Jornal dos Desportos

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Reportagens

Chiby foi um jogador polivalente

Augusto Fernandes - 25 de Dezembro, 2011

António Lopes, mais conhecido por Chiby na década de 1980, que ele se notabilizou como jogador

Fotografia: Jornal dos Desportos

 

Depois de ter representado o Lusitano do Lobito por duas épocas na categoria de juniores, de 1968 a 1970, em que jogou com Mandinho e outros, Chiby transferiu-se para o Sporting do Lobito, onde começou a dar nas vistas. O jogador, a atravessar um excelente momento na sua carreira, foi convidado para jogar no Portugal de Benguela. No Portugal (hoje Nacional de Benguela), Chiby actuou apenas uma época, porque, ao abrigo da lei militar, foi incorporado no exército colonial. “Os bons jogadores, mesmo que tivessem abrangidos para o serviço militar, dificilmente deixavam de jogar para se dedicarem apenas ao exército”, disse.

De início, estava para ser enviado para Nova Lisboa (actual Huambo), mas, por razões adversas, foi encaminhado para Sá da Bandeira. Por lá, jogou pelo Benfica, isto em 1972, ao lado de jogadores de renome, como Firmino, David, Flávio, Emílio, Marçal, Cláudio e Marcelino. No clube encarnado, Chiby fez a sua estreia diante do ASA, com vitória dos benfiquistas por 3-1, tendo apontado um dos golos.

De regresso a Benguela, Chiby volta ao Portugal e jogou com Garcia, Baptista, Luvambo e Lourenço, isto em 1973/74. Em 1974, devido à situação político-militar, depois do 25 de Abril, o Campeonato Nacional foi interrompido. Foi assim que Chiby se refugiou em Luanda.
Na capital do país, participava em alguns “trumunos” organizados por jogadores locais para manter a forma. Ganhou confiança do treinador e foi convidado para integrar a primeira Selecção Nacional de Angola que se deslocou a São Tomé e Príncipe, com jogadores como Arlindo Leitão, Sabino, Geovete Manecas e outros.

Em 1977/78, Chiby ingressa no Académica do Lobito. No clube lobitanga, Chiby contribuiu na formação daquela celebre equipa com Cambiona a baliza, Batata, Tomás, Gindungo, Coyó, Sayombo, Comandala e Mateus. A dada altura, além de capitão da equipa, Chiby chegou a ser jogador e treinador. O homem era um verdadeiro patrão da equipa, jogando e fazendo jogar os seus companheiros. Chiby era um jogador polivalente, só não jogou a guarda-redes. No seu tempo jogar com o Académica do Lobito era um grande pesadelo para equipas como 1º de Agosto, Petro de Luanda, ASA e outras consideradas de primeira água, pois jogadores com Sayombo, que já chegou a disputar o título de melhor marcador do Girabola com Jesus, o próprio Chiby, Comandala e outros eram bons executantes e criavam, muitas dificuldades a qualquer equipa que os defrontasse.

Chiby, diz que os jogadores que mais o marcaram foram “o Alves, Chico Negrita, Arménio, Vicy. Quanto aos defesas, um dos que mais me marcou foi o Salviano do Progresso Sambizanga. Era muito difícil passar por ele”, recorda-se. Depois de pendurar as chuteiras em 1986, Chiby, continua ligado à vida desportiva como treinador. Como técnico, Chiby orientou o Nacional de Benguela e foi coordenador de todas as camadas Jovens, tendo como Pupilos o Nino Faria, Beto Carmelino, Rubém, Chico Barriga, Hilário, Paulo Jorge e outros.

Despois, treinou o Independente do Tômbwa durante duas épocas na I Divisão, disputou e perdeu duas finais da Taça de Angola, ganhou uma Super taça. No Tômbwa, teve como pupilos o Jaburú, Armindo, Esquerdinho, Julião, Milongá, Tostão, Ivon, Jonas Minhas e outros. Depois do Independente do Tombwa, Chiby, foi convidado a treinar o Petro de Luanda, em substituição do falecido Goekozek, tendo sido vice-campeão nacional a um ponto do 1º de Agosto. Na Taça dos Campeões, chegou a terceira eliminatória, vencendo o representante da Namíbia, do Ruanda e foi eliminado pelo AS Cabily da Argélia.

No clube do Catetão, Chiby, teve como pupilos jogadores como Márito, Paulo Silva, Amaral Aleixo, Nelo Bumba, Bodunha, Paulito, Betinho, Jonas, Chico Dinis, Cacharamba, Zico, Gudes e outros. Indagado sobre o porquê da fraca qualidade técnica dos nossos jogadores actualmente Chiby é de opinião que “o grande motivo desta situação triste está na má formação dos jogadores a partir da base. Por isso, temos de ter escolas de formação com verdadeiros formadores. Com o desenvolvimento da tecnologia, espera-se que haja também evolução nos jogadores como vemos na Europa e não só. Mas aqui a situação é inversa.”

>> Perfil

Nome completo:
António da Conceição Lopes
Filiação: António Lopes
e de Júlia da Conceição Lopes
Data de nascimento:
24 de Janeiro de 1952
Estado Civil: Viúvo
Naturalidade: Lobito
Filhos: Oito
Calçado: 40
Cor preferido: Azul
Musica: Kizomba
Bebida preferida: Sumos
Prato: Funge de Peito
alto/ ou calulú
Hooby: Ler tudo sobre futebol
Clube do Coração:
Todos por onde passei
Acredita em Deus: Sim, porque o que sou e o que tenho só é possível com a ajuda de Deus.
Sonho: Ter um futuro feliz
e com boa saúde.