Jornal dos Desportos

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Reportagens

Brandão Hamalata o músico karateca

Sardinha Teixeira - 19 de Março, 2010

Manuel Alfredo Brandão, ou simplesmente "Brandão Hamalata

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como muitos jovens, Brandão Hamalata era bastante ligado ao mundo dos vídeo-jogos de luta e aos filmes de Bruce Lee e Van Damme. Talvez isso tenha ajudado e incentivado a passagem à acção. Entrou para o karaté, por influência de um casal de irmãos, que na altura eram os seus melhores amigos.

Isso deu-se em finais de 1979. Um mês depois, acabou por entrar também o seu irmão, o que fez com que fossem muito mais responsáveis e assíduos nos treinos. Hamalata tem certeza de que, naquela altura, se não tivesse sido o seu pai a dizer "vais treinar, e vais mesmo", teriam havido alguns dias em que teria faltado aos treinos.

Hoje, Brandão Hamalata considera que o karaté competitivo em Angola está em ascensão. "Acho que somos um desporto relativamente recente e que tem muito para evoluir em termos de organização e dinamização. Até mesmo no que diz respeito às regras, acho que temos ainda de mudar algumas coisas para podermos entrar nos Jogos Olímpicos", sublinhou.

"Como simples karateca que sou, tenho algumas reticências sobre as apostas que estão a fazer. Mas quem sou eu para dizer que está bem ou está mal? O futuro o dirá. Até agora, não tenho visto grandes resultados. Para mim, ir lá fora e perder na primeira volta não é um bom resultado, e isso vale para o kata, como vale para o kumite".

Contudo, o ex-atleta não se sente arrependido por não ter sido escolhido para representar as cores da nossa bandeira além fronteiras. "Agora já não penso muito nisso, mas a verdade é que acho que poderia ter sido diferente. Nessa altura, em que eu era júnior, fui a dois campeonatos africanos. Em ambos, passei várias eliminatórias", disse.

O antigo karateca acrescentou que "fazem falta escolas de formação e entidades que apostem na formação". Hamalata afirma que existem em Angola bons atletas, mas “não têm é acompanhamento ao longo da sua vida desportiva. Pessoalmente, acho que a Federação, como organismo máximo do karate, não tem aproveitado da melhor forma os patrocínios nem a comunicação social".

Manuel Alfredo Brandão considera" inacreditável que um atleta, em nome do seu clube ou associação, consiga mais rápido um patrocínio e colocar uma notícia num jornal nacional do que a Federação". O ex-karateca referiu, ainda, que" não se entende que as nossas competições durem um dia inteiro. Quem é que tira um sábado ou domingo inteiro para ficar fechado num pavilhão? Só mesmos os atletas, alguns amigos e familiares..."

Nesse contexto, "Brandão Hamalata” deixa um recado: "aos atletas, gostaria que continuassem a competir uns com os outros, porque isso é muito importante, mas de uma forma saudável. Para Associações e Federação, gostaria que todos fizessem as coisas para o bem dos praticantes e atletas".

Nome: Manuel Alfredo Brandão
Data de nascimento: 2/02/63
Natural: Kwanza-Sul
Estado civil: Solteiro
Filhos: 8
Ocupação:  Desportista e músico
Sonho: Ser um bom músico
O que ganha dá para viver? Sim
Tem carro? Não
... Casa? Não
Acredita em forças ocultas? Sim. Mas a fé vence tudo
Alguma vez foi aliciado? Não me lembro
Virtude: Cumpridor da minha palavra
Defeito: Duvidoso
Peso: 110 Kg
Vício: Trabalhar
Sabe cozinhar? Sim
Alguma vez mentiu? Não
Já foi enganado? Não
Deputado ou ministro, qual dos dois cargos escolhia? Ministro
O que acha da corrupção?  Não cria desenvolvimento
Poligamia: Respeito
Altura: 1, 68 m
Calçado: 43
Prato: Funje de peixe seco e feijão
Bebida: Cerveja
Melhor desporto: Karaté
Fuma? Não
Segue a moda? Não
Livros: Romances
Filmes: Policial
Esplanada ou discoteca? Esplanada
Hooby: Ver futebol e compor musica
Religião: Católica

"Sem convites..."

O karateca "Brandão Humalata" também é músico. Ao longo dos 20 anos de ausência, o homem do Kwanza-Sul participou em vários fóruns internacionais. Esteve presente em mais de 18 países. O homem que continua a encantar multidões nos palcos, regressou a Angola há sete meses, para continuar a dar o seu contributo à cultura nacional. Contudo, o músico não tem encontrado espaço na acção cultural, o que o enche de descontentamento o artista, pois nunca foi convidado para um espectáculo, ao longo destes meses em que se encontra no país.