Jornal dos Desportos

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Reportagens

Crise financeira afecta o andebol

Joaquim Suami-Cabinda - 30 de Setembro, 2013

O nível de crescimento do andebol em Cabinda baixou devido a dificuldades de vária ordem mas é grande o desejo dos jovens da província em praticarem a modalidade de forma regular e participarem em campetições

Fotografia: Jornal dos Desportos

A província de Cabinda foi considerada nos anos 80 e 90 como pólo de desenvolvimento do andebol, devido ao forte poderio que a maior parte dos clubes locais, como o FC de Cabinda, Benfica e Sporting possuíam e que não davam tréguas aos adversários nas competições nacionais.O destaque recai para o Sporting Clube de Cabinda que nos anos 90 e princípios do século XXI foi uma potência do andebol no país, principalmente na classe feminina, em que chegou a representar Angola nas competições africanas.

Devido à crise financeira que a maior parte dos clubes locais atravessa desde o princípio do ano 2000, a prática do andebol baixou, o que causou grande descontentamento no seio de dirigentes e técnicos que apostavam na descoberta de talentos. Para o presidente da Associação Provincial de Andebol, Jean Marie, a crise financeira que afecta a maior parte dos clubes da província de Cabinda contribuiu para o fracasso da prática do andebol na região.

A prática do andebol na região só reapareceu após a realização dos campeonatos nacionais de juniores, em ambos os sexos, que a província de Cabinda acolheu em Janeiro deste ano. “O andebol cabindense baixou os seus níveis de crescimento, mas graças aos campeonatos nacionais de juniores, em ambos os sexos, que a província acolheu em Janeiro deste ano, nos quais participámos com a formação do Real Mbuco que conquistou o terceiro lugar, os dirigentes, técnicos e atletas continuaram a praticar a modalidade”, disse.

A realização dos nacionais de juniores que a província de Cabinda acolheu em Janeiro permitiu que a Associação Provincial de Andebol formasse técnicos e árbitros que vão dar o seu contributo na expansão e desenvolvimento da modalidade na região, acrescentou.“Graças à realização dos campeonatos nacionais de juniores conseguimos formar alguns técnicos e árbitros e fruto desta formação, temos hoje uma técnica de categoria nacional e uma dupla de arbitragem que frequentam um curso de francês para facilitar a comunicação quando estiverem a apitar jogos internacionais”, referiu.

Além do Sporting de Cabinda, também o núcleo do 1º de Agosto e o Núcleo Desportivo Escola estão a trabalhar na formação das camadas de iniciados, juvenis e juniores. A Associação Provincial está empenhada em agrupar alguns atletas de escalão sénior, em masculinos, que passam a representar a província nas competições nacionais da categoria até que apareçam clubes interessados em inscrevê-los nas suas agremiações.

Associação quer apoio do Governo Provincial
Cabinda


O presidente da Associação Provincial de Andebol, Jean Marie, afirmou que para a província de Cabinda voltar a ocupar o lugar de destaque que conquistou nos anos 80, 90 e princípios do século XXI na arena nacional é necessário a colaboração do Governo Provincial no apoio financeiro e material para que a massificação e descoberta de novos talentos seja um sucesso. “Para a província de Cabinda voltar a ocupar o seu lugar na arena nacional é preciso a colaboração do Governo Provincial no apoio à Associação e aos clubes, porque vontade de trabalhar na massificação não nos falta, mas por falta de incentivos nada se pode fazer”, frisou, acrescentando que a Associação está a trabalhar com as escolas e com alguns clubes locais para que a modalidade não morra.

“A Associação Provincial de Andebol tudo tem feito para que a modalidade não morra. Estamos a trabalhar com as escolas e com alguns clubes com o objectivo de expandir o crescimento da prática da modalidade no seio dos jovens. Esperamos, também, que apareçam mais clubes para aderirem ao nosso programa e com isso beneficiarem de bolas e outro material desportivo”, disse. Jorge Neto
 



INFRA-ESTRUTURAS
Muita vontade e poucos campos


A província de Cabinda é considerada como a região do país com maior número de infra-estruturas desportivas, mas Jean Marie disse que os clubes e os núcleos estão sem campos para ensinar o ABC da modalidade às crianças. “Neste momento estamos sem campo para treinos, o Pavilhão Multiusos do Tafe continua fechado desde que acolheu a Primeira Edição da Feira Internacional de Cabinda. O Pavilhão do Cabassango não está em condições para a prática da modalidade e por falta de apoios financeiros não conseguimos fazer a manutenção do recinto. O Pavilhão Comandante Gika deve ser alinhado e para se comprar material de alinhamento é preciso dinheiro e o pavilhão da Escola Dangeroux é pequeno para a prática da modalidade”, frisou.

O responsável sublinhou que para além das dificuldades financeiras para os projectos de massificação, a falta de campos em condições tem sido a dor de cabeça para se dar continuidade aos trabalhos de formação.“Além da falta de apoios financeiros também existe a carência de campos para a prática da modalidade. Só o futebol é que tem campos em condições, o andebol não tem onde treinar e onde realizar actividades para que os jovens possam mostrar o que estão a aprender na massificação. Quanto ao Pavilhão do Mbaca não se sabe quando é entregue para a prática do andebol”, concluiu.

BAIXA
Falta de apoios financeiros
causa ausência nas provas


O presidente da Associação Provincial de Andebol, Jean Marie, disse que a falta de patrocínios e de apoios financeiros tem sido a dor de cabeça do órgão reitor da modalidade na província em colocar equipas locais em campeonatos nacionais.“Se a província de Cabinda tivesse clubes com os escalões de juvenis, juniores e seniores, em ambos os sexos, com condições financeiras, estávamos a participar todos os anos nas provas organizadas pela Federação Angolana de Andebol. Cabinda não tem nenhuma equipa sénior e estamos a trabalhar no sentido de termos um misto neste escalão que passa a representar a províncias nas provas nacionais”, disse.