Jornal dos Desportos

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Reportagens

Ciclismo na Hula pede socorro

Gaudncio Hamelay- Lubango - 15 de Julho, 2015

Os jovens da Huila esto proibidos de sonhar com as cores da Seleco Nacional face s dificuldades que enfrentam como a falta de dirigentes desportivos competentes

Fotografia: M. Machagongo

O grito vem de Lubango. Não há quadro para suportar os carretos, jantes e pneus. O desejo de pedalar esfuma-se nas estradas de alcatrão. O olhar perde-se na velocidade de um camião. Em cada segundo, é engolido pelo horizonte até o desaparecimento total. Na alma, a dor transforma-se no alimento do ciclista.

Na Huíla, o ciclismo encontra-se numa situação “crítica”. Os meios rolantes exalam o ar desgastado do tempo. As cores das bicicletas enlaçam-se com a ferrugem num cenário casamenteiro único e ímpar. As correntes e os carretos clamam por substituição.

Com o olhar tristonho, o vice-presidente da Associação Provincial dos Desportos Individuais da Huíla, Manuel Figueiredo, clama ao mundo por socorro. “Apoiem-nos. O ciclismo vive momentos críticos na Huíla”.

Sem iniciativa e condições financeiras para repor os meios, a direcção da Associação está de braços atados. Perante a situação, as horas correm devagar em direcção ao abismo. Antes da morte, as acusações e os culpados são apontados à distância. Essa manifestação serve para aliviar a dor que machuca a alma.

“A Associação da Huíla não conta com os apoios das autoridades governamentais locais e os clubes deveriam ser os principais mentores do ciclismo”, justifica Manuel Figueiredo. Em véspera de mais um campeonato nacional, a decorrer na província do Huambo, no fim de semana, a angústia aumenta. Os poucos ciclistas da província da Huíla estão a atingir a idade de aposentação e não há programa de massificação. Com a retirada dessa geração, vai estar consumado o desaparecimento do ciclismo na Huíla.

Manuel Figueiredo acusa os clubes da Huíla por não aderirem aos programas de competições da Associação nem às políticas de fomento da modalidade. As causas podem estar ligadas aos altos custos que a modalidade acarreta. A aquisição de uma bicicleta, a manutenção e a participação das provas nacionais e provinciais acarretam dinheiro. Em período de contenção de despesas, pedalar só mesmo com bicicletas amadoras.

O número de praticantes do ciclismo não satisfaz os anseios da Associação da Huíla. Para as provas oficiais, a instituição conta com seis ciclistas e os restantes engrossam a lista dos “tira barriga”.

Cada um assume a sua participação e é detentor da sua bicicleta.
Do lote dos atletas de alto rendimento, o sacrifício e a abnegação são valores que carregam na alma. Cada um ajuda com o meio possível para evitar o desaparecimento total do ciclismo. Na hora de se pôr à estrada, a Associação depara-se com dificuldades para garantir a logística. Manuel Figueiredo “oferece” o ciclismo huilano a qualquer instituição nacional que se preze em responsabilizá-la. Na Huíla, os clubes recusam-se a administrar o ciclismo nas suas carteiras.

A Organização Sandro é uma empresa que timidamente fomenta o ciclismo com quatro atletas. Nos últimos meses, o grupo de praticantes deixou de pedalar.

O proprietário  enfrenta dificuldades financeiras. 
Os jovens e adolescentes ávidos em desafiar Igor Silva, Walter Silva e outras esferas do ciclismo nacional vivem momentos de desespero. O sonho furta-se a cada segundo da vida.

O “nacional de estrada” do Huambo, no fim de semana, vai servir para acalmar apenas uma vontade: ver o nacional mais próximo de casa.

NACIONAL DE ESTRADA
Atletas confirmam presença no Huambo


Depois de longos dias de preparação com as “bicicletas possíveis”, a província da Huíla faz-se representar no campeonato nacional de ciclismo de estrada, a realizar-se na província do Huambo, no fim de semana, com seis atletas. A anuência de participação conta com o apoio do governo local, que disponibilizou os meios.

Os atletas responderam ao convite da Associação dos Desportos Individuais da Huíla, depois de verem garantidas as condições de participação. Assim, os jovens ciclistas têm à disposição o transporte para o local de competição e vice-versa, alojamento e alimentação. Manuel Figueiredo sustenta que a participação só é possível, porque actuaram com uma “estratégia de esperança”. Isto é, anteciparam os pedidos junto do governo de Marcelino Tchiypingue, que tem sabido promover a imagem do desporto da província.

A delegação huilana vai competir nas provas de contra-relógio individual e por equipa, bem como na prova em linha. A estratégia de participação foi ensaiada num percurso que variou entre 180 a 200 quilómetros.

PROGRAMAÇÃO
Calendário
está engavetado


A inexistência de apoios inviabiliza o cumprimento do programa de competições programadas para a presente época desportiva. A Associação dos Desportos Individuais da Huíla agendou seis provas oficiais, mas não saem do papel timbrado.

O vice-presidente da Associação, Manuel Figueiredo, assegura que a programação contempla prova mensal e o encerramento estava previsto para Novembro. Por falta de meios logísticos e financeiros, a instituição desportiva contenta-se com convites de empresas e do governo local na organização de provas alusivas às efemérides.

A sorte nem sempre está ao lado da Associação dos Desportos Individuais da Huila. Depois de acordos firmados, muitas vezes são surpreendidos com informações negativas, o que deixa entristecido a direcção. Sem alternativas, assistem ao pôr do sol loge da cidade de Lubango, no ponto mais alto da Tundavala.

“Gostaríamos cumprir com o nosso calendário anual de actividades desportivas, mas não é possível”, lamentou.
Apesar de falta de recursos humanos e financeiros, a Associação organizou e realizou apenas uma prova das seis previstas. O evento desportivo não serviu para avaliar os níveis competitivos dos atletas por falta de outros meios indispensáveis.

Para além de provas de estradas, Manuel Figueiredo afirmou ao Jornal dos Desportos que a sua direcção tem planificado também a promoção de bicross, uma prova de bicicletas de montanhas, e o lançamento da massificação numa primeira fase na cidade de Lubango e posteriormente noutras paragens da província da Huíla. A inviabilidade na execução dos projectos reside na falta de recursos financeiros.

Os dinamizadores do ciclismo na Huíla deparam-se com as mesmas dificuldades que os empresários locais. Perante a situação, o desejo e o sonho repousam algures no universo mental.
A única loja existente na cidade do Lubango pratica “preços exorbitantes” e os potenciais ciclistas não dispõem de recursos financeiros para custear as bicicletas e outros acessórios. Com a crise económica mundial, “as coisas complicam-se cada vez mais”.

Para aliviar o estado do ciclismo na Huíla, Manuel Figueredo apela às pessoas abastadas a adquirem as bicicletas e juntarem-se à Associação dos Desportos Individuais da Huíla na promoção do ciclismo, “um desporto que proporciona o bem-estar físico e mental” do cidadão local.

Com semblante feliz, Manuel Figueiredo espele uma esperança de algum dia alguém possa investir com seriedade no ciclismo. As promessas do país começar a sorrir “financeiramente” no segundo semestre do ano corrente é uma oportunidade que possa vir a beneficiar a modalidade.
“Tenho esperança de dia melhor”

Falta de quadros emperra desporto.

A triste situação do ciclismo huilano, está ligada, à “falta de quadros”. Os poucos existentes estão afastados, da modalidade, por razões diferentes. A inversão da conjuntura, depende da Federação Angolana de Ciclismo, de acordo com o vice-presidente da Associação dos Desportos Individuais da Huíla, Manuel Figueiredo.

O responsável huilano, acusa a falta de realização de Assembleias gerais, para debater o estado do ciclismo em Angola. Desde a tomada de posse do elenco de Diógenes de Oliveira, os associados huilanos desconhecem uma iniciativa para revitalizar os conhecimentos, quer de treinadores ou dirigentes, segundo Figueiredo. Para o vice-presidente da Associação “este mandato da Federação é o mais pobre que alguma vez passou na instituição reitora da modalidade”.

Em jeito comparativo, Figueiredo assegura, que “os mandatos anteriores promoviam em cada ano cursos para treinadores, dirigentes e assembleias gerais”.

"Há muito tempo que a Federação não organiza acções formativas. As pessoas, que lidam com o ciclismo, estão completamente esquecidas, não se refrescam os conhecimentos obtidos nos cursos passados, não há cursos de outros níveis e há escassez de quadros”, disse.

Figueiredo ressalta, que “o sucesso do ciclista depende de uma equipa composta por mecânicos, treinadores e dirigentes capazes de organizar o programa do ano desportivo”.

Manuel Figueiredo apela à Federação de Ciclismo para promover e organizar cursos na Huíla, afim de possibilitar o maior número de pessoas chegarem à formação, contrariamente, em Luanda, onde meia dúzia de pessoas “fazem-se” às aulas.

O responsável associativo teme pelas represálias da Federação, por manter um discurso crítico, virado à promoção do ciclismo na Huíla. “Não somos ouvidos quando apelamos à mudança de mentalidade na gestão do ciclismo angolano”, disse.

Manuel Figueiredo manifesta insatisfação, por nunca testemunhar uma Assembleia Geral da Federação Angolana de Ciclismo no corrente ciclo olímpico, que termina no próximo ano, e levanta dúvidas sobre a prestação de contas junto do Ministério da Juventude e Desportos, anualmente.

“Não sabemos de que forma é feita essa prestação de contas junto do Minjud, quando é a Assembleia Geral da Faci, a instituição responsável pela aprovação de relatórios de contas e actividades”, disse.

O mandato da actual gestão da Faci termina em Agosto do próximo ano, altura da realização dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro. O responsável relembra que as Assembleias Gerais eram realizadas após a realização dos campeonatos nacionais. Huambo acolhe a prova nacional na próxima semana e não houve convocatória para uma reunião magna.
GAUDÊNCIO HAMELAY- LUBANGO


VOLTA A FRANÇA
Christopher Froome mantém a liderança da competição


A edição 2015, do Tour de France, é uma das provas mais esperadas de todos os tempos. Desde muito antes da largada, a participação de quatro grandes atletas, em excelente forma, já movimentava as rodas de conversa dos grupos de ciclistas.

Alberto Contador iniciou a tentativa de dobradinha Giro/Tour com o pé direito, venceu de forma brilhante a grande volta italiana contra a Astana capitaneada por Fabio Aru, escoltado por um fortíssimo Mikel Landa.

Na competição, Alberto Contador teve de se defender dos ataques incessantes de ambos, o que causou um grande desgaste ao ciclista espanhol. O “Pistoleiro” fraquejou na última etapa da montanha e perdeu algum tempo, embora tivesse vencido.

Chris Froome tomou um caminho mais convencional, para vencer o segundo Tour da sua carreira. Antes da grande volta, sagrou-se vencedor do Criterium du Dauphine numa disputa muito acirrada com Tejay Van Garderen, atleta norte-americano que corre pela BMC.

Para a mesma competição, Vincenzo Nibali, vestiu a camisa amarela depois de um grande ataque na sexta etapa, mas perdeu tempo ao mostrar sinais de fraqueza nos dias seguintes.
Nairo Quintana, atleta que corre pela Movistar, preferiu preparar-se para o Tour em casa e participar da Rout Du Sud. Na prova, conseguiu acompanhar Contador nas subidas, porém perdeu tempo numa descida e terminou em segundo lugar.

PRIMEIRAS NOVE ETAPAS

O Tour começou com um curto contra-relógio individual, vencido por Rohan Dennis, da BMC. Em segundo lugar, Tony Martin deixou de envergar a camisa amarela por cinco segundos. O terceiro colocado na prova foi Fabian Cancellara. A segunda etapa foi marcada por fortes ventos e um pelotão que se quebrou em dois. No grupo da frente, Contador, Froome, Tejay van Garderen e mais alguns sprinters abriram uma boa vantagem sobre o grupo que ficou para trás. Nele, Vincenzo Nibali e Nairo Quintana enfrentaram as suas primeiras dificuldades na luta pela geral.

No fim da etapa, André Greipel saiu vencedor, com um terceiro lugar, Fabian Cancellara vestiu a camisa amarela. Porém, no dia seguinte, um grande tombo tirava o suíço da competição. Com uma boa aceleração na subida final, Joaquin Rodriguez venceu a etapa, seguido de Chris Froome, o novo camisa amarela. Na quarta etapa, disputada num trajecto repleto de sectores de paralelepípedos, Tony Martin conseguiu vencer e vestiu a camisa amarela pela primeira vez na sua vida. Infelizmente, fracturou a clavícula e abandonou a competição. No dia seguinte, Mark Cavendish vencia o seu primeiro sprint em grandes voltas em dois anos.

A grande surpresa da oitava etapa foi Vincenzo Nibali, que perdeu tempo numa subida relativamente curta. Enquanto isso, Froome, Contador e Quintana mantiveram-se relativamente estáveis na classificação geral.