Jornal dos Desportos

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Reportagens

Basquetebol atravessa dias difíceis em Cabinda

Joaquim Suami, em Cabinda - 15 de Setembro, 2010

Alberto Paca Bumba, técnico-adjunto do Misto de Basquetebol

Fotografia: António Soares

As equipas de basquetebol do Misto de Cabinda e Projecto Promade estão paradas devido a falta de condições materiais e financeiras que garantam a presença na próxima edição do Campeonato Nacional de Basquetebol. Está também adiado o trabalho que visa descobrir novos talentos na província.Com a saída do técnico José Carlos Guimarães, no final da época basquetebolista, o Misto de Cabinda não conseguiu ficar na "final-four" e as coisas andam mal paradas na província.

Desde que assumiu o projecto de massificação, em 1999, após a realização do Afrobasket daquele ano, o que levou a criação de uma equipa seniores, José Carlos Guimarães foi o principal impulsionar do desenvolvimento da modalidade na província. Com a sua retirada, o basquetebol vive dias difíceis.

O técnico-adjunto do Misto de Basquetebol e coordenador adjunto do Projecto Promade, Alberto Paca Bumba, diz que a prática da modalidade já não se faz sentir como era quando José Guimarães estava na província, na medida em que o aludido técnico fazia tudopara as coisas caminharem a bom porto. Refere que outro factor que aflige a modalidade tem a ver com o atraso no pagamento de salários da equipa técnica e atletas, algo que já leva quatro meses.

O mesmo acontece com a coordenação do Projecto Promade, há oito meses sem receber os seus subsídios, factor que afecta imenso no desenvolvimento da modalidade. Ainda assim, a Secretaria Provincial da Juventude e Desportos garante a continuidade do Misto no campeonato nacional, mas a actual direcção da agremiação encontra dificuldades para convencer o grupo a voltar ao trabalho.

"A prática do basquetebol em Cabinda está praticamente parada, na medida em que os atletas e os treinadores estão sem salários. A Secretaria Provincial da Juventude e Desportos garante a continuidade do Misto no campeonato nacional, mas a falta de algumas condições impede que avancemos com as actividades. Devido a esta situação, estamos a perder atletas, pois são cobiçados por outros clubes do país",lamenta Paca.

Ainda assim técnicos e atletas estão dispostos a continuar com a labuta, na esperança de as coisas melhorarem a breve trecho. Por outro lado, o Governo de Cabinda deve garantir a despesas de passagem para a vinda dos atletas que se encontram em Luanda e pagar os seus salários em atraso, pois todos eles vivem e dependem de basquetebol.

"Temos vontade de continuar a trabalhar para desenvolvemos a modalidade, como temos vindo a fazer ao longo desses anos. Trabalhamos há dez anos e não queremos que a modalidade morra. As principais dificuldades que aflige a equipa já foram informadas ao Governo da Província, através da Secretaria Provincial da Juventude e Desportos, e esperamos que o problema seja solucionado", diz o técnico.

Ao que explica, o Governo Provincial não estava informado dos atrasos salariais dos atletas e equipa técnica, mas, após um encontro entre o secretário provincial da Juventude e Desportos e o professor José Carlos Guimarães, este entregou toda o expediente que foi encaminhado ao Governo, há dois meses, estando o grupo à espera da solução para arrancar com os trabalhos.

"Estamos dispostos a trabalhar, até porque iniciamos a treinar e fomos forçados a parar. Os atletas começaram a reclamar da falta de alimentação e, nesta fase de pré-época, é muito duro, porquanto o volume de treino é maior. Os atletas devem alimentar-se bem", explica. A formação do Misto de Cabinda conta com 10 atletas, mas a equipa técnica está em contactos com outros jogadores para a reforçar. "Há atletas que querem jogar na nossa equipa, mas, para isso, deve-se negociar com os mesmos e preparar uma casa para habitarem", concluiu.

Processo de massificação continua

Com a saída do técnico José Carlos Guimarães, mentor do Promade, o basquetebol na província de Cabinda não morreu, apesar de se reconhecer ter afectado psicologicamente o grupo de trabalho, atletas e crianças que com ele trabalharam durante oito anos."Queremos trabalhar. Se o governo honrar com os compromissos e pagar os técnicos, acredito que tudo voltará à normalidade", disse um atleta que pediu anonimato.

Acrescenta que mesmo com as dificuldades financeiras, o grupo de trabalho gosta da modalidade. Um exemplo disso é ter preparado a equipa que participou nos V Jogos Nacionais Escolares e que conquistou o primeiro lugar. Pede ao Governo da Província de Cabinda para resolver, o mais rápido possível, o problema que aflige a equipa e os membros do projecto para tudo voltar à normalidade.

"Não queremos perder jovens já habituados à modalidade, até porque alguns deles serão chamados à equipa seniores para motivarem outros dos escalões de formação. Continuar a trabalhar com estes jovens vai ajudar a diminuir a delinquência e incentivar as crianças a praticarem o desporto", frisa, acrescentando que "muitos jovens inseridos no projecto fazem amizade com outras crianças que vivem noutros bairros, uma convivência positiva que contribui para a diminuição da delinquência juvenil.

De realçar que Cabinda é o segundo pólo de desenvolvimento do basquetebol no país e tem ganho provas nacionais em juniores, juvenis e em cadetes. Há dez anos que o título de campeão nacional dos Jogos Nacionais Escolares não sai da província, o que mostra existir vontade das pessoas trabalharem em prol da modalidade.

Infra-estruturas
são suficientes


Cabinda é uma província com boas infra-estruturas desportivas, estas que contribuem para o desenvolvimento do desporto local. Construídas no quadro da realização dos campeonatos africanos de andebol, basquetebol e futebol, nos últimos anos, os empreendimentos permitem-na acolher vários eventos. Hoje, a província não se pode queixar de espaços para a prática de várias modalidades, porquanto o governo local construiu infra-estruturas afins e outras estão a ser erguidas.

Para o técnico-adjunto do Misto de Cabinda, a província possui muitas infra-estruturas desportivas, sobretudo para a prática de modalidades de salão, que devem ser aproveitadas e rentabilizadas. "Os campos devem ser usados para as crianças aprenderem a jogar", diz. Para ele, as infra-estruturas desportivas da província já não permite às crianças apanharem sol quando estiverem a treinar, por estarem cobertos. Para maior rentabilidade, o governo deve distribuí-los a algumas associações, pois, nos dias que correm, estão subaproveitadas. "Não há a necessidades de as crianças treinarem em campos descobertos quando a província possui infra-estruturas cobertas. Cabinda tem muitos campos e em boas condições, como os das escolas Comandante Gika, Lombolombo, Dangeroux, que possuem pavilhões multiusos.