Jornal dos Desportos

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Reportagens

Ayrton Vieira Dias quer ser referncia do judo nacional

Srgio V. Dias, no cuito - 18 de Janeiro, 2013

Jovem talento comea a dar cartas no judo angolano

Fotografia: Jornal dos Desportos

Impulsionado por alguns amigos, muito cedo, Ayrton Vieira Dias, abraçou a prática do judo, uma modalidade em que o país já teve vários nomes de referência no continente. O seu percurso na modalidade começou, precisamente, aos 13 anos, depois de deixar o futebol, onde também um dia sonhou atingir o estrelato. A recente conquista de uma medalha de ouro no “africano” da Zona VI, disputada na vizinha Zâmbia, marca sobremaneira o início da sua carreira no judo, modalidade na qual, como disse ao Jornal dos Desportos, sonha ser uma referência nacional. Entre o cepticismo dos pais e de alguns membros da família, Ayrton Vieira Dias ou simplesmente “Beybe”, como é tratado pelas pessoas mais próximas, não hesitou em trocar o futebol pelo judo “devido à grande paixão” que nutre por este desporto de luta.

No começo, conta, “foi um pouco difícil. Mas fruto da determinação, persistência e dos conselhos que recebi do mestre Osvaldo Monteiro, felizmente consegui integrar-me facilmente e hoje espero atingir altas performances no judo nacional”, disse. Ayrton Vieira Dias, que este ano frequenta a 12ª classe na Escola Ngola Kiluanji, referiu ao Jornal dos Desportos que a princípio os seus progenitores tentaram vetar-lhe a entrada no judo, receando que esta modalidade pudesse interferir negativamente na sua carreira estudantil. “Expliquei a situação ao meu mestre e este fê-lo compreender que as coisas não eram bem assim como prognosticavam”, recordou.

Em consequência desse contacto, Beybe viu “um final feliz” nessa novela, na sua pretensão de abraçar o judo. “O futebol constituiu, praticamente, o trampolim para a minha carreira desportiva, mas o judo reflecte a minha maior paixão. Descobri isso mais tarde, depois de em 2007 e 2008 ter actuado nos escalões de juvenis como ala-direito, na equipa do 1º de Agosto, onde cheguei a ser titular”, sublinha. Hoje, aos 17 anos, Ayrton Vieira Dias já carrega nos ombros a disputa de dois torneios internacionais. No primeiro, disputado no Botswana, nem por isso teve uma participação aceitável.

“Penso que a fraca prestação nesta prova se deveu, em grande escala, à má preparação de que todo o grupo seleccionado foi alvo. Foi uma preparação curta”, lembrou. Porém, no “africano” da Zona VI, na Zâmbia, as coisas já correram de feição para o jovem talento que desponta no judo nacional. “Nesta competição, a conquista da medalha de ouro teve um significado muito especial para mim, porque além de dignificar as cores da Bandeira Nacional, também pude elevar o meu nome na modalidade, precisamente aos 17 anos. Este foi um dos momentos marcantes da minha ainda curta carreira de judo, que espero se estenda por muitos mais anos”, assinalou. E porque “não há bela sem senão”, como se atesta numa velha máxima, Ayrton Vieira Dias sublinha que esta conquista pode marcar o início de uma carreira que se espera venha a ser coroada de êxito. “Esta medalha estimulou significativamente a minha carreira no judo”, conta, acrescentando a sua pretensão de atingir um dia o estrelato no país e no continente.


Desejo
“Quero elevar o nome de Angola
e da modalidade além-fronteiras”


Ayrton Vieira Dias não escondeu a sua ambição em atingir altos patamares na modalidade de judo, enquanto praticante, durante a conversa que manteve com o Jornal dos Desportos. “A minha maior ambição em relação a esta modalidade, no futuro, é  levar o judo angolano além-fronteiras, e tentar ganhar medalhas em edições do Campeonato do Mundo e dos Jogos Olímpicos”, frisou. Beybe assume ter entrado para o judo com a mesma apetência que antes nutria pelo futebol. “Como referi antes, estou nesta carreira desde os  13 anos.

Antes, treinava simplesmente para me defender na rua, sobretudo de pessoas com conduta desapropriada, como os marginais, mas agora pratico o judo por amor, sonhando um dia elevar o nome de Angola o mais alto possível”, referiu. Com qualquer outro atleta de alta competição, Ayrton Vieira Dias “Beybe” diz ter abraçado também o judo por influência dos seus amigos. “A dada altura, grande parte dos meus amigos praticava judo, por essa razão, comecei também a treinar e hoje espero ser um dia um atleta de referência no país”, disse.
 SVD, NO CUITO


Outro lado
O jovem atleta
fora dos ringues


Fora dos ringues, Ayrton Vieira Dias “Beybe” é um jovem que procura conciliar da melhor maneira possível os seus estudos com as demais tarefas quotidianas. “Sou finalista do ensino médio e procuro conciliar bem esta minha tarefa com a carreira de judoca. A princípio, a prática do judo atrapalhava, de certa maneira, a minha carreira estudantil, mas hoje, felizmente, consigo conciliar bem as coisas”, explicou. Além de estudar e praticar judo, “Beybe” diz gostar imenso de se divertir. “Gosto de festa e de todos os tipos de divertimento. Nos meus tempos livres, gosto de estar com a minha família e com a minha namorada”, assinala o jovem talento do judo angolano. Ayrton Vieira Dias não deixou também de manifestar uma palavra de apreço ao seu mestre. “Ao professor Osvaldo Monteiro devo tudo o que atingi até este momento a nível da modalidade de judo”, concluiu.
 SVD


PERFIL
Antigo futebolista
na primeira pessoa


Oriundo de Luanda, onde nasceu a 2 de Agosto de 1995, Ayrton Vieira Dias é filho de um antigo oficial de Artilharia das Forças Armadas de Angola, país que muito ama e transmite esse sentimento aos filhos.  Beybe, aliás, também já cumpriu missão em Calussinga, uma região circunscrita ao município do Andulo, na província do Bié.


Nome: Ayrton Vieira Dias
Pais: Anttenor Gullyver Vieira Dias “Gavião” e Ricardina do Carmo Ilda José
Hobby: Música e leitura diversificada
Signo: Leão
Religião: Não professa nenhuma de momento
Clube actual: Pacífico
Sonho: Ser um judoca de referência