Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Beckenbauer: jogador que encantou o mundo

10 de Janeiro, 2011

Beckenbauer foi um dos que ganhou o Campeonato do Mundo como jogador e depois como técnico

Fotografia: AFP

O jogador alemão alcançou grandes êxitos como jogador e como treinador. Ao falar-se de classe, talento, competência na defesa, contundência no ataque, elegância em campo e uma enorme visão a partir do banco, não se pode pensar em nenhum outro no mundo do futebol senão no “Kaiser” Franz Beckenbauer, um dos jogadores com maior categoria na história do desporto rei.

Conhecido pela sua trajectória como homem de maior respeito da Alemanha, sobretudo em 1974, este indiscutível elemento do técnico Helmuth Schoen começou a destacar-se em 1963, num dos clubes mais famosos do seu país, o Bayern Munique, e dois anos depois era seleccionado. No Inglaterra 1966, o seu primeiro mundial, o “Kaiser” teve uma intervenção muito boa nos relvados britânicos. Jogou todos os minutos dos seis encontros da equipa Schoen, marcou quatro golos: dois à Suíça, um ao Uruguai e aquele que permitiu a passagem para a final, frente à URSS.

No México 1970, Beckenbauer marcou apenas um golo mas que foi fundamental para que a sua equipa cobrasse a vingança contra a Inglaterra. Mas, sem dúvida que será sempre lembrado por ter jogado com um ombro deslocado durante vários minutos da chamada “Partida do Século”, na meia-final de Azteca entre a Itália e a Alemanha em partida ganha pelos azuis (Itália).

Após ter ganho o primeiro Europeu, em 1972, e a primeira de três Ligas de Campeões com o Bayern Munique (73-74), o “Kaiser” chegou ao seu terceiro mundial, que foi em casa e no qual transportou a braçadeira de capitão, além de se consolidar como um dos melhores jogadores do planeta, apesar da enorme actuação do holandês Johan Cruyf.

Nesse Mundial, Beckenbauer não marcou. Jogou sete partidas completas com a sua equipa e foi o primeiro capitão que recebeu a nova Taça FIFA, a 7 de Julho, no estádio de seus grandes triunfos, o Olímpico de Munique. Após ser vice-campeão europeu em 1976, ano em que ganhou o seu segundo título de melhor jogador desse continente, jogou a sua última partida pela selecção em 1977, quando toda a Alemanha esperava vê-lo no Argentina 78.

Em 1977 foi jogar no Cosmos de Nova Iorque ao lado de Pelé, em 1982 transferiu-se para Hannover e em 1993 aposentou-se definitivamente como jogador. Sem ter dirigido qualquer clube antes, Beckenbauer foi escolhido para técnico da selecção alemã, após um curto ciclo de Jupp Derwall, terminado com o ridículo do Europeu da França 84. Beckenbauer levou sua equipa ao campeonato do Mundo do México 86 onde os alemães foram vice-campeões.

Quatro anos depois, o “Kaiser” levou a sua equipa ao tricampeonato de Roma, depois de se livrar da Argentina, campeã no México.Beckenbauer e Zagallo são os únicos que ganharam o Campeonato do Mundo primeiro como jogadores e depois como técnicos.Após conquistar o Campeonato de Itália, Beckenbauer foi dirigir o Olympique de Marsella, mas terminou como dirigente do Bayern Munique, clube de que é agora presidente.

Mundiais como jogador

Inglaterra 66 – O mundo teve a oportunidade de ver pela primeira vez o que seria um dos melhores jogadores do planeta. Jogou os 90 minutos de seis encontros da sua selecção e marcou quatro golos, um deles espectacular, que superou o mítico Lev Yashin, na meia-final de Liverpool.

Mexico 70 – Não pôde estar presente em todos os minutos. Completou quatro dos seis duelos. Quando goleava a Bulgária foi substituído após o regresso do seu problema de braço no “Jogo do Século”, frente à Itália ficou fora da partida que disputava pela terceira vez.

Alemanha74 – O “Kaiser” demonstrou ser o melhor da grande safra de alemães desse ano. Cumpriu o seu papel em campo e viu coroada a sua grande carreira ao receber a TAÇA FIFA que o proclamou campeão mundial junto dos seus companheiros e do célebre técnico alemão Helmuth Schoen. Como director técnico

Mexico 86 – Depois de chegar ao posto sem ter qualquer experiência, “Kaiser” classificou a Alemanha e levou-a até ao segundo lugar.Aqui se regista, talvez, o seu único recorde negativo, já que a RFA nunca tinha perdido uma partida eliminatória e caiu em casa frente a Portugal, por 1-0, no caminho para 86. Com um trabalho discreto, esteve a ponto de ser rei na sua primeira oportunidade.

Itália 90 – A consagração de Beckenbauer chegou a levar a então Alemanha Ocidental ao seu último título mundial. Depois de terminar o terceira Europeu no seu país, em 1988, os alemães formaram uma equipa que se converteu no quadro mais espectacular do Mundial mais defensivo da história. Com um futebol vistoso e ofensivo, o “Kaiser” pôde levantar de novo a Taça FIFA.