Jornal dos Desportos

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Reportagens

Bié almeja supremacia no desporto adaptado

14 de Abril, 2010

Associação controla 103 atletas

Fotografia: Jornal dos Desportos

Situada no Centro-Sul de Angola, o Bié foi uma das províncias mais visadas durante o período de guerra que assolou o país, o que está ligado ao facto de possuir um grande número de pessoas portadoras de deficiência física, que estão inseridas nos vários sectores da sociedade. No que toca ao desporto, salienta-se a presença de um grande número portadores de deficiência naturais do Bié em provas nacionais e internacionais, rompendo assim a estigmatização de que são alvos.

O Bié quer tornar-se na principal força do atletismo adaptado em Angola. O coordenador da área técnica da Associação Provincial dos Desportos Adaptado, Óscar Fausto, disse que este ano aquela instituição pretende trabalhar na massificação da modalidade nos nove municípios da província. Aquele responsável sublinhou que a iniciativa visa massificar o desporto em todas as classes (visual, motora, auditiva, tanto em masculinos como em femininos)

Óscar Fausto referiu que a expansão da modalidade vai decorrer, numa primeira fase, nos municípios do Andulo, do Kuito, de Camacupa, de Catabola, do Chginguar, do Chitembo, do Cuemba e Nharea.Fausto, que também é o treinador principal da Selecção Provincial de Atletismo, adiantou que o Bié vai trabalhar para atingir o topo do atletismo para portadores de deficiência, posição hoje ocupada pela província de Luanda.

"O Bié é a segunda força da modalidade no país. A nossa província e a de Luanda são as que fornecem mais atletas à Selecção Nacional. Nas competições nacionais, os atletas bienos têm arrebatado vários títulos”, enfatizou.O crescente número de jovens deficientes que se inscrevem na Associação para aprender o "ABC" das várias especialidades do desporto adaptado, como forma de ocuparem os tempos livres, está a preocupar os responsáveis do programa de massificação, por falta de material desportivo como sapatilhas, calções, camisolas, bolas, cadeiras de rodas e outros, que concorrem para o processo normal de aprendizagem.

A situação está a frustrar a vontade de vários jovens, na medida em que têm poucas oportunidades para ingressar numa das especialidades. A coordenação de atletismo para portadores de deficiência controla actualmente 60 atletas das classes T11 (deficiência visual total), T46 (amputados dos membros superiores) e T12 (deficiência visual parcial), com idades compreendidas entre 16 e 35 anos. Por outro lado, a Associação dos Desporto Adaptado do Bié controla 50 atletas na disciplina de atletismo, 18 jogadores de basquetebol em cadeira de rodas, 30 voleibolistas e 15 atletas de boccia (espécie de futebol de salão jogado com as mãos).

Mais apoio precisa-se

O  coordenador técnico da Associação Provincial dos Desportos Adaptados do Bié, Óscar Fausto, disse que o desporto adaptado local precisa de mais apoio da sociedade, dada a sua especificidade, que transcende o âmbito desportivo."É preciso sensibilizar a sociedade local a ajudar no desenvolvimento do desporto adaptado", sublinhou Óscar, acrescentando não ser fácil trabalhar com atletas portadores de deficiência. "Não é fácil trabalhar com atletas paralímpicos. Para tal, precisa-se de muito empenho, dedicação e, sobretudo, carinho".

"O desporto é um meio de luta contra o racismo e a xenofobia. Serve ainda para promover a tolerância, a compreensão e a coesão social. É preciso que não se olhe para a Associação do Desporto Adaptado como o único responsável. Todos devem contribuir com ideias para o seu melhoramento", exorta.

Óscar Fausto pode   
abandonar a coordenação técnica


 Óscar Fausto, coordenador técnico da Associação Provincial dos Desportos Adaptados, manifestou a intenção de abandonar o cargo devido às grandes dificuldades que a modalidade atravessa nos dias que correm, que têm a ver com a falta de verbas para a realização de actividades internas e a participação em provas em nacionais.

"Não é possível trabalhar sem as condições mínimas. Se a situação prevalecer como está, vou preferir abandonar", desabafou.
A título de exemplo das dificuldades por que passam, Óscar contou que, para participarem no campeonato de corta-mato, realizado recentemente na província do Bengo, a caravana desportiva do Bié deslocou-se ao palco da competição sem qualquer ajuda das autoridades locais.

Ainda assim, na referida prova, o Bié classificou-se em terceiro lugar, conquistando quatro medalhas (duas de ouro, uma de prata e outra de bronze), por intermédio de Dofilia Mbuio (uma de ouro) e João Feliciano (outra de ouro), Alberto Lussasese e Adolfo Sambundo (cada com uma de prata).

Reconhecimento a Beatriz Nelundo

 O Governo Provincial do Bié ofereceu, no passado mês de Dezembro, na cidade do Kuito, uma residência a Beatriz Nelundo, campeã mundial paralímpica de atletismo, título conquistado em 2007, no Brasil.Construída pela empresa MCA, a residência, situada no bairro Chissindo, possui uma sala de estar, dois quartos, uma cozinha, um WC, uma suite e um quintal vasto.

De acordo com o director provincial da Juventude e Desportos, Carlos da Silva, o gesto visou homenagear as 18 vitórias conquistadas pela atleta ao longo da sua carreira, das quais se destaca uma nos 1500 metros, no Mundial do Brasil. Beatriz Nelundo, de 27 anos, é portadora de deficiência visual e auditiva não adquirida. Praticante de atletismo desde 2005, conquistou três medalhas de ouro nos1500 e 800 metros, em 2006, 2007 e 2008. Conquistou também, por duas ocasiões, a Taça LWINI.

De igual modo, venceu o Campeonato Nacional de Corta-Mato, realizado na província da Huíla, em 2009. Ao todo, conquistou 12 medalhas de ouro, três de prata e igual número de taças.De recordar que na província do Bié nasceram os atletas mais referenciados no atletismo adaptado de Angola.

 Ângelo Londaca foi o pioneiro. Participou nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, Sidney-2000 e Atenas-2004. José Sayovo, triplo campeão paralímpico (em Antenas-2004) e triplo medalha de bronze (em Pequim-2008) e Beatriz Nelundo, campeã do mundo de 2007, prova disputada no Brasil, são nos dias que correm os principais "ícones" da modalidade, todos naturais do Bié.

Reconhecimento a Beatriz Nelundo

O Governo Provincial do Bié ofereceu, no passado mês de Dezembro, na cidade do Kuito, uma residência a Beatriz Nelundo, campeã mundial paralímpica de atletismo, título conquistado em 2007, no Brasil.Construída pela empresa MCA, a residência, situada no bairro Chissindo, possui uma sala de estar, dois quartos, uma cozinha, um WC, uma suite e um quintal vasto.

De acordo com o director provincial da Juventude e Desportos, Carlos da Silva, o gesto visou homenagear as 18 vitórias conquistadas pela atleta ao longo da sua carreira, das quais se destaca uma nos 1500 metros, no Mundial do Brasil.Beatriz Nelundo, de 27 anos, é portadora de deficiência visual e auditiva não adquirida. Praticante de atletismo desde 2005, conquistou três medalhas de ouro nos1500 e 800 metros, em 2006, 2007 e 2008. Conquistou também, por duas ocasiões, a Taça LWINI.

De igual modo, venceu o Campeonato Nacional de Corta-Mato, realizado na província da Huíla, em 2009. Ao todo, conquistou 12 medalhas de ouro, três de prata e igual número de taças.De recordar que na província do Bié nasceram os atletas mais referenciados no atletismo adaptado de Angola. Ângelo Londaca foi o pioneiro. Participou nos Jogos Olímpicos de Atlanta-1996, Sidney-2000 e Atenas-2004. José Sayovo, triplo campeão paralímpico (em Antenas-2004) e triplo medalha de bronze (em Pequim-2008) e Beatriz Nelundo, campeã do mundo de 2007, prova disputada no Brasil, são nos dias que correm os principais “ícones” da modalidade, todos naturais do Bié.

Dofilia sonha com a Selecção Nacional

Dofilia Mbuio, (deficiente visual da classe T11), de 25 anos de idade, cinco dos quais a praticar o atletismo, foi a vencedora da prova de corta-mato de 3000 metros disputada a 4 de Abril, no Bengo. O seu maior desejo é representar a Selecção de Angola."Conquistei a prova e vou continuar a trabalhar arduamente para atingir a selecção nacional, um dos meus maiores objectivos", afirma Dofilia, com um sorriso nos lábios.

A corredora encoraja outras jovens portadoras de deficiência espalhadas pelo país a praticarem desporto.
"Gostaria de aconselhar às jovens do país, em especial as do Bié, a praticarem desporto", aonselha.

 Escassez de material dificulta funcionamento


A falta de material desportivo e de meios financeiros tem sido a principal dificuldade dos atletas paralímpicos no Bié. A Associação não possui recursos financeiros nem um patrocinador oficial para um funcionamento normal. As únicas ajudas provêem da Direcção Provincial da Juventude e Desportos e do Comité Paralímpico Angolano.


Apesar dos poucos apoios para se manterem em actividade, Óscar Fausto diz que a Associação local continua a trabalhar com todo o afinco."Temos vários atletas na praça nacional e internacional, que são chamados à selecção", exemplifica.