Jornal dos Desportos

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Reportagens

Collina aconselha a formao de rbitros

Francisco Carvalho M.Machangongo - 19 de Novembro, 2009

realizao de um evento desportivo

Fotografia: Jornal dos Desportos

A realização de um evento desportivo tem implicações económicas que podem mexer com um país. Qualquer jogo deve ser assumido com responsabilidade pelo árbitro. Além do impacto no resultado do jogo, “o árbitro deve ser um bom líder, bom comunicador e bom decisor”.
A Taça Africana das Nações Orange Angola’2010 vai exigir aos juízes “a garantia do cumprimento das regras” para salvaguardar os interesses da competição. O sucesso da arbitragem depende do “conhecimento das regras”.
Pierluigi Collina, ex-árbitro italiano e considerado o melhor de todos os tempos, aconselha: “O árbitro deve ser consistente e actualizar-se constantemente para interpretar bem as leis”.
A realização de um jogo implica que “o árbitro deve estar aberto a mudanças; conhecer os sistemas tácticos e fora de jogo”. Esses conhecimentos permitem-no uma actuação “sem belisco” às equipas.
A preparação física e a académica do árbitro é imprescindível para o sucesso do jogo. “Deve encontrar sempre tempo para se preparar; a estatística dá-lhe a possibilidade de ver os passes das equipas e a actuação de jogadores”, exemplificou.
O resultado final da actuação do árbitro depende do desempenho de cada membro da equipa. O grupo deve interagir a favor da boa qualidade e a preparação conjunta é importante. “A sinalização de um fora de jogo (milimétrico) depende do árbitro-adjunto, pois está na melhor posição que o juiz principal”, disse.
Outros factores importantes para o sucesso da arbitragem são: a motivação, intuição e coragem. Pierluigi Collina aconselha os árbitros no activo: “a melhorarem a qualidade da actuação, é preciso compreender o erro e a coragem é imprescindível para tomar as decisões”.
O árbitro que ignora “a receita” de Collina está susceptível de cometer uma sequência de enganos, pois “só o estúpido pensa que nunca tenha cometido erro”.

Djalma defende
escolas de formação

Djalma Cavalcanti, técnico brasileiro, apela à criação de escolas de formação de treinadores para o desenvolvimento do futebol angolano. Radicado há 17 anos em Angola, Djalma defende a presença em Angola de técnicos estrangeiros com formação para colmatar o vazio existente.
A reacção do brasileiro responde à intervenção de George Weah que defende a presença de treinadores africanos nas selecções nacionais e nas equipas africanas. “O domínio mundial do futebol brasileiro deve-se à presença de técnicos locais nas suas selecções”, disse Weah.
Djalma Cavalcanti substituiu Luís Felipe Scolari que não pôde deslocar-se a Angola por questões contratuais.

Taça Africana das Nações
gera orgulho aos angolanos

Angola tem estabilidade política, o que é importante para o seu desenvolvimento; é um lugar calmo”. As palavras pertencem a George Weah, ex-futebolista liberiano e um dos oradores da conferência. Para o antigo craque do AC Milan, “a sensação de estabilidade” de Angola “permite a criação de um mundo digno”.
O “Futebol para além dos resultados” tem repercussões no crescimento económico, social e político de uma nação. A realização da Taça Africana das Nações Orange Angola’2010, em Janeiro próximo, constitui uma montra da capacidade dos angolanos.
A ministra do Planeamento, Ana Dias Lourenço, afirmou que a realização do CAN “exigiu a execução de obras públicas que se inserem nos investimentos públicos do Governo e que vai melhorar o orgulho dos angolanos”.
Quando a Confederação Africana de Futebol decidiu atribuir a responsabilidade da realização da Taça Africana das Nações a Angola, “gerou reacções psicológicas positivas e optimismo espontâneo dos agentes económicos”.
Para George Weah, “é preciso criar projectos viáveis ao desenvolvimento”, porque “é tempo de promovermos a nós mesmos. Como africano, devemos abraçar a nossa cultura”.
O futebol não se dissocia do processo do desenvolvimento do país. Nesse sentido, “é aceite que a valorização quantitativa e qualificativa do stock de capital fixo da economia, pela via dos investimentos públicos, introduz elementos importantes para a produtividade geral da economia e para um incremento do investimento privado”, disse Ana Dias Lourenço.
A Taça Africana das Nações, Orange Angola’2010 “desencadeou uma série de iniciativas empresariais privadas”, da qual vão “tirar proveitos económicos, que não podem ser ignoradas”.
A classe empresarial angolana está a investir em todo o país, com maior realce nas cidades que vão albergar as diferentes séries da Taça Africana das Nações Orange Angola’2010. Há um aumento na disponibilidade de quartos e de restauração, só para exemplificar.

Futebol forma homens íntegros

O “futebol para além dos resultados” tem também a ‘missão” de formar homens íntegros e disciplinados. George Weah revela: “o cartão vermelho dado por Pierluigi Collina fez-me pensar, aprender e a melhorar o meu comportamento; deu-me outra visão e aprendi a corrigir o erro”.
O “homem” que é hoje deve ao futebol. A interacção com o treinador Arsène Wenger rendeu-lhe a “modelação” da sua personalidade. “Ensinou-me a ser disciplinado e encorajou-me a juntar ao meu povo (na Libéria), porque estivemos a perder a dignidade no mundo por estarmos longe do povo”, disse.
A transformação do ex-atleta para dirigente político só foi possível por ter abraçado conselhos úteis. “O futebol é um desporto unificador” que contribuiu para o fim da guerra na Libéria. “Hoje, estamos unidos (grupos beligerantes) e partilhamos o mesmo bem”, disse Weah.
George Weah apela aos dirigentes angolanos “que façam um campeonato bem sucedido, porque é um momento significativo depois da (longa) guerra. É preciso acreditar na paz e no desenvolvimento, para que a África comece a sentir-se bem”.
Além das repercussões nas áreas económicas e sociais, a Taça Africana das Nações Orange Angola’2010 tem também repercussões políticas. “É imprescindível a solidariedade africana”, segundo George Weah, porque “o meu sucesso é o vosso sucesso; é a única maneira de a juventude sentir-se melhor”.
Uma juventude chamada para assumir responsabilidade social sem descriminação. Apesar das barreiras culturais em África, George Weah apela ao incentivo à prática do futebol feminino.
“A emancipação é importante, porque a promoção do futebol feminino é unir-se ao desenvolvimento; deve haver apoio às meninas”, assevera o melhor jogador do mundo de 1996.
George Weah aconselha os atletas africanos que queiram jogar na Europa: “para não fracassar é preciso definir prioridades. Queria ser o melhor e segui as normas: chegar cedo e primeiro aos treinos; não fumar, não beber álcool, evitar as noites; saber ouvir e acreditar nos sonhos”. Para aqueles que “dão prioridade às questões sociais, perdem-se”.

‘Assédio’ aos famosos

Pierluigi Collina e George Weah foram muito “assediados” após o almoço de confraternização. Os admiradores angolanos rodearam-nos durante longos minutos para assinatura de autógrafos e pose de fotografias. As antigas andebolistas e basquetebolistas foram as que mais se juntaram aos craques do futebol mundial. Entre os nomes sonantes constam a Filomena Trindande, Manuela “Manu” e Elisa Webba Torres. Os antigos futebolistas angolanos também se juntaram a Pierluigi Colina e George Weah.