Jornal dos Desportos

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Reportagens

Benguela em correrias marca dias que antecedem o CAN-2010

Matias Adriano - 08 de Janeiro, 2010

Benguela têm tudo preparado no que de organização administrativa

Fotografia: Jornal dos Desportos

A temperatura subiu de intensidade. O CAN-2010 virou música ritmada e audível aos bons ouvidos. Anda no centro das atenções. Ainda que aconteçam por cá congressos de alcance mundial, ainda que se registem factos de elevado impacto político, será, de certeza, em torno da prova africana que andarão as conversas.
Aliás, atrevemo-nos a dizer que talvez só mesmo um acontecimento trágico(Deus esteja surdo) com avultados danos morais, materiais e humanos estará em condições de desviar, por alguns instantes, a atenção que está ser dedicada à prova nestes instantes que antecedem o seu começo.
Pelo país, sobretudo nas quatro cidades sedes, o frenesim é incomensurável. Os aeroportos registam um movimento longe do normal. As unidades hoteleiras ganham uma outra vivacidade. Pois, de forma faseada começaram a desembarcar as selecções participantes e outros agentes que directa ou indirectamente terão intervenção na prova.
Em Luanda particularmente, os últimos dias têm sido de enorme procura de ingressos para a cerimónia e jogo de abertura, que há muito esgotaram, sendo que a possibilidade de consegui-los vai para lá das bilheteiras oficiais. O recurso passou a ser o mercado paralelo, onde em regra os preços custam os olhos da cara.
Ninguém quer ficar fora do primeiro jogo. Ainda que as estações televisivas estejam ai com a sua tecnologia de ponta, aptas para prestar o melhor serviço possível aos seus telespectadores, a esmagadora maioria quer assistir o jogo ao vivo. Esta atitude não deve constituir espanto. Pois, há no meio de tudo vários motivos de interesse.
Primeiro, há que reconhecer ser a primeira vez que a prova se realiza em Angola, sendo uma soberana oportunidade de assistir ao vivo à sua cerimónia de abertura. A seguir coloca-se o facto de ser o jogo de inauguração de um estádio construído de raiz. É direito do homem coleccionar factos históricos para contar no futuro.
 Em meio de toda a expectativa há também a esperança de ver a selecção superar as mazelas que ameaça(va)m limitá-la. Algumas unidades influentes na manobra do conjunto estavam até no começo da semana condicionadas. Mas, felizmente parece que as coisas se vão acertando, transmitindo desta forma maior dose de confiança à equipa técnica.
Um aspecto que merece realce particular é, indubitavelmente, o calor que a equipa tem merecido desde que regressou ao país, após estágio cumprido no Algarve. Inclusive o presidente da república assistiu ao treino da passada quarta-feira, tendo a sua presença constituído um grande alento aos integrantes da equipa. Desportista por excelência, José Eduardo dos Santos não tomou assento sem antes saudar os atletas a quem tratou de transmitir algumas palavras de incentivo.
Enfim, já entramos no calor do CAN, bastando para tanto olhar para as cores vermelhas e pretas da bandeira nacional espalhadas por tudo quanto é canto. Será em nome desta bandeira em que todos nós somos chamados a exercer o zelo o papel de 12º jogador e "unidos como um só homem" empurrarmos os Palancas à conquista de resultados brilhantes e meritórios.

Correria marca dias
que antecedem o CAN-2010


Com a Taça de África das Nações Orange Angola-2010 às portas, as autoridades em Benguela têm tudo preparado no que de organização administrativa diz respeito. Agora que comece a prova para a felicidade dos benguelenses desejosos de ver bom futebol. É a festa da bola que vai arrancar e que por terras de O’mbaka o “pontapé de saída” está marcado para a próxima terça-feira, dia 12, com o jogo entre Egipto e Nigéria.
Reina grande agitação à volta do CAN-2010. Todos querem saber mais sobre a realização da prova. A correria dos aficionados é notória nas artérias das principais cidades da província, não obstante pecar em termos de publicidade. Na verdade, pouco foi feito para a divulgação da prova que o país acolhe de 10 a 31 de Janeiro em curso.
Mesmo assim, nos dias que correm, a Taça de África Orange Angola-2010 virou moda entre os benguelenses, sejam eles governantes, políticos, comerciantes ou cidadãos comuns. Todos falam do CAN. 
“Pretendemos organizar um CAN exemplar que nos encha de orgulho perante a África e o Mundo”, dizem algumas pessoas.
É a azáfama que se apoderou no seio dos benguelenses, pois ninguém quer ficar à margem da festa. Aliás, a correria que se verifica na procura dos bilhetes nos bancos e às bandeirinhas e alguns autocolantes que se colocam nalgumas viaturas particulares anunciam o trabalho que se está a desenvolver em torno do vigésimo sétimo Campeonato Africano das Nações em Futebol.

Governador apela à mobilização de todos

O governador provincial de Benguela, Armando da Cruz Neto, apelou à população local a mobilizar-se em torno da realização êxitosa do Campeonato Africano das Nações de modo a testar a sua capacidade de organização.
De acordo com o governante, a população benguelense é, por natureza, hospitalar, por isso deve estar preparada para acolher todos os turistas (nacionais e estrangeiros) que em Benguela estarão, aquando da realização da Taça Africana Orange-Angola2010, de forma a sentirem-se bem e como se estivessem em casa.
“Todos os que por aqui passarem por altura da realização do CAN deverão ser bem recebidos para que sintam o calor da nossa hospitalidade. Precisamos de mostrar aos visitantes por que somos um povo especial. O civismo, a irmandade e o espírito de inter-ajuda deve prevalecer entre nós, sublinhou Armando da Cruz Neto.
O governante depositou o seu voto de confiança nos Palancas Negras que em Luanda, na série A, vão tudo fazer para, na primeira fase, para se apurarem aos quartos-de-final ou ir mais longe. Na sua óptica, o grupo de trabalho moldado pelo professor Manuel José, oferece garantias para se realizar uma boa campanha no certame, pelo que acredita numa surpresa agradável.
"É preciso acreditar na capacidade competitiva dos nos atletas que, como patriotas que são, vão proporcionar-nos alegria. Aliás, é por isso que eles são ‘especiais’, parafraseou o governante benguelense, visivelmente optimista.

Mil e quinhentos quartos preparados  

O ramo da hotelaria e turismo tem tudo preparado para receber as delegações que, em Benguela, vão participar, directa ou indirectamente, na prova continental baptizada de Taça de África das Nações Orange-Angola-2010.
Segundo Alice Cabral, directora provincial da referida instituição, todos os constrangimentos vivido até princípio de Dezembro ficaram ultrapassados na medida em que as obras das unidades hoteleiras indicadas para servir o CAN-2010 foram concluídas e entregues aos seus proprietários.
"Neste momento podemos da-nos por satisfeitos, visto que a nível da província contamos com cerca de mil e 500 quartos, número suficiente para acolher as delegações desportivas e convidados que vão acompanhar o desenrolar da prova”, precisou.
Para as delegações nacionais e estrangeiras, o COCAN local colocou à disposição cerca de uma dezena de unidades hoteleiras, dentre as quais constam algumas hospedarias e complexos residenciais com serviços de alta qualidade, isto desde o atendimento à acomodação do cliente.

Preços do alojamento
causam inquietação

O grau de satisfação apresentado por Alice Cabral é beliscado, pois, nem tudo no seu ramo caminha a contento. A preocupação está no que toca à acomodação dos turistas nacionais e alguns estrangeiros que manifestarem o interesse em visitar Benguela por altura do Campeonato Africano das Nações Orange-Angola2010.
Os preços praticados na maioria das unidades hoteleiras, o mínimo a rondarem os USD 300. 00 (trezentos dólares norte-americanos) por dia, está na base da inquietação das autoridades locais que ensaiam fórmulas para atenuar a situação de forma a acomodar a todos os que por Benguela passarem. 
“Estamos a fazer tudo para que todos sejam bem alojados. Os indicadores apontam que a maioria dos turistas que por aqui estiverem para assistir aos jogos do CAN-2010 não poderão suportar os preços estipulados pelos serviços hoteleiros locais. Por isso, urge a necessidade de se criar condições para os acomodar.
“Pensamos na colaboração de certas escolas que cederam algumas salas de aulas para servirem de dormitórios. Sabemos também que existem grupos que estão a criar condições próprias para a sua acomodação, que vão montar as suas tendas em locais a serem indicados por nós, contando com a colaboração directa dos serviços da Polícia Nacional”, aventa Alice Cabral.

Escassez dos bilhetes gera especulações

A medida tomada pelo Comité Organizador do Campeonato Africano das Nações (COCAN) em proceder a venda dos bilhetes para os jogos em  Bancos Comerciais continua a ser motivo de conversas desencontradas entre os aficionados da modalidade-rainha em Benguela.
Se para alguns a medida visou disciplinar as vendas, evitando a sua falsificação no mercado negro (prática usual, infelizmente), para outros, a mesma só veio complicar a situação, dada a exiguidade de dependências bancárias indicadas pelo COCAN existentes na província.
Nos dias que correm, nos balcões dos Bancos de Poupança e Crédito (BPC) e o Banco Africano de Investimento (BAI) tem-se registado grandes enchentes de pessoas ávidas para a compra de bilhetes que os habilite a assistirem aos jogos do CAN.
Em alguns balcões os bilhetes do dia 12 (para o jogo entre Egipto e Nigéria) esgotaram, estando a procederem a vendas dos ingressos referentes às demais jornadas. O facto está a dar lugar à especulação entre os populares que exigem dos responsáveis de direito explicações aceitáveis, sob pena de serem mal interpretados.
Por isso, sugerem que se aplique a metodologia ensaiada em Luanda. Ao invés de atribuir apenas aos bancos, transferir-se-ia a venda dos ingressos a locais acessíveis a todos os quanto pretenderem os comprar.
Caso não se enverede para esta metodologia, receia-se que os objectivos traçados pela organização, que passa por lotar o estádio (35 mil é a sua capacidade) no dia 12, venha a redundar num autêntico fiasco.

Benguelenses assistem à cerimónia
de abertura no Estádio de O´mbaka

A cerimónia de abertura do XXVII Campeonato Africano das Nações Orange Angola-2010, a acontecer no próximo domingo, na cidade capital, concretamente no Estádio Nacional 11 de Novembro, vai ser acompanhado atenciosamente pelos benguelenses através de duas telas gigantes montadas no Estádio Nacional de O’mbaka.
De acordo com o subdirector para a Informação Publicidade e Marketing do COCAN/Benguela, Ramiro Aleixo, o acto que servirá para testar o nível de organização da claque que em Benguela vai apoiar as selecções nacionais congregados no Grupo C, contará com a participação de várias entidades, dentre governantes, desportistas, políticos, empresários e cidadãos em geral. Ou seja, toda a gente está convidada a juntar-se à iniciativa.
"Para além de assistirmos à cerimónia que decorrerá no Estádio Nacional 11 de Novembro, vamos testar a capacidade mobilizadora do EMOCAN que para esta actividade junte um número considerável de figurantes no Estádio de O’mbaka", explica Aleixo.
Ramiro Aleixo assegurou que vai ser uma noite de muita cor, alegria e festa do desporto, onde todos os benguelenses e não só estarão no Estádio Nacional de O’mbaka a torcer para a vitória da Selecção Nacional diante da Selecção do Mali que vêm ao nosso país na sua maior força e pronta para corrigir a fracassada campanha que realizaram no Ghana-2008, onde não foram além da primeira fase.
"Mesmo assim, vamos mostra-los que em nossa casa mandamos nós, pelo que apenas a vitória nos interessa no jogo", remata.
 Júlio Gaiano, em Benguela