Jornal dos Desportos

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Reportagens

Comuna do Malembo carece de infra-estruturas desportivas

Joaquim Suami, em Cabinda - 10 de Março, 2010

Jovens clamam por mais espaços para a prática desportiva

Fotografia: Jornal dos Desportos

A comuna do Malembo dista 20 quilómetros a Norte da cidade de Cabinda e tem uma população estimada em 11.135 habitantes, que se dedica, principalmente, à agricultura e à pesca. A localidade carece de infra-estruturas desportivas para o desenvolvimento e prática de diversas modalidades por parte dos jovens que lá vivem. Por este motivo, os jovens da comuna, principalmente alunos de escolas do 1º e 2º ciclos, praticam apenas o futebol, ficando de parte modalidades como o andebol, o basquetebol ou outra qualquer de sala, algo que não vai ao encontro do que acontece noutras paragens.

De acordo com o responsável para o sector desportivo de Malembo, Luís Alberto Alemão Monteiro, a situação preocupa as autoridades locais. Refere que, falando de futebol, Malembo possui apenas dois campos, nos quais os jovens realizam alguns jogos, tornando-se urgente a construção de um pavilhão para o movimento de modalidades de salão. Aquele responsável frisou ainda que a infra-estrutura, um pavilhão multiuso, pode ser provisório ou definitivo, pois o mais importante é contribuir para o aumento do leque de modalidades desportivas em movimento.

"Já pedimos ao Governo da Província de Cabinda, através da Secretaria Provincial da Juventude e Desportos, para construir um recinto apropriado para a massificação de modalidades de salão", explica. Face às constantes lamentações, à Administração Comunal do Malembo foi enviada recentemente uma carta de membros da direcção da Associação Provincial de Basquetebol para visitar a localidade, com o objectivo de se inteirar das principais dificuldades e ajudar no que for necessário para a massificação da "bola ao cesto", mas até ao momento não houve o sinal verde para o efeito.

"Temos um terreno que está por detrás do centro médico pertencente à administração comunal, onde queremos que seja construído um pavilhão gimno-desportivo. Estamos a espera que as autoridades competentes da região visitem o local para avaliarem as condições do terreno e autorizarem a construção da referida infra-estrutura desportiva", refere. Segundo Luís Monteiro, todos os projectos traçados pelo governo provincial tendentes a massificação do desporto, em todo o território da região, são bem-vindos, porquanto permitem o seu desenvolvimento e a construção de recintos afins.

Acrescenta que se torna necessário a implementação dos projectos "despontar" e "promade", na comuna do Malembo, pois é a partir da base que se forjam bons atletas para, no futuro, integrarem as selecções nacionais. "Não se pode apostar na massificação apenas na cidade de Cabinda. Também se deve fazer nas comunas e aldeias, porquanto é aí onde saem bons jogadores. No Brasil, os melhores atletas saem das favelas. Por isso, não devemos olhar apenas para o centro da cidade, mas também para o interior", explica.Sublinha em seguida que muita vezes o seu sector, em reuniões com a administração comunal, informa sobre as principais dificuldades que atravessa para a massificação do desporto local e, como tal, aguardam, com toda ansiedade, para que sejam solucionadas as suas inquietações.

Escassez de material
desmotiva atletas

A falta de infra-estruturas e de material desportivo contribui para a fraca prática desportiva na região do Malembo. Luís Monteiro, responsável, contou que, há dois anos, levou a equipa feminina de futebol de Malembo ao campeonato nacional, disputado na província do Huambo, em que conseguiram o quarto lugar, uma posição que nenhuma agremiação de Cabinda alcançara numa prova de género. Por isso mesmo lamenta a falta de apoios, facto que está a matar aos pouco a formação do 11 Bravos local, notando-se um clima de desmotivação no seio dos atletas, pois estes notam que a Associação Provincial de Futebol não se interessa pelo desenvolvimento da modalidade na comuna.

"Apesar de não termos apoios, não vamos cruzar os braços. Vamos continuar a trabalhar para que, no próximo campeonato, possamos revalidar o título de campeão provincial de futebol feminino", diz. De acordo com Monteiro, há alguns anos, a comuna beneficiou de um apoio de material desportivo por parte de um cidadão de nacionalidade americana, que de passagem nesta localidade, deparou-se com as péssimas condições de trabalho e doou um lote de equipamento à equipa feminina do 11 Bravos, material este que a agremiação usa até hoje. Revela que nunca receberam material desportivo por parte das autoridades competentes e esperam que as pessoas de boa-fé apoiem a comuna com equipamento, principalmente para a equipa feminina e para as camadas jovens.

"Aqui, temos apenas a equipa de futebol do 11 Bravos, em juniores femininos. Não temos como massificar as camadas jovens, por falta de material desportivo como bolas, camisolas, calções, botas, meias e outros tipos necessários para este fim. Também não sabemos a quem bater à porta para nos ajudar. Temos projectos de massificação, mas, por não termos apoios, estamos parados. Esperamos que a Secretaria Provincial da Juventude e Desportos nos ajude neste sentido", clama. Mais referiu que na comuna do Malembo existem muitos jovens que se mostram interessados em praticar desporto e que há crianças que jogam basquetebol em terra batida, com tabelas improvisadas.

Jovens querem diversificação de modalidades

O jovem Marcelino Capita, de 19 anos, disse que o desporto na comuna do Malembo tem estado a crescer, na medida em que os jovens daquela localidade se dedicam à prática do futebol e clamam para que, em pouco tempo, surjam outras disciplinas desportivas. Refere que a aderência à prática do futebol acontece tão-somente fruto da carência de infra-estruturas desportivas adequadas a modalidades de salão. Por este facto realça a necessidade de ser construído um pavilhão gimno-desportivo o mais cedo possível.
Diobeto Felix, de 20 anos, sublinha que apesar dos jovens locais se interessarem apenas pela prática do futebol, existe vontade de aprenderem outras modalidades.

O basquetebol e o andebol não são movimentados por falta de recintos apropriados. Por isso, pedimos ao governo da província que construa mais infra-estruturas desportivas, como está a fazer nos municípios de Belize, de Buco Zau e na comuna do Tando Zinze, para a prática das modalidades acima referenciadas. E acrescenta: "não podemos continuar a praticar apenas o futebol. Temos também de aprender outras modalidades, pois há muitos jovens com vontade". Raquel Esmeralda, 15 anos, diz gostar de jogar o basquetebol, mas, infelizmente, na comuna do Malembo apenas se pratica o futebol.

"Aqui se pratica apenas o futebol, mas nas aulas de educação física, na escola, praticamos também o basquetebol, o andebol, o voleibol, o futebol de salão, etc. A maior parte das moças jogam o futebol por ser a única modalidade aqui existente, quando em outras regiões o leque é mais diversificado", disse, acrescentando que "se houvessem recintos desportivos para desportos de sala, muitos optariam0 por outras modalidades que não fosse o futebol". De referir que o sector do desporto da comuna do Malembo tem 85 jovens registados, de ambos os sexos, para a prática de basquetebol, mas é uma realidade sem data para arrancar.