Jornal dos Desportos

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Reportagens

Campo de tiro do Bi est votado ao abandono

Jos Chaves, Kuito - 08 de Fevereiro, 2010

campo de tiro aos pratos no Bi encontra-se abandonado

Fotografia: Jornal dos Desportos

A infra-estrutura comportava um campo de tiro, um tanque, balneários, zonas de lazeres, polígono florestal e uma estufa de plantas. Foi construído de raiz o campo de tiro pelas autoridades portuguesas antes da independência nacional.
A modalidade era tradicional no seio dos desportistas bienos. Durante as década de 70 até princípio de 1980 vários desportistas locais tinham o tiro aos pratos como modalidade de preferência.

Actualmente a modalidade deixou de ser praticada na província há mais de 20 anos, razão pela qual o campo de tiro foi abandonado.
O Bié já foi considerado antigamente como a “potência” da modalidade na região centro-sul do país. Em épocas passadas realizava vários torneios onde participavam atiradores oriundos das diversas províncias de Angola mormente: Luanda, Huíla, Benguela, Kwanza-Sul, Namibe e Huambo.

DESTRUIÇÃO DA GUERRA
O campo de tiro do Bié actualmente está completamente destruído fruto da guerra que assolou o país, de modo geral, e a província do Bié, em particular,  em 1992 após a realização das primeiras  eleições multipartidárias em Angola.A estrutura onde os atiradores utilizavam para realizar as suas actividades deixou pura e simplesmente de existir. Resta apenas uns degraus e a placa onde consta o nome do recinto desportivo e a data de inauguração.

Os tijolos, chapas e portas do campo de tiro foram retirados pela população residente ao redor da estrutura. É doloroso ver o estado em que ficou o complexo desportivo, que por sinal está localizado numa zona calma da cidade. Da estrutura de apoio restam apenas as paredes. O capim tomou conta das instalações, tendo os populares transformado-as em casa de banho pública. O espaço foi também invadido por populares que construíram algumas habitações próximo das instalações desportivas.

Infra-estrutura foi construída em 1970

O campo de tiro "Adjunto de Comando José Joaquim Rodrigues" foi inaugurado por sua excelência o governador-geral em 18 de Julho de 1970. O recinto foi apenas utilizado para eventos desportivos conforme foi concebido durante 12 anos. Durante este período albergou várias provas de âmbito provincial e nacional. Antigos praticantes e conceituados ao nível nacional participaram em provas realizadas no referido campo.

O complexo possui uma área aproximada de 2000 metros quadrados. O recinto está rodeado por árvores de eucaliptos e possui uma estufa. Antigamente existia no local várias plantas. Varias famílias bienas tinham o local como sendo de lazer, isto devido as condições que lá existiam; era o lugar ideal para a realização de "Piquiniques". Vários estudantes aproveitavam o espaço para realização de estudos. Os casais de namorados e até casados tinham um local ideal para namorar e trocar juras de amor.

VIVEIRO DE PLANTAS

Actualmente o campo de tiro "Adjunto de Comando José Joaquim Rodrigues" está apenas a servir de viveiro, estando sob a responsabilidade da direcção provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural. No local podem adquirir-se várias plantas. Desde árvores de cedro, eucaliptos, nespereira, abacateiro, laranjeira, limoeiros entre outras.

Local transformado
em campo de futebol

Alguns petizes que residem nos bairros circunvizinhos onde está localizada o campo de tiro, designadamente os bairros Cantiflas, Chambanda, Popular e da Rua Cidade de Luanda transformaram o campo de tiro em campo de futebol.
Durante as manhãs e período da tarde várias crianças com idades compreedidas entre os cinco e doze anos fazem do local a sua quadra de futebol, onde têm realizado grandes “trumunos”. Os petizes aproveitam o espaço baldio que ali existe para praticar a modalidade rainha.

No local existe também um fontanário onde os habitantes dos bairros Cantiflas e Bairro Helena de Almeida retiram a água para o consumo diário. Os populares na cidade do Kuito clamam pela reabilitação da estrutura. Várias pessoas contactadas pela reportagem do "Jornal dos Desportos" afirmaram que as autoridades competentes devem recuperar a infra-estrutura desportiva para que possa voltar a contribuir para o desenvolvimento desportivo local e nacional. Assim os populares apelam ao governo provincial através da direcção provincial da Juventude e Desportos e à Federação Angolana de Tiro aos Pratos para que recuperem o mais rápido possível o campo de tiro do Bié.

Mário Camuluta, 47 anos de idade, ex- funcionário do recinto desportivo disse que  está à espera da reabilitação do empreendimento para que possa  ter de volta  o seu antigo emprego. "Eu tenho fé de que as autoridades de direito vão recuperar este espaço desportivo que já deu muitas alegrias à população local com a realização de várias provas" realçou Mário Camuluta. O ex- funcionário lamenta o actual estado em que se encontra o campo de tiro. Piedoso Francisco, 48 anos de idade, residente na Rua Cidade de Luanda, arredores do recinto desportivo, disse que é necessário que se reabilite com maior urgência o local para que tenha um outro aspecto e também para gerar novos postos de emprego para a população local.   

Federação pode fazer
ressurgir a modalidade

A Federação Angolana de Tiro aos Pratos quer revitalizar a modalidade nesta zona do território nacional segundo apurou a nossa reportagem. A FAT pretende construir um novo campo. Para tal, espera que as autoridades governamentais cedam um espaço para construção do referido empreendimento.

BIENOS INSATISFEITOS
COM A REALIDADE

A actual situação estrutural do campo de tiro na cidade o Kuito, a única por sinal existente há mais de 40 anos, tem deixado insatisfeito a juventude biena e não só. Na ansiedade de ver a situação resolvida, os populares solicitam o engajamento das entidades competentes, em particular do Governo através do Ministério da Juventude e Desportos que já prometeu continuar com a reabilitação e construção de novas estruturas por todo o país. Reconhecendo o papel desempenhado pelo desporto nesta província, os populares manifestam a necessidade de ver rapidamente recuperadas as principais infra-estruturas desportivas.