Jornal dos Desportos

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Reportagens

Cada bairro devia ter uma escola de judo

10 de Agosto, 2010

Manuel Ribeiro e o italiano Maximiliano

Fotografia: Jornal dos Desportos

"Os meus mestres foram Manuel Ribeiro e o italiano Maximiliano, sabendo do grande interesse que tinha pelo desporto, ofereceu-me aulas gratuitas e assim pude realizar o meu sonho e, melhor, sem pagar nada por ele. A partir daí, a minha dedicação foi total e dela vieram recompensas: fui convocado para os trabalhos da pré-selecção nacional", conta Amadeu Costa, recordando a sua trajectória no judo.O antigo judoca referiu que a sua entrada para a modalidade, na década de 80, aconteceu num momento de mudança de ares, já que antes estava ligado ao atletismo. Felizment,e tudo deu certo e, com orgulho, olha para trás e vê que valeu a pena todo o suor para fortalecer o judo.Amadeu Costa considera que o judo auxilia muito os pais na educação dos filhos, pois exige dos seus praticantes empenho, concentração e disciplina."Seria muito gratificante ver crianças que poderiam estar a diabular pelas ruas, serem integradas em grandes campeonatos de judo no sistema de ensino. Essa contribuição seria de extrema importância e construiria, sem dúvida alguma, jovens mais sérios, comprometidos e cientes do seu papel como cidadão", afirmou."Se cada bairro tivesse futuramente uma escola de judo com 20 crianças, teríamos na cidade a formação de diversos campeões desse desporto olímpico. Futuramente, poderíamos promover, uma vez por ano, um torneio municipal, incentivando todas essas escolas. Com 200 e poucos bairros e 20 alunos em cada um deles, poderíamos tirar daí muitos atletas de alto rendimento técnico. Difícil, sim, mas não impossível", sublinhou.O ex-cinturão verde reconheceu que a principal dificuldade do projeto ainda é a falta de patrocínios. "Não há dinheiro para as passagens, uniformes. As nossas crianças são realmente muito pobres e não há outra saída senão obter patrocínios", lamentou.Debruçando-se sobre o estado da modalidade, Amadeu Costa frisou que o judo está a atravessar um período muito triste da sua história. A modalidade tem no país uma única academia, a da Terra Nova, onde todos os clubes de Luanda treinam. É um espaço com falta de meios para se fazer um bom treinamento desportivo. Na sua opinião, o judo angolano está em risco de desaparecer e, se não se tomarem medidas pertinentes, vai morrer mesmo.O ex-praticante lamentou a falta de competição entre os clubes. Por isso, apelou à Federação Angolana de Judo que se dê maior dinâmica à modalidade, na perspectiva dos atletas continuarem a trazer medalhas ao país, mas merecendo a devida atenção.Amadeu Costa esteve ligado ao judo durante seis anos e participou no Campeonato Africano de Dakar (Senegal). Depois, integrou os quadros da Federação Angolana de Judo, de que foi secretário permanente. Actualmente, fora dos dojos, trabalha por conta própria.>> Altos & BaixosMedalhas conquistadas"Na época, o meu clube contava com uma forte equipa de judocas, que sempre alcançava excelentes resultados nos campeonatos provinciais e nacionais em que participava. Nestes anos de história, foram muitas medalhas e títulos conquistados por alguns judocas, que não pretendiam parar", disse. Incentivo aos atletas"A Federação Angolana de Judo podia fazer muito mais para salvaguardar este desporto, por exemplo, procurar patrocinadores para que haja mais competições. Hoje, temos poucos combates no país. É preciso que haja mais incentivos para os atletas, que devem ser mais acarinhados tanto em provas internas, como no exterior", concluiu.>> Quem é quem …Nome: Amadeu CostaData de nascimento: 22/11/1955Estado civil: DivorciadoNatural: LuandaNacionalidade: AngolanaPeso: 90 KGAltura: 1,72 cmModalidade: Judo Clube: Clube de Judo de AngolaCategoria: 75 KGPrato preferido: EspargueteTabaco: NãoBebida: CervejaNúmero de calçado: 44Hobbyes: Beber uns coposFilmes: AcçãoReligião: CatólicaCor: AzulPoligamia: Respeito Perfume: DiversosMúsica: SembaEsplanada ou discoteca: Esplanada Droga: ContraPaís: AngolaCidade: LubangoCampo ou praia: CampoO que mais detesta: Roubar