Jornal dos Desportos

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Reportagens

Boniek: Um astro mundial

02 de Maio, 2011

Boniek treinou em 1990 equipas pequenas italianas

Fotografia: AFP

Foi o mais conhecido astro da sua geração no futebol da Polónia, sobressaindo internacionalmente entre os seus também celebrados contemporâneos Grzegorz Kazimierz Deyna, W³adys³aw ¯muda e Andrzej Szarmach, dentre outros. E a fama justificava-se: dono de grande visão de jogo, Boniek, uma das estrelas de uma das épocas mais brilhantes da Juventus, tinha um ritmo explosivo e realizava dribles cerebrais, além de marcar golos. Continuou de certa forma no desporto após a aposentação, tornando-se director de empresa especializada na negociação de direitos de transmissão de eventos desportivos.

Iniciou a carreira em 1975, no Widzew £ódŸ, fazendo a sua estreia pela selecção nacional já no ano seguinte. Conseguiu os seus melhores resultados no clube após uma boa participação no Campeonato do Mundo de 1978: o Widzew, um clube médio do futebol polaco, conseguiu dois vice-campeonatos em 1979 e 1980 (fora vice também em 1977) e chegou aos títulos do campeonato polaco em 1981 e 1982. Após um destaque ainda maior no Mundial de 1982, o seu segundo mundial, foi vendido para a Juventus. A transferência por 1,8 milhões de dólares, permitida em razão da abertura política vivida pela Polónia no início da década de 1980, foi a mais cara negociação de um jogador polaco até então.

A nova equipa já o conhecia bem antes do mundial: na Taça UEFA de 1980/81, Boniek e o £ódŸ tinham eliminado o clube italiano em Turim, nos 16 avos-de-final, e os polacos só foram eliminados pelo futuro campeão, Ipswich Town. Dono de uma enorme explosão física e dotado de força e muita velocidade, tornou-se versátil em posições no campo pelo talento de grande habilidade de dribles e finalização perfeita com ambas as pernas.

Selecção Polaca
Os polacos tinham conseguido um desempenho histórico no Campeonato do Mundo de 1974, voltando a um mundial trinta e seis anos depois da primeira (e única) participação e obtido um terceiro lugar, em vitória contra o Brasil. O seleccionado manteve a mesma base para o Mundial de 1978, para a qual Boniek foi como um garoto no meio de veteranos já consagrados nacionalmente. O novato conseguiu alguma projecção, marcando duas vezes - ambos contra o México, na primeira fase. A Polónia cairia na segunda fase de grupos, tendo integrado a mesma série de Brasil e Argentina, além do bom clube do Peru. Posteriormente, a equipa quase se classificou para o seu primeiro Campeonato da Europa em 1980, por um ponto a menos em relação aos então bi-vice-campeões do mundo, a Holanda.

A sua explosão aconteceu no mundial seguinte, o da Espanha, onde marcou quatro vezes, sendo três na segunda fase de grupos, contra a Bélgica, todos tidos como sublimes: o primeiro foi um remate de 20 metros de distância; o segundo, uma cabeçada inteligente; o terceiro, após aparecer subitamente para receber assistência de Grzegorz Lato, tirar o guarda-redes Jean-Marie Pfaff da jogada e enfim marcar. Os três golos foram fundamentais para a classificação polaca: eles foram à última ronda desta segunda fase a precisar de apenas um empate contra a então União Soviética, que venceram os belgas por apenas 1-0.

O empate sem golos entre polacos e soviéticos credenciou a Polónia para as meias-finais, onde tiveram pela frente a surpreendente Itália. Paolo Rossi, futuro colega de Boniek na Juventus, fez os dois golos da vitória adversária. Boniek fez falta: não pôde participar na partida, suspenso após ter sido expulso contra a URSS. Os polacos ficaram satisfeitos com o bronze, novamente conquistado após oito anos, vencido contra a forte selecção francesa.

No Campeonato do Mundo de 1986, Boniek já não esteve tão bem como no anterior, não marcando golos e com actuações discretas em função do mau estado dos seus joelhos. A Polónia, ainda assim, avançou para os “oitavos”, onde foi eliminada pelo Brasil. Ele fez o último jogo pelo seu país em 1988 - a selecção, que não tinha conseguido vaga no Euro 1984, também já estava de fora do Euro daquele ano.

O Técnico
Boniek começou a nova função em 1990, no Lecce, treinando outras equipas pequenas italianas até 1996. Voltou a comandar uma equipa em 2002, desta vez a selecção polaca, onde assumiu em Julho após o fiasco do seleccionado no Mundial de 2002. Decidiu sair ainda naquele ano, em Dezembro.