Jornal dos Desportos

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Reportagens

Cuemba clama por infra-estruturas desportivas

Sérgio V. Dias, No Cuemba - 09 de Abril, 2015

Cuemba liga Bié- Malanje- Moxico e aguarda novas quadras para promover a massificação e o desenvolvimento do desporto neste município em particular e na província de um modo geral

Fotografia: Edson Fabrízo

O município do Cuemba, localizado no corredor Leste da província do Bié, liga esta à vizinha do Moxico, enfrenta neste momento um quadro desolador no domínio de infra-estruturas, particularmente no que se refere ao sector desportivo. Por essa razão, a actividade do sector é quase nula na circunscrição.
Entrevistada pelo Jornal dos Desportos, a administradora municipal Laurinda Capocolola diz estar em carteira um projecto para a criação de infra-estruturas desportivas nas comunas que compõem a região da província do Bié.

Além da sua sede municipal, que possui duas quadras poli-desportivas, o Cuemba conta com as comunas Munhango, Sachinemuna e do Luando, respectivamente.
Antiga jogadora de basquetebol do clube 22 de Novembro do Chinguar, Laurinda Capocolola, assegura que com a aposta que o Governo do Bié faz na construção de quadras desportivas nos municípios “ permite a expansão das actividades do sector”.

De acordo ainda com a administradora Laurinda Capocolola, no município, é notória além da prática do futebol, as modalidades de basquetebol e das artes-maciais. Nesse sentido,  destacou a equipa de futebol das Palancas do Cuemba, que participam em provas do desporto-rei a nível da província. Já no que diz respeito às artes-maciais sobressai a equipa local das Estrelas do Cuemba.

Localizada  cerca de 164 quilómetros do Cuito, capital do Bié,  com uma superfície territorial de 13.250 quilómetros quadrados, o Cuemba é segundo maior município do Bié,  só superado nos cálculos pelo Chitembo, com 19.098 e que fica no corredor Sul  que liga ao Cuando Cubango.
Refira-se que o Cuemba é limitado a Norte pelo município do Luquembo e a Nordeste pelo de Quirima, regiões circunscritas a província de Malanje.
A Leste o município é limitado pela província do Moxico e a Sudoeste por Camacupa, região do Bié onde pontifica o centro geodésico de Angola.
Dados colhidos do senso geral da população e habitação, realizado o ano passado, dão conta que o Cuemba tem mais de 50 mil habitantes.

GRANDEZA
Clube mais emblemático do Planalto Central


Considerado o maior emblema desportivo da província do Huambo e um dos mais carismáticos e respeitados na região centro e sul de Angola, o Petro do Huambo foi fundado a 5 de Janeiro de 1980, na sequência da fusão das equipas  do Atlético de Nova Lisboa e do Desportivo da Sonangol.

Na altura, poucos eram os crentes na longevidade do projecto, uma vez que era tão-somente considerado o clube mais novo entre os “gigantes” da praça, em que se destacava o Mambrôa (actual Benfica) e o Recreativo da Caála, além das extintas formações da Cuca, Evestang, Dínamos, Palancas, Electro, Toyotas entre outras.
Transcorridos 35 anos, marcados por alegrias e obviamente dissabores, que quase retiraram o clube do mosaico desportivo nacional, o estado actual do grémio diverge em muito dos objectivos definidos pelos seus fundadores.

Em meio a dificuldades financeiras, facto que faz com que a agremiação desportiva não tenha a exuberância de outrora, ainda assim os “alvi-negros” continuam a gozar do carinho da massa associativa e da população em geral.
Sem muitos recursos financeiros para adquirir material desportivo, pagar salários para treinadores e dar incentivos aos atletas, a direcção do Petro do Huambo continua apostada no desporto de formação e na sua reorganização administrativa.

A ideia dos seus dirigentes é criar as bases que permitam desenvolver o grémio, de forma sustentável, nas áreas administrativa, financeira e desportiva, para tornar-se a médio prazo num clube de referência nacional, tal como já o foi até 2004.
Por altura da fundação, o clube resumia-se à modalidade de futebol e um ano depois o conjunto ascendeu, pela primeira vez, ao campeonato nacional da primeira divisão, porém não conseguiu manter-se, retornou ao escalão secundário.

Contrariamente ao que se cogitava nos círculos desportivos nacionais, pois  temia-se  que com  a descida de divisão pudesse dar lugar ao desaparecimento no panorama desportivo nacional, os “alvi-negros” protagonizaram feito inédito. Mesmo estando a competir na II divisão, foram finalistas vencidos da primeira edição da Taça de Angola, em 1982, diante do 1º de Maio de Benguela, que era o colosso da época.

Daí em diante, a equipa ficou moralizada e de forma surpreendente começou a construir o historial nos anais desportivos de Angola no futebol, ao mesmo tempo em que começaram a surgir outras modalidades, como basquetebol, xadrez e desportos de luta.
Contudo, o futebol foi a disciplina que mais alegria proporcionou ao clube,  em 1984 a equipa sénior terminou na terceira posição, a dois pontos do campeão Petro de Luanda, situação idêntica registada em 1988.

À semelhança do Benfica do Huambo, os petrolíferos ficaram igualmente sem competir durante as épocas 1993 e 1994, por causa da guerra, reapareceram na “fina-flor” do futebol nacional em 1995 para ocupar o moralizante quinto lugar.

De 1995 a 1998, o conjunto esteve sempre arredado de poder recuperar a mística no campeonato nacional sénior masculino de futebol. Voltaram a evidenciar-se em 1999 (quinto lugar), 2001 (quarto), 2000, 2002 e 2003 (terceiro lugar), este último que garantiu ao conjunto vaga nas competições continentais, pela primeira vez. Dois anos depois, porém, o infortúnio consumou-se com a descida de divisão da equipa, 23 anos depois.
Em 2007 voltou à primeira divisão, mas no final do ano seguinte foi despromovido e desde 2013 tem estado a competir no torneio de apuramento, mas sem sucesso, devido à exiguidade de recursos financeiros.

Entre 1983 a 1990, o Petro do Huambo era a única equipa fora da capital do país que chegava a fornecer regularmente à selecção nacional de futebol de honras, entre cinco a seis jogadores. Entre os seus principais futebolistas naquela altura pontuavam, Carlos Pedro, Almeida, Aníbal, Toni, Bolingó, Saavedra, Picas, Mona, Zacarias, Mulusi, Luís Bento, Adão, Lilas, Sayombo, Nelito Constantino e, em épocas ulteriores, Geovety, Zé Nely, Avelino Lopes, Gazeta, Tanda, Ngangula, entre outros.

APOSTA
Desporto escolar e a massificação


Durante um encontro mantido com os agentes desportivos em Dezembro, o governador do Bié, Álvaro  Boavida Neto, apelou à necessidade de se prestar maior atenção ao desporto de massificação, comunitário e escolar.
“Penso que seriam esses pressupostos que iriam suportar as bases para a projecção dos clubes. Os clubes têm de ter uma fonte e a fonte seria esta, a escola, as comunidades e depois daí puderem desenvolver a sua acção”, disse na ocasião Boavida Neto.

Outra preocupação, manifestada pelo governante na ocasião, foi em torno do aspecto da formação que a seu ver, “não se pode fazer esta a três pancadas”.
“Tem de se fazer uma formação bem estruturada e  com pendor científico e técnico. A nossa aposta, para além de outras acções de refrescamento que o sector do desporto vai desenvolvendo deve estar no acompanhamento dos quadros, sobretudo os que estão a ser formados agora na Escola Superior Politécnica”, justificou Boavida Neto no encontro realizado no Centro Cultural Doutor António Agostinho Neto, no Cuito.
O governador do Bié fez saber, por outro lado, estar nesse momento a trabalhar-se já na identificação da complementaridade de meios de ensino para a Escola Superior Pedagógica, onde se realiza o curso de educação física.

“Há um levantamento e contactos feitos. Estamos à espera que ao longo do trimestre ou de quatro meses, provavelmente, consigamos dar uma resposta mais positiva àquilo que nos foi solicitado pela escola. Depois, creio que é possível com os técnicos locais, recorrer  à própria escola, fazermos alguma formação modular para aqueles que estão a exercer a actividade e que não têm a tal agregação técnica, nem pedagógica para o desempenho da mesma”, argumentou durante a  intervenção.
Nessa perspectiva ainda, considerou imperioso que “as bases elementares sejam transmitidas para que o abc de uma determinada modalidade possa ser ministrado de forma eficiente”. “Na era colonial, a maior parte dos professores de educação física eram militares. Eram os militares que forneciam os professores de educação física, para se ter bases suficientes para desenvolver a actividade”, lembrou.


VERBAS
Petro do Huambo assolado pela crise


Dois meses depois de ter completado 35 anos de existência, o Petro do Huambo continua mergulhado numa das piores crises financeiras da sua história, está há 14 meses sem receber qualquer verba do seu patrocinador oficial, a multinacional petrolífera  British Petroleum (BP).

O director geral dos “alvi-negros”, Paulo Alexandre, disse  que a falta de recursos financeiros está a condicionar a execução de vários projectos, principalmente de formação desportiva e a recuperação do património infra-estrutural, que pode vir a colocar em risco a participação da principal equipa de futebol no torneio de apuramento.
Considerou difícil a situação actual do clube, a julgar pelo seu estatuto no panorama desportivo angolano, lembrou que “o Petro do Huambo tem um percurso digno na sua história que  permitiu granjear respeito no país e não pode estar votado a esta condição crítica”.

Paulo Alexandre diz não entender as reais motivações da entidade patrocinadora, uma vez que a formação mesmo sem receber dinheiro algum, ainda assim tem estado a cumprir com todas as obrigações impostas pela multinacional petrolífera.

A direcção está em permanente negociação com a British Petroleum, para encontrar uma solução viável, mas como disse tarda em cumprir com o seu dever, o que agudiza ainda mais a crise financeira.
“Da nossa parte temos feito tudo, inclusive temos enviado trimestralmente os nossos relatórios de prestação de contas, infelizmente, o nosso direito não tem sido respeitado por quem tem a responsabilidade de nos apoiar financeiramente. É uma situação delicada, pois temos responsabilidades e um nome a salvaguardar, não podemos viver de promessas”, desabafou.

Diante desta falta de dinheiro, o director geral do Petro do Huambo disse que o clube está a sobreviver graças aos parcos recursos que tem obtido com o arrendamento do pavilhão e do centro de estágio.
SVD