alexandre João ocupou a 23ª posição. Os restantes conseguiram superar as suas marcas. Também tivemos uma participação no “meeting”, no qual conquistamos uma medalha de prata, por intermédio da  atleta Manuel Cassinda, que ficou em segundo lugar na prova dos 400 metros. Nos paralímpicos, Alberto Lusasse, da classe T-48, quedou-se na segunda posição. Em suma, foi uma boa participação.

Quais são as perspectivas para este ano?
A Associação Provincial de Atletismo aposta na massificação da modalidade em todos os municípios da província. Vamos levar o programa de massificação, iniciado no Kuito, aos restantes municípios da província, principalmente às escolas públicas do I Ciclo do Ensino Primário e também do II ciclo do Ensino Secundário. Também pretendemos implementar calendários específicos de provas inter-provincias (entre o Biué, Huambo, Kuando-Kubango e Moxico), no sentido de se melhorar o nível da modalidade.

Em termos de competições, em que provas os atletas bienos pensam participar esta época?
Vamos trabalhar para participar nas várias provas já elaboradas pela Federação e também, como é óbvio, começar a esboçar a nossa participação na 55ª edição da São Silvestre.

Falou da falta de apoios dos empresários locais. Que mensagem quer deixar para os mesmos?
O Governo não pode sustentar as actividades desportivas de forma isolada. É necessário que os empresários também participem. A Associação pede ajuda aos empresários, ajuda essa que pode não ser em dinheiro. O Atletismo é uma modalidade em que, do ponto de vista financeiro, se gasta pouco. A Associação pode realizar uma simbiose entre a modalidade e os empresários. Por exemplo, podemos fazer publicidade das empresas nas diversas provas que realizarmos em troca da ajuda que nos for dada. Repito: esta ajuda pode não ser por meios financeiros.

Ainda sobre as actividades que a Associação realizou no ano passado. Tem algumas a destacar?
No ano passado, conseguimos realizar duas provas, denominadas “Taça Zédu”, no mês de Agosto, nos municípios de Camacupa e do Kunhinga. Queremos que essas provas sejam periódicas. Vamos trabalhar com as demais administrações municipais para as realizarmos em toda a extensão do Bié.

Apesar de todas as dificuldades, a Associação de atletismo não mede esforços…
Obviamente que vamos continuar a trabalhar, com todo o afinco, para podermos tirar a modalidade do marrasmo em que se encontra. Acredito em melhores dias para o atletismo bieno. Vamos recuperar a mística de outros tempos. 

Por dentro

Nome: José Kulingarna
Data de nascimento: 7/2/1978
Natural: Kuito
Nacionalidade: angolana
Bebida: Vinho
Altura: 1,60m
Peso: 70kg
Desporto ideal: atletismo
Tabaco: não fumo
Perfume: Lacoste
Cor: Branca
Religião: Católica
Moda: Faço a minha
Calor ou cacimbo: Cacimbo
Discoteca ou esplanada:
Esplanada
Opinião sobre a droga: Um mal que enferma a sociedade
Melhor cidade do mundo: Kuito