Jornal dos Desportos

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Reportagens

Calor Tropical vira atracção para adeptos e curiosos

Francisco Carvalho - 09 de Janeiro, 2010

Fotografia: Jornal dos Desportos

O ambiente não modificou desde o anoitecer de última segunda-feira, data de chegada da selecção nacional ao local. A presença de crianças, adolescentes, jovens e velhos é uma constante a qualquer hora do dia. Todos estão ávidos por se deparar pessoalmente com os seus ídolos. Na esperança de concretização dos sonhos, algumas crianças e adolescentes encontraram uma “sala de espera” no muro frontal à entrada do Hotel Calor Tropical.
João Mingo vive a poucos metros do hotel e desde a chegada dos Palancas nunca viu Mantorras nem Flávio. "Quero dizer-lhes que sou um dos grandes admirador e espero que marquem muitos golos no Estádio 11 de Novembro", disse o rapaz de 11 anos de idade. O desejo de João Mingo é de um angolano que nutre na alma a esperança da consagração.
À semelhança de Mingo, Floriano José, músico kudirista, residente naquele bairro, disse que chegou às primeiras horas da tarde, porque precisa de dar o seu apoio aos "nossos jogadores".
O jogo de amanhã, no Estádio 11 de Novembro, "é de muita expectativa", porque "a selecção maliana veio reforçada de muitos craques que actuam em ‘grandes’ campeonatos”. Por esse facto, “na qualidade de angolano e de ter orgulho pela pátria, vim dar o meu calor aos nossos queridos atletas".
Emocionado pela realização da Taça Africana das Nações Orange-Angola’2010, o kudurista disse que o “apreço à selecção Nacional começa no hotel e só termina depois do árbitro apitar pela última vez no Estádio 11 de Novembro”.
A força da música angolana vai “bater com força” durante os jogos da Taça Africana das Nações Orange-Angola’2010. Quem garante é Floriano José. "A África vai sentir o poder da nossa música”, porque "é um estilo único que vai galvanizar os Palancas Negras", promete o kudurista.
A curiosidade de localizar o "Quartel-General" dos Palancas Negras levou o jovem adepto Joaquim Binga, relações públicas, à Samba. Dirigindo-se em serviço para o Morro Bento, a Yamaha azul desacelerou e parou a escassos metros da porta de entrada do Hotel.
De capacete à cabeça, Joaquim Binga exibiu sorriso, quando viu alguns elementos da equipa técnica de camisas vermelhas. “Tenho de dar mais força e coragem aos atletas para que tenham a primeira vitória no domingo", começou por justificar as razões da sua curta paragem. O apoio vai estender-se ao estádio. "Já comprei o bilhete e mais do que tudo quero dar a minha força", disse.
O futebol é a maior paixão em todo o mundo, une as pessoas para um único objectivo e enaltece os conceitos de nacionalismo e patriotismo. Em Angola, a regra está inalterável. Os grupos de amigos, constituídos por crianças, adolescentes e jovens, sucediam-se na área adjacente ao portão do Hotel Calor Tropical. Os olhares famintos “morriam” nos parcos espaços do átrio do hotel e a cada oportunidade de ver à distância o ídolo, os gritos de satisfação animavam as claques.
Laureana Marcolino, de 15 anos, fez-se acompanhar da irmã de 10. As duas permaneceram de pé largas horas com os olhos fixos ao hotel. A esperança de ver um "palanca" só foi concretizada após mais de três horas, quando o guarda-redes Carlos se movimentou de um lado para outro. O alívio foi total.
"Estou contente, porque vi o Carlitos. Só o via pela televisão", disse a adolescente do bairro da Corimba com muita satisfação. Questionada se a imagem que via pela TV e a que acabara de ver era igual, sem pensar muito ripostou: "Ao natural, é mais bonito". 

Dirigentes angolanos
incentivam jogadores


O apoio aos Palancas Negras tornou-se num dever de todos os angolanos, independentemente da sua situação social. O “Quartel-General” dos Palancas Negras, é visitado todos os dias por figuras públicas para incentivar os atletas que têm a responsabilidade de defender as cores do país.
Entre as figuras públicas que estiveram com os Palancas Negras, é de destacar o ex-dirigente do 1º de Agosto, o general França N’Dalu que, na última quinta-feira, ciente da importância do apoio psicológico à Selecção, juntou-se aos demais angolanos.
Antes, havia estado com os atletas o vice-presidente do Interclube para o basquetebol, António Miguel “Kamuloji". O dirigente afirmou “que toda a Nação está envolvida a empurrar a nossa Selecção Nacional rumo à vitória", o que ficou provado com a presença do Chefe de Estado nos treinos dos Palancas Negras.
O sentimento de vitória “responde à compensação necessária de todo o investimento da Nação”. É por esse facto que “vim emprestar o meu calor, na condição de dirigente desportivo", disse.
António Miguel afirmolu que "cada um à sua maneira deve encorajar os nossos bravos rapazes para que dêem um bom pontapé de saída”. Para a concretização do desejo, "os atletas devem acreditar que tudo é possível”. Aos concidadãos, "Kamuloji” deixou um apelo: “em representação de todos os angolanos de Cabinda ao Cunene, estaremos em peso no Estádio 11 de Novembro, empurrando os Palancas Negras para a vitória”. Uma vitória com golos assinados por Manucho e Flávio Amado, no vaticínio de António Miguel "Kamuloji".

Lesões dos Palancas
inquietam adeptos


A última avaliação do estado clínico dos atletas Flávio Amado, Rui Marques e Stélvio é feita hoje, numa das clínicas de Luanda. Na última quinta-feira, os três atletas juntaram-se ao grupo composto por Mantorras e Chara e fizeram fisioterapia no ginásio do Hotel Alvalade. A informação foi prestada por fonte próxima à equipa técnica.
A situação clínica dos atletas está a preocupar os adeptos que passam largas horas à porta do Hotel Calor Tropical (Quartel General), na esperança de ver os seus ídolos. João Manuel, ladrilhador, saiu do Cassequel para ver Mantorras, porque “admiro-o muito e a sua lesão deixa-me triste". O jovem disse mais: “tenho medo do jogo que Angola vai realizar domingo, porque a lesão de Flávio, Rui Marques e Stélvio não está a passar".
A inquietação também afecta Maria Luís, professora, uma jovem que diz admirar os Palancas Negras. "Estou a rezar a Deus para que até sábado os três se estejam curados, caso contrário, sentiremos dificuldades no jogo inaugural", disse.
Jairo Magalhães mostrou-se satisfeito por “descobrir o esconderijo” dos Palancas Negras. “Estou à procura desde terça-feira para dar um abraço ao Flávio e desejar-lhe pessoalmente rápidas melhoras", disse. “Se não jogar, no domingo, vai fazer muita falta à nossa equipa".
Flávio Amado, Rui Marques e Stélvio lesionaram-se no último jogo de preparação realizado no Algarve, Portugal, diante da Gâmbia, cujo resultado saldou em empate a um golo.