Jornal dos Desportos

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Reportagens

Cardoso Pereira promete melhorias nas Afrotaças

24 de Novembro, 2009

Apesar da presença regular, as Afrotaças não têm se revelado numa boa experiência para equipa que há muitos anos almeja a conquista de uma competição. Esta é uma dívida da direcção para com a família petrolífera?
É verdade! Julgo que, este ano, poderíamos ter feito melhor que os anos anteriores, mas tivemos o azar de nos ter cruzado uma equipa que, desde o início, estava a preparar-se para ser o campeão de África. E acabou por sê-lo; estamos a falar do TP Mazembe, (do Congo Democrático). Portanto, se não tivéssemos a infelicidade de cruzar logo na fase preliminar com o TP Mazembe, quase teríamos feito melhor figura do que aquilo que fizemos. Vamos trabalhar, porque, no desporto, os nomes não ganham, mas sim o trabalho e a dedicação; estamos a prepararmo-nos para que, de facto, façamos uma campanha a nível de África melhor que as últimas. Portanto, é objectivo do clube que, a nível das competições, possamos atingir o mais elevado possível. É óbvio que não vamos prometer por enquanto títulos, mas vamos lutar para chegar o mais longe possível. E o mais longe possível significa dizer competir a nível de grupo, passar a fase de grupo e, quiçá, disputar pelo menos os quartos-de-final.
O assessor de direcção, Totoy Monteiro, disse publicamente que a actual equipa técnica do Petro “não tem peito” para dirigir a agremiação nas Afrotaças.

O que se lhe oferecer dizer?
Para qualquer treinador ou para qualquer equipa técnica, as vitórias são sempre um grande marco e são as que enriquecem currículos. Mas se não tivermos ovos, obviamente, não vamos fazer omoletes; não estou a querer dizer que os nossos atletas não são capazes, longe disso. Aliás, constituem a espinha dorsal da nossa Selecção. É preciso também que encaremos as coisas com realismo; fomos eliminados, pura e simplesmente, pelos campeões de África e isso explica tudo. Cruzámo-nos com o TP Mazembe numa altura que não deveríamos; estávamos praticamente a começar a competição; tínhamos passado a primeira eliminatória e, obviamente, a equipa ainda não tinha atingido os níveis suficientes comparativamente ao adversário para que pudéssemos tê-lo ultrapassado. Isso não significa de modo algum dizer que o Petro não estaria interessado em competir nas competições africanas. Lançámos o repto à equipa técnica e esta nunca nos disse em momento algum que não estaria interessada ou estaria receosa em competir a nível de África. Todos estamos engajados, criamos as condições, não foi possível ir mais longe esta época, mas no próximo ano, com a mesma equipa técnica, vamos desafiar a África.

É também de opinião de que o desfasamento entre o calendário nacional e o internacional tem sido o grande obstáculo para o sucesso das equipas angolanas nas Afrotaças?
Julgo que isso, hoje, não é uma grande justificação, porque já fomos eliminados por equipas que ainda não tinham iniciado a competição interna e já íamos em duas ou três jornadas. Portanto, isso não é um forte argumento. É claro que, quando se cruzarem equipas, uma que já vem com alguma rodagem e outra que esteja no início da época, a primeira teoricamente leva alguma vantagem. Mas quando se estabelecem metas e estas passam por competições sérias, como é a competição africana, temos de nos preparar, procurar os jogos necessários que o Girabola eventualmente não nos dá, encontrá-los onde for possível, por forma a reunir o número de jogos que nos permitam ter um ritmo de competição que se adequa aos desafios que se põem ao nível destas competições.
Portanto, as equipas têm de estar preparadas; não podem apenas esperar pelo Girabola; têm de fazer jogos amistosos, fazer deslocações para preparar quer a organização, quer o espírito para essas competições que são atípicas em termos de ambiente, de acomodação, transportação e outras hostilidades que, normalmente, as equipas africanas impõem aos seus adversários, quando jogam em casa.

Para fazermos um remate a nível do futebol, o que se pode esperar do Petro de Luanda na época 2010?
Vamos lutar para manter o título de campeão do Girabola; também vamos bater-nos para a conquista da Taça de Angola e da Supertaça. A nível das competições africanas, estamos a preparar a equipa de modo a que tenhamos uma performance melhor do que tivemos este ano.

"Quem não quer ficar
não o obrigamos"

A mudança na equipa técnica de basquetebol com a saída do angolano Alberto Carvalho “Ginguba” e a entrada do português Alberto Babo, que objectivos concretos perseguem?
O primeiro grande objectivo foi de rejuvenescer a equipa em termos de atletas bem como dar um outro conceito ao basquetebol do Petro de Luanda. Reconhecemos o mérito do professor Ginguba, marcou uma época no Petro de Luanda, conquistou dois títulos, um campeonato africano de clubes, mas a dada altura, sentimos que precisávamos mudar um bocado o basquetebol do clube. Isso passou pela mudança de toda a equipa técnica como também mudanças profundas no plantel. Julgamos que temos uma equipa competitiva e vamos reconquistar o título de basquetebol sénior masculino, que nos foge há alguns anos, obviamente, com o esforço de toda a gente.
Sendo um dos objectivos a reconquista do título que já foge há alguns anos, a continuidade do novo técnico vai depender apenas do cumprimento integral do contrato ou os resultados vão falar mais alto?
Temos um contrato e pautámo-nos pela estabilidade. Não vamos de forma alguma cair nos extremos, exigindo de um técnico que acabou de chegar que ganhe tudo. Estamos a proporcionar as condições, conhecemos as capacidades do treinador e os resultados vão aparecer com certeza.

A nível do plantel, o Petro acabou por perder mais um atleta-chave, o Carlos Morais, sem, no entanto, ter-se reforçado com alguma referência a nível do basquetebol nacional...
Sim, perdemos o atleta, mas o desporto é mesmo assim! Quando alguém não quer ficar connosco não é obrigado; os atletas fazem-se e o Carlos Morais foi feito no Petro Atlético de Luanda. Acredito que temos matéria para fazer outros atletas com a mesma estaleca que tinha o Carlos Morais. Lamentamos o facto de ter desistido de continuar no Petro de Luanda; compreendemos as razões, mas fazem falta os que estão presentes. É com os presentes que vamos trabalhar no sentido de terem a mesma ou melhor performance do que aqueles que saíram.

Está a ser sistemática a saída de jogadores ano após ano. O que está por trás disto? São desacordos em termos financeiros?
Temos de ter limites em tudo. Não podemos criar desníveis acentuados na remuneração de atletas do basquetebol. O campeonato joga-se praticamente em seis meses e temos de controlar os recursos. Com o orçamento limitado que temos, não podemos fazer coisas que não nos dêem sustentação. Temos uma política de remuneração e os atletas que a aceitarem são bem-vindos ao clube, aqueles que não a aceitarem são livres de escolher outros clubes e fazemos votos que se dêem muito bem lá.

Acredita que ainda assim será possível concretizar os objectivos traçados?
Sim. Apesar das mudanças operadas, os objectivos podem ser perfeitamente concretizados. Não é por perder um ou atleta que se vai prejudicar o grupo no geral; se trabalharmos com afinco, é possível repor os níveis competitivos que são exigidos no campeonato nacional.

A nível do andebol feminino, o Petro de Luanda continua de pedra e cal quer no país, quer no continente africano. Há novos horizontes para uma equipa quase transformada, passe a expressão, numa “máquina de conquistar títulos”?
Sim, há novos horizontes. Coitadinhos de nós se adormecêssemos nos louros. O andebol feminino do Petro de Luanda é a modalidade mais titulada de África, e este ano voltou a conquistar tudo, desde a nível provincial, nacional ao internacional, o que indica claramente que estamos a fazer um bom trabalho, um trabalho com sustentação e é isso que vamos continuar a fazer. O nosso grande desafio do futuro é continuar a manter esta sustentação; é óbvio que à medida que o tempo passa as conquistas vão sendo mais difíceis, porque as equipas adversárias se organizam, se preparam, estão a surgir novas equipas com níveis competitivos muito apreciáveis a nível nacional. Estamos atentos, não queremos perder a liderança e vamos continuar a trabalhar no sentido de perpetuarmos a nossa liderança.

Há alguns anos cogitou-se a hipótese do Petro participar em torneios internacionais a nível da Europa com o objectivo de alargar o raio das suas conquistas internacionais...
Para participarmos em torneios internacionais, teríamos de ser convidados... Na época passada, fizemos a nossa preparação na Europa, concretamente, em Espanha, onde deixamos boas referências. Estamos a abrir as portas para algumas participações a nível das competições europeias. Mas como sabe, isso fica muito sujeito a possíveis convites. Vamos continuar a trabalhar para manter as nossas referências e, sempre que possível, realizarmos os nossos estágios na Europa para permitir outros contactos; sempre que surgirem convites que nos agradem, obviamente, vamos ter o maior prazer de dispor as nossas atletas a estes desafios, contribuindo para o desenvolvimento do desporto nacional.

De um modo geral, qual é o balanço que nos pode fazer do actual estágio das outras modalidades?
Temos de reconhecer que a nível do hóquei em patins, embora tenhamos feito alguns investimentos nos anos passados, não estamos a conseguir obter os frutos necessários; mais uma vez, não conseguimos conquistar o campeonato. Vamos repensar o hóquei, começando a prestar maior atenção às camadas de formação para que dentro de mais dois anos possamos aparecer, outra vez, com uma equipa que dignifique o nome do Petro de Luanda. Por outro lado, a nível do voleibol também vamos repensar. Temos alguma performance de certo modo assinalável, mas considerando o limite, em termos de recursos, há modalidades que vamos ter de direccionar melhor as nossas participações. Estamos a falar do hóquei, do voleibol e do atletismo.
Portanto, vamos começar a direccionar a nossa atenção mais para aquelas modalidades com condições de conquistar títulos, porque é para isso que estamos no desporto, embora também para as massificar. Já fizemos muito em termos de massificação, agora exigem-nos performance e vamos começar a dirigir os poucos reforços que temos para aquelas modalidades que de facto têm estado a justificar com resultados.