Jornal dos Desportos

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Reportagens

Consideravam-me de louco

Sardinha Teixeira - 10 de Dezembro, 2010

Com 1,89 m de altura, Moniz Marques conseguiu até ao momento conquistar três taças no torneio de rodokan

Fotografia: M.Machangongo

Com 1,89 m de altura, Moniz Marques conseguiu até ao momento conquistar três taças no torneio de rodokan, na África do Sul, em 2006. A partir daí, empenhou-se para mostrar que as taças conquistadas não tinham sido conseguidas por acaso. Melhorou ano após ano e, em 2007, participou nos Jogos Pan-africanos da Argélia e dois anos depois no Campeonato Africano da África do Sul.
A sua carreira no basquetebol começou cedo. Depois de jogar alguns anos em equipas do bairro e no Atlético Sport Aviação, foi descoberto pelos treinadores António da Luz e Chimuco.

Da Luz convidou-o para fazer parte da equipa técnica que estava a organizar, o Misto de Luanda. “Aceitei o desafio. Ao princípio, era conotado como um vagabundo no ciclo das minhas amizades. Consideravam-me louco, porque, sendo uma pessoa normal, não devia estar a treinar portadores de deficiência”, desabafou. Moniz Marques está preocupado com a discriminação com base na deficiência. “As pessoas com deficiência são frequentemente afectadas pelo desemprego, enfrentam dificuldades de acesso à formação e ao emprego, encontram ainda inúmeros obstáculos no seu dia-a-dia, que impedem a sua mobilidade e um desenvolvimento normal das suas tarefas”, afirmou.

O técnico defende que os portadores de deficiência “gozam dos mesmos direitos fundamentais que os restantes cidadãos, conforme estabelece o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos do Homem”. O treinador Moniz Marques aponta soluções: “As empresas privadas ou públicas têm de empregar os portadores segundo as suas aptidões e talentos. Assim sendo, eles podem optar pela forma que mais lhes convier de trabalhar e exercerem as suas actividades laborais sem se subjugarem a quem quer que seja, obterem rendimentos, conquistarem a sua independência e melhorar a qualidade de vida”.

Hoje, aos 28 anos, Moniz Marques, que beneficiou de acções formativas de nível 1 e 2 no estrangeiro, sente-se orgulhoso com o trabalho que faz e já sonha ser campeão africano. “Vou continuar a trabalhar para bem do nosso desporto e, naturalmente, já com os olhos postos na conquista do primeiro troféu africano na próxima competição”, referiu.

Altos & Baixos

Apoio aos portadores
de deficiência


“O Fundo de Solidariedade ‘Lwini’, que nasceu há 11 anos, apoiou os portadores de deficiência. Quando se criou a instituição, foi com o único interesse de acudir a camada acima referida, mas hoje tem apoiado crianças carentes, tem feito construções sociais e apoiado vários projectos, nas diversas províncias do país”.

São pessoas normais

“Já bati a várias portas a favor de alguns portadores e tenho sido desprezado de forma indirecta e neste momento aguardo por uma oportunidade para a sua inserção no mercado de trabalho. Na verdade, eles são pessoas normais. O facto de ter uma perna amputado, não significa que não possam exercer qualquer actividade laboral, pois têm condições físicas e mentais para dar o seu contributo”.

Quem é quem …

Nome: Moniz Marques
Data de nascimento: 29 de Abril de 1982
Naturalidade: Bengo
Nacionalidade: Angolana
Peso: 88 KG
Filhos: (1)
Altura: 1, 89 metros
Calçado: 42
Casa própria: Não
Carro: Não
Função: Treinador de basquetebol
Clube: Misto de Luanda
Prato preferido: Funge de calulu
Tabaco: Não
Bebida: Vinho
Filmes: Acção
Religião: Metodista
Cor preferida: Azul
Poligamia: Contra
Música: Angolana
Esplanada ou discoteca: Esplanada
Droga: Faz mal a saúde
Tempos livres: Leituras e música
Campo ou Praia: Campo para cultivar