Jornal dos Desportos

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Reportagens

Burns defendeu o título várias vezes

19 de Março, 2012

Em 1996 Tommy Burns entrou para a selecta galeria dos pugilistas imortalizados no International Boxing Hall of Fame

Fotografia: AFP

Nascido com o nome de Noah Brusso, decidiu trocar para Tommy Burns em 1904, quatro anos depois de ter começado a carreira profissional no boxe. Media apenas 1,70 e pesava não mais do que 80 kg. Burns lutou entre os pesos-médios nos primeiros anos de carreira, tendo conseguido dois títulos regionais, ao longo de cinco anos. Burns tinha ambições maiores, querendo tornar-se o maior pugilista do mundo e almejava conquistar o título de campeão dos pesos-pesados, a categoria mais prestigiada.

Essa oportunidade surgiu em 1906, quando o campeão Marvin Hart resolveu defender o cinturão pela primeira vez, contra o pequeno Burns, um improvável adversário capaz de o derrotar.Burns dominou a luta, tendo vencido 18 dos 20 assaltos, o que lhe garantiu a vitória por pontos e o direito de erguer o cinturão de campeão mundial dos pesos-pesados. Depois de ser campeão, Burns conseguiu defender o título em 11 oportunidades, contra lutadores do mundo inteiro, pois ao contrário dos campeões que o antecederam, Burns acreditava que só merecia o direito de ser chamado campeão mundial se fosse capaz de derrotar os melhores lutadores de cada país.

Em 1907 e 1908, Burns viajou pelo mundo todo, lutando contra os melhores pugilistas britânicos, irlandeses e australianos. Nesse período, Burns estabeleceu um novo recorde, pois ao ter derrotado por ko oito adversários de seguida, acabou por se tornar o campeão dos pesos-pesados com maior número de vitórias por ko consecutivos.Não bastasse ter permitido que pugilistas fora da América desafiassem o seu cinturão, Burns também foi o primeiro campeão a concordar em pôr o título em disputa contra um pugilista negro.

Burns alegava que não era digno da sua parte ostentar o título de melhor do mundo, caso não permitisse que todos lutassem por ele.Em 1908, Burns perdeu o título para Jack Johnson, que se tornou o primeiro negro a conquistar o título de campeão mundial dos pesos-pesados.Numa época de extrema segregação racial, em que nunca antes fora permitido a um lutador negro disputar o título de campeão dos pesos-pesados, o gesto de Burns foi o catalisador de um dos acontecimentos mais relevantes em toda a história do boxe.

Depois de aposentado, Burns vivia um óptimo estado financeiro até à crise de 29, quando a sua fortuna foi toda liquidada. Faleceu em 1948, aos 73 anos idade, vítima de um ataque cardíaco. Em 1996, Tommy Burns entrou para a selecta galeria dos pugilistas imortalizados no International Boxing Hall of Fame.

HÓQUEI SOBRE O GELO

Gretzky entrou no Salão da Fama

Wayne Gretzky entrou no mundo do hóquei no gelo em 1978, um rapaz magro de Brantord, Ontario. Tinha 17 anos de idade e pesava 72 quilos. Em 18 de Abril de 1999, Gretzky disputou o último jogo da sua carreira e saiu como o melhor jogador de hóquei sobre o gelo da história. Conta com 61 recordes da Liga Nacional de Hóquei (NHL), incluindo mais golpes, mais assistências e mais pontos, tanto numa temporada como em toda a carreira. Foi o jogador mais valioso da Liga em nove ocasiões, ganhou 11 títulos por anotações e participou de 18 Jogos de Estrelas.

Símbolo do desporto no Canadá, Gretzky levou o Edmonton a conquistar quatro Copas Stanley da metade até ao final dos anos 80. Em 1996, transferiu-se para Nova Iorque, onde assinou como agente livre com os Rangers.Adorava o hóquei, respeitava os seus oponentes e adorava vencer. Apesar de toda a sua majestosa atitude no gelo, fora do rinque Gretzky foi o melhor representante que o hóquei já teve, graças à sua classe e à dignidade com que se comportava. Por esses atributos, um dia depois de se despedir como jogador activo, Gretzky foi indicado para ingressar no Salão da Fama do Hóquei.

ITÁLIA

JOGOS OLÍMPICOS
Nadador Dibiasi medalha no Japão


Klaus Dibiasi tinha 17 anos de idade quando ganhou a sua medalha de prata na plataforma de dez metros nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. Para a Itália, a medalha de Dibiasi representava muito. Pela primeira vez na história da disciplina, um italiano subia ao pódio, cedendo o lugar de honra por apenas 1,04 ponto. Foi tão grande a repercussão pela obtenção dessa medalha, que ao regressar à localidade de Bolzano as autoridade decidiram investir no desporto da nova estrela. Como a piscina que treinava Dibiasi era ao ar livre, optaram por cobri-la, para que o medalhista pudesse treinar durante o duro Inverno. Assim não via suas oportunidades de futuras vitórias diminuídas.

A manobra rendeu frutos. Com o passar dos anos, Dibiasi deu à Itália três medalhas de ouro e duas de prata em diferentes edições dos Jogos Olímpicos. Não é nada fácil manter-se por cima nesse desporto, onde a idade desempenha um papel fundamental frente às limitações físicas e coordenativas que o próprio corpo humano vai impondo, mas Dibiasi superou-as. O destino quis que Dibiasi nascesse em Solbad Hall, Australia, em 6 de Outubro de 1947. O seu passo para a galeria de atletas do século pode ser considerado lógico, já que o seu pai Carlos tinha sido campeão nacional na Itália de 1933 a 1936.

NBA
Magic Johnson lutou contra a Sida


Armador principal do Los Angeles Lakers da NBA durante as temporadas de 1979 a 1992, Magic Johnson ficou conhecido por levar o “Show Time” de volta aos Lakers já na sua primeira temporada, quando ganhou o título da NBA, sendo reconhecido como o MVP (Most Valuable Player) das finais da temporada de 1979-1980, ao marcar 42 pontos, jogando como pivô, ala e armador durante aquele jogo.

Vencedor de três MVP, cinco títulos da NBA, considerado um dos 50 melhores jogadores da história da NBA, Magic ficou mundialmente conhecido em 1991, ao anunciar que era portador do vírus VIH, o que o levou a afastar-se das quadras neste mesmo ano. Participou do Dream Team na Olimpíada de Barcelona em 1992, considerado o melhor grupo de basquetebol de todos os tempos. Activista, Magic impulsionou grande parte do desenvolvimento de tratamentos alternativos para portadores do vírus VIH, sendo reconhecido pelo seu activismo pela saúde humana.

Até hoje se discute quem foi o melhor jogador de todos os tempos, Magic, Jordan, Bird, Dr, J., Russel, Chamberlain e Kareem. Apesar da discussão e das dúvidas, estes nomes já figuram na história do desporto, não apenas pelas suas vitórias como atletas e como pessoas, mas também pela paixão que demonstraram pelo desporto.De qualquer forma, o próprio Magic Johnson afirmou recentemente que Michael Jordan está num patamar acima de todos os outros: “Primeiro vem Jordan, depois todos nós.” Certa vez citou, ainda no início dos anos noventa, que “se Deus um dia viesse à Terra para jogar basquetebol, ele seria Michael Jordan”.Pelo menos para Magic, esta é uma causa resolvida. O maior legado de Magic deve ser a revolução que ele e Larry Bird promoveram no desporto, dando outra dimensão ao passe, fazendo deste parte do show como nenhum antes e sem perder a eficiência (pelo contrário, aumentando a eficiência), do jogo colectivo e competitividade.