Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Basquetebol precisa de outro sopro

Manuel Neto - 15 de Novembro, 2010

Victórino Cunha é um ícone do basquetebol nacional

Fotografia: José Soares e Kindala Manuel

Victorino Cunha, conta que o basquetebol praticado nos dias de hoje é o respicio da prática na época colonial, porque naquela época já se praticava a modalidade regularmente com realce para os campeonatos distritais onde pontificavam talentosas equipas das províncias de Luanda, Benguela, Huambo e Bié nas categorias de seniores, juniores e juvenis e foi apenas interrompido pela eclosão da segunda guerra de libertação nacional.

Adiantou que na altura a guerra obrigou que a maior parte dos atletas e técnicos trilhassem distintos caminhos da vida, tendo a modalidade ficado reduzido a um número exíguo de atletas e técnicos adstritos à então Escola de Instrutures de Educação Física que tinham a área administrativa localizada no rés-do-chão do actual edificio do Ministério da Juventude e Desportos e as práticas administradas no actual Ine Marista, 1º de Agosto e Coqueiros.

Vitorino Cunha recorda com júbilo o primeiro torneio da fase de transição ganho pela equipa do Cdua, que para ele foi um bom momento de basquetebol angolano.“Foi uma fase onde os atletas vinham de distintas escolas, praticava-se um bonito basquetebol, quer na capital quer nas províncias. Por isso, o torneio foi muito renhido e ganho pela equipa que melhor aproveitou os erros dos adversários” asseverou.

O antigo técnico do 1º de Agosto e da Selecção nacional disse que depois da fase de transição não havia provas oficiais e alguns meses depois foi superiormente orientado a organizar duas equipas femininas da JMPLA, uma da OMA e uma masculina com atletas vindos de distintos bairros para fazeram parte das festividades da independência de Moçambique em Junho de 1975, tendo feito com sucesso.
Por ossos do ofício, viu mais uma vez lançado o desafio de organizar o torneio em alusão à independência de Angola e em companhia do professor Espirito Santos reuniu no campo do São Domingos, 800 rapazes para fazerem parte do evento. Para a sua infelicidade o torneio foi abortado.

Para ele, o desafio de ver renascer e brilhar a modalidade não terminou por ali, pois, viu mais uma vez o seu nome chamado a organizar o torneio do 4 de Fevereiro de 1976, tendo recorrido ao concurso de ex-alunos do Ine Marista e os antigos praticantes da modaçlidade. Para este evento Vitorino Cunha seleccionou uma equipa feminina e uma masculina tendo a masculina perdido o primeiro jogo com a Nigéria em Luanda por uma diferença de sete pontos, perdendo igualmente o segundo jogo em Malanje por uma diferença de 14 pontos, ao passo que as femininas  venceram a congênere do Congo Brazaville nos dois jogos.

O professor Victorino Cunha recorda com nostalgia a grande nata de atletas que brilharam na altura. «Eram atletas com escola, tinham uma grande maturidade competitiva de fazer inveja a muitos praticantes de hoje. Refiro-me concretamente a António Guimarães, Gustavo da Conceição, Rui Marques, o malogrado Diogo Cruz «Didi», Roseira; Hipólito, Gingão e  Gika capitão da equipa» recorda. No feminino apontou nomes como Yolanda Bessa actual esposa do ministro Chirimbimbi, a jurista do Tribunal Constitucional a senhora Manuela de Oliveira entre outras.

Ferroviário foi
o primeiro campeão


Segundo Vitorino Cunha, com a criação da Direcção Geral da Juventude e Desportos, liderada na altura pelo malogrado Pedro Augusto com os seus 24 anos de idade. A Escola de Educação Física passa a pertencer ao Ministério de Educação e os quadros técnicos à Direcção Geral dos Dersportos.

Nesta fase, segundo o professor, em companhia de Rui Mingas, Espirito Santos, Matos Fernandes com auxilio dos ex alunos do Instituto, realiza-se torneios sob égide do departamento técnico da Direcção Geral dos Desportos, que deu origem ao primeiro campeonato oficial em 1978. Disse que nesse campeonato participaram grandes equipas da época como o 1º de Agosto, Sporting, Benfica de Luanda, Ferroviário, Vila Clotilde, Taag e Futebol Clube de Luanda, tendo o campeonato sido ganho pelo Ferroviário.

Posteriormente fora convidado pelo General França Ndalu a dirigir os destinos do 1º de agosto tendo se regozijado com o trabalho feito. Pra ele começa uma nova era do basquetebol angolano, porque a eficácia do trabalho no 1º de Agosto levou-o a dirigir a selecção nacional que depois de 10 anos de intenso  trabalho,  em 1987, venceu a selecção portuguesa e alguns meses depois o Campeonato Pana Africano em Nairobi, vitórias que considera terem  mudado o ranking de Angola nos países de expressão portuguesa, superando o anterior terceiro lugar, uma vez que o primeiro pertencia a Portugal e o segundo a Moçambique. Neste mesmo ano participa pela primeira vez no campeonato Mundial Militar da SKDA, tendo feito igualmente boa figura.

De acordo com ele, as melhorias foram fruto de um trabalho árduo feito dentro de um plano a médio e a longo prazo, cujo rigor e adisciplina foram umas das chaves do sucesso, embora viviam-se grandes dificuldades no que tange a alimentação, equipamentos, concretamente bolas, botas entre outras coisas básicas. O categorizado técnco enaltece o contributo valioso prestado pelos técnicos Oscar Fernandes, Mário Palma, Botelho e Valdmiro Romero, que foram audazes para o sucesso que o basquetebol atingiu.

"Actual momento da
modalidade não é salutar"


Vitorino Cunha disse que de momento o nosso basquetebol não vai bem. E com o ressurgimento do desporto escolar acha que devia se construir equipas nos municipios e plataformas desportivas com a dimensão 50 por 20 cm, totalmente cobertas e com balizas de andebol e algumas peças para ginástica, condições que acha suficientes para absorver os atletas que saiem da formação escolar, mas ressalta que devem ser bem acompanhados com professores bem formados e qualificados.

«O diploma não diz tudo, porque podes ter formação e não competência nem boa qualidade. Por isso deve-se trablhar seriamente neste aspecto e os elementos que frisei são bastante importantes para salvação da modalidade do eminente descalabro», alerta.
Para o basquetebol feminino, Cunha opina às pessoas de direito no sentido de tudo fazerem para o recrutamento ou criação de mais atletas de forma a ganhar mais competitividade e aparição de mais talentos.

A formação de técnicos é um elemento imprescindível na modalidade, no ver de Vitorino Cunha. Para ele os órgão de direito têm de continuar a formar constatemente os técnicos para uma melhor contribuição dos mesmos ao desenvolvimento da modalidade. A formação está mal, tivemos formação até 2005 e até hoje nada mais se faz nesta matéria. Hoje não temos professores com ferramentas modernas. Temos apenas uma pessoa a exercer a função de técnico mas não o é por falta de formação, disse.